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29 de jun. de 2013

Cruzeiro pelo Alasca: Skagway, WhitePass e Yukon Route


Mesmo depois das 4h30 da (linda) viagem de trem de Anchorage a Seward para embarcar no Silver Shadow no começo da viagem, ao chegar a Skagway eu já sabia que o passeio que mais queria fazer era o trem que percorre a WhitePass Rail e a Yukon Route até o lado canadense.  Existem dois trens em operação, na verdade: um a vapor, mais antigo e mais lento, e outro mais moderno (pero no mucho).
 Desembarquei do navio cedo (sete da matina) e fui ver a cidadezinha, já que a estação de partida do trem ficava bastante próxima do porto. Skagway é mais uma das cidades do Alasca tomada de casinhas  coloridas pré-fabricadas que me lembraram (muito) meus (remotos) tempos de brincar de Playmobil com meus irmãos.

 Skagway fica rodeada de montanhas e picos nevados e o dia lindo, com céu muito azul, deixa o entorno da cidade ainda mais bonito.
 A cidade praticamente dormia tão cedo, ruas desertas. As únicas pessoas que encontrei eram justamente turistas (do meu navio mas também de outras bandas) que iam embarcar nos trens

 A viagem começou com algum atraso mas, mais um vez, foram horas de puro deleite com a paisagem que nos seguiu o tempo todo. Os vidros dos vagões eram fechados (até por questões climáticas) mas eu e alguns outros passageiros nos esprememos felizes da vida nos gaps do começo e do final do nosso vagão para ficar fotografando parte daquelas lindezas.

 Do lado americano, a paisagem, apesar dos picos nevados, era verde, MUITO verde, intenso, naquela vibe "50 tons de verde" mesmo, enquanto sacolejávamos pela antiga linha férrea.
Construída em 1898 durante a corrida do ouro de Klondike, essa estreitíssima ferrovia é uma marco da engenharia civil internacional (assim como o Canal do Panamá, a torre Eiffel etc): dizem que dez mil homens e 450 toneladas de explosivos foram utilizados em sua construção. A WP-YR (como costuma ser abreviada) foi considerada inicialmente um projeto impossível por atravessar uma região tão montanhosa e ter desenho tão sinuoso - mas acabou sendo construída em apenas 26 meses, um recorde para a época.

 Custou US$10 milhões e foi financiada na época pelos britânicos. Chamada também de "a ferrovia do ouro",  chega a quase mil metros de altitude em pouco mais de 20km  (são 110 milhas no total) - e tem túnels e pontes construídos ao largo de sua extensão.  Ligando o porto de Skagway ao Canadá, teve papel importantíssimo no desenvolvimento econômico do Alasca, mas foi fechada em 1982 (devido à crise na mineração) e reaberta em 1988, já como atração turística.
Um fazendeiro da região (ele estava trabalhando no local com uma máquina como um mini-trator, que não aparece nesta foto)
À metade do passeio, alguns passageiros desembarcam para prosseguirem num trekking guiado
O outro trem que faz o percurso flagrado, do meu vagão, em meio ao emaranhado de árvores do local
 Bastou cruzarmos a fronteira canadense (marcada na ferrovia por uma bandeira hasteada) para a quantidade de neve ficar muito maior, inclusive ao lado dos trilhos pelos quais passávamos. E a quantidade de água - lagos, riachos, cascatas - também aumentou consideravelmente. Lindo.



 Ao chegar na estação canadense de Fraser, ponto final da viagem (ou inicial, depende da rota que você comprar), todos os passageiros são inspecionados por fiscais de imigração (passaporte em mãos) e desembarcam.

 Após o desembarque em Fraser, no lado canadense, um ônibus nos recolheu (a maior parte das pessoas faz assim, apenas um dos trechos em trem, ida ou volta, e o outro trecho em ônibus) e fizemos o caminho inverso por outra rota que também revelou paisagens tipo embasbacadoras.



O Silver Shadow flagrado, no porto, de um dos pontos mais altos da estrada
 Como parte do tour vendido no navio (é possível comprar o trem isoladamente e diretamente em Skagway, é claro), também tinhamos incluído um passeio a um Musher´s Camp da região. Foi a parte menos interessante do dia todo, como eu supunha. Todo mundo ficou encantado com o porte, a beleza e a fofura dos animais, mas achei o passeio excessivamente turístico e pouco informativo, meio superficial, sobre como funcionam mesmo esses centros de treinamento e que papel esses cães podem ter hoje além de participarem de competições esportivas.
Dez minutinhos num trenó puxado por alaskan huskies
Um dos cães mantidos no musher´s camp visitado
A vista supimpa da propriedade
Momento óóóiiiin: os filhotinhos que já nascem ali destinados ao treinamento
 Aproveitei mais um pouquinho da vibe da cidade (agora já cheia de gente nas ruas, porque já era quase metade da tarde) antes de voltar para o navio. Dali zarpávamos para nossos últimos dias de navegação pelo Alasca.

P.S.: para quem curtiu a ideia, mais infos sobre esse passeio podem ser obtidas aqui. Vale ficar de olho que os horários dos trens, às vezes, podem ser alterados em função dos horários de escala dos navios. 

28 de jun. de 2013

Cruzeiro no Alasca: Juneau, "a mais bela capital dos EUA"

O Silver Shadow ancorado em Juneau, bem ao lado de ponto de partida/chegada dos hidroaviões
 No post anterior, eu contei que desembarquei do Silver Shadow em sua escala em Juneau direto para embarcar num dos hidroaviões cujo ponto de chegada/partida era logo ao lado para sobrevoar seu campo de gelo. Foi lindo, inesquecