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6 de jul. de 2012

Eze: vale a pena subir o morro

 Enquanto rodávamos pela Moyenne Corniche, saídos de Nice e em direção a Menton, onde visitaríamos o Museu Cocteau (eu estava naquela excursão pela França da Biarritz, lembram?), fizemos uma parada mais que estratégica em Eze para o almoço.

 Eze é um vilarejo medieval erguido também no alto de uma colina, a mais de 400m acima do Mediterrâneo.   Ali, como no Saint Michel, os carros não entram; a gente estaciona na base da colina e sobe a pé pelas ruelinhas lindas-maravilhosas. 
 Bem menor, mas no mesmo estilo de Saint Paul de Vence: ruelinhas tortuosas, galerias de arte e lojinhas espalhadas, aquele jeitão de parada no tempo. E ainda com direito às ruínas de uma belíssima fortaleza no alto, de onde se vê - mesmo com o dia cinza e garoando - boa parte da riviera ao longe. Imagino que num dia de céu azul limpo seja um desbunde. 





É claro que a maioria do grupo optou por não almoçar e sim subir e descer zanzando por aquelas ruelinhas da cidade para conhece-la na hora e meia que tinhamos por ali. E foi suficiente, porque a cidade é pequenininha; aliás, tão pequenininha que você pode "se perder" N vezes entre escadarias, ladeiras e ruelas e vai se encontrar logo em seguida :D  

 As casinhas de pura pedra se misturam à vegetação tropical que rodeia a colina. E a fortaleza lá do alto (a gente paga para entrar) inclui também um jardim apaixonante. Eze foi vítima de sucessivas ocupações, a começar pelos próprios romanos, é claro - e, muito tempo depois, Luis XIV se encarregou de destruir toda a muralha da cidade, humpf. 


Lindo passeio; e olha que estávamos debaixo de chuvisco. Paradinha perfeita para quem estiver viajando de carro pela riviera. 
(para os shopaholics: ali ainda tem uma loja da fábrica da Fragonard que é sensivelmente mais barata que as demais)

Menton e o Museu Cocteau

 Menton é mais uma das cidadezinhas à beira-mar na Riviera Francesa. Tranquila, com prainha de calheta, um belo mercado, trenzinho pro tour turístico de inspiração cinematográfica.
 E foi justamente ali que foi instalado o novo Museu Jean Cocteau - Collection Wunderman.
 Dentro do museu é proibido fotografar, por isso só fotos externas ilustram esse post. E olha que o exterior vale a pena, não vale? O prédio à beira-mar destoa completamente da paisagem francesinha de Menton, é verdade; mas é um belo trabalho arquitetônico, e que ajudou a dar uma revitalizada na área. 




 E por dentro, baita acervo. Estão ali o Cocteau das letras, dos quadros, do cinema, mil caras, em distintas fases de sua vida (o subsolo é quase todo dedicado aos seus filmes, com vários setores exibindo trechinhos de obras como "A bela e a fera"). E ainda tem um ateliê de 70m quadrados destinado às crianças e escolas em visita ao museu. 



O acervo de obras é tão grande que não há espaço disponível para tudo, não; as obras expostas devem ser trocadas a cada ano do museu. 

A boa? O ingresso completo, por 8 euros, que dá direito tanto ao novo museu, como ao Musée do Bastion e as exibições temporárias. 

30 de jun. de 2012

Nem só de glamour vive a Riviera Francesa

As paredes pintadas por Cocteau en Santo Sospir
 Quando a gente pensa na riviera francesa, na côte d´azur, normalmente as primeiras coisas que vêm à nossa mente estão relacionadas à Grace Kelly e família Rainier, os festivais de Cannes e aquele sem fim de iates gigantescos disputando espaços nas marinas da cidades desse recortado litoral, não é? Por isso mesmo foi deliciosa surpresa ver que sim, dos ícones ligados aos Rainier aos imensos iates, está tudo lá, é claro; mas a região  vai muito além disso. A Riviera Francesa também respira arte. E muita.
A arquitetura impressionante do novo Museu Cocteau em Menton
 Nice, por exemplo, que tem um centro antigo (Vieux Nice) incrivelmente lindo e gostoso de bater perna, com ruelas à la Toscana e um adorável mercado de flores no Cours Saleya. Também tem uma biblioteca ubber contemporânea e o excelente MAMAC (Museu de Arte Moderna e Contemporânea). Isso sem falar do apaixonante Museu Chagall (quem é que não curte Chagall, me diz?) e da divina Villa Arson, a escola de arte à moda antiga na qual seus alunos/artistas literalmente vivem de arte. E, para os fãzaços, ainda tem os igualmente muito bons Museu Matisse, Museu de Arqueologia, Museu Massena e  Museu de Belas Artes que, entre uma taça de champagne e um mergulho, também são programaços para quem ficar bastante tempo na cidade. 
Picasso no meio da rua...
... e Picasso sobre o mar na Riviera
 Saint Paul de Vence, que foi o lugarzinho pelo qual mais me apaioxonei nessa viagem, tem o vilarejo medieval todo construído sobre a montanha, como um borgo italiano, simplesmente adorável. E caí de amores pela Fundação Maeght que, além dos murais de Chagall e das muitas obras expostas na parte interna, ainda mantém o gigante jardim que guarda o Labirinto de Miró, imperdível. Na parte baixa de Vence fica a Capela do Rosário, pintada por Matisse, e o ótimo Museu de Arte Moderna e Contemporânea que abriga Mirós, Calders, Giacomettis etc.  
O Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Nice por fora...
... e por dentro
Nice tem arte até na fachada da Prefeitura...
... no meio da rua...
... e na genial biblioteca
 A Moyenne Corniche, a linda estrada que liga Nice a Menton, não bastasse ser uma das estradas mais panoramicamente lindas pelas quais viajei, com vistas-desbunde em Franche Sur-Mer e Cap Ferrat, ainda guarda a ge-ni-al Santo Sospir, a casa debruçada sobre o mar de Cap Ferrat que virou museu com suas paredes e móveis pintados por Cocteau, e o novíssimo Museu Cocteau Collection Wunderman, em Menton, que faz arquitetos pirarem já com sua fachada frente ao mar. 
Chagall nas paredes...
... e nos Vitrais
 Vallarius, pertinho de Cannes, guarda a escura e escondida - e, ao mesmo tempo, absolutamente genial e impactante, Capela Guerra e Paz, cujas paredes e teto foram tomados pelas pinceladas do Picasso. Sair dali e rumar para o gigante Museu Picasso na linda Antibes é programaço imperdível. 
Artista em plena função nos ateliês da Villa Arson
A entradinha da tocante capela pintada por Matisse em Vence
Nos próximos posts, diquinhas e fotinhos das cidades e atrações um a um. 

29 de jun. de 2012

Excursão na Europa

O roteirinho detalhado da viagem, no material enviado pela operadora antes do embarque
Não, você não leu o título desse post equivocadamente, não; eu, que sempre fui fãzaça de uma viagem independente, resolvi me arriscar mais uma vez numa excursão, e pela primeira vez em terras européias. Entrei no roteiro "Arte Moderna e Contemporânea na França", da Biarritz; e não é que eu gostei?
O roteiro tinha tudo para dar certo mesmo: fazer a Côte d´Azur (Nice, Cannes, Mônaco, Cap Ferrat, Eze e várias outras), Paris e Metz, tudinho atrás do melhor da arte contemporânea e moderna nas regiões; e acompanhados de um professor especialista em História da Arte, o que tornou cada visita simplesmente genial - nada como a arte mediada ;-)
Santo Sospir, a genial casa de Cocteau em Cap Ferrat
A Biarritz é uma operadora gaúcha - dá pra comprar diretamente com eles pelo site mas também através de qualquer agência de turismo - especializada em roteiros temáticos pela França e tem sempre umas propostas diferentonas do velho esquema "excursão da Europa", incluindo não apenas viagens culturais como essa, como também roteiros para fãs de esporte e gastronomia, bem legais. Assim, a heterogeneidade do grupo fica muito menor, o que é uma baita vantagem; salvo raras exceções, todo mundo acaba tendo interesses similares. E com grupos pequenos, que é o que acho mais importante - no meu, éramos apenas 17 no total. 
Claro que viajar em grupo tem seus ônus: o que mais me incomodou foram os atrasos, muito desmensurados nos dois primeiros dias. Depois da bronca da guia, o povo se tocou nos dias seguintes; mas, ainda assim, estávamos sempre à espera de alguém o tempo todo, mesmo sendo tão poucos os passageiros. 
A bela marina de Cannes
Mas, no saldo final, gostei muito mais do que esperava. Tirando 3 pessoas do grupo, eramos todos viajados e interessadíssimos em arte, o que tornou não apenas os passeios como os bate-papos fora de hora bem interessantes e animados. E em nenhum dos dias fomos levados a qualquer loja, "ponto de apoio" ou restaurante determinado pela guia - tirando os passeios já programados (visitas a museus, em suma), cada um comia, comprava e zanzava por onde bem entendesse. Foi a primeira vez que vi isso numa excursão e fiquei genuinamente feliz. 
Fizemos toda a Côte d´Azur em ônibus - porque eram vários deslocamentos por dia, mas sempre curtinhos - e em Paris fizemos tudinho em metrô, bem prático e rápido. Em todos os museus tinhamos visitas guiadas já programadas e os dias não eram tão puxados - pouquíssimas vezes saímos antes das 9h do hotel ou retornamos depois das 18h. E a guia era prática, zero frescuras, paciente e bem atenciosa com todo mundo (alguns passageiros tinham bastante idade e ficavam bem dependentes da opinião/orientação dela para tudo).
Quem me segue no twitter, facebook e instagram, acompanhou os relatos e fotinhos diárias da viagem, que durou um pouco menos de duas semanas - incluindo a aventura da volta, com o mega delay do voo da Air France ;-P Nos próximos dias, você confere aqui o relato detalhadinho dos passeios lindíssimos da viagem, tintim por tintim.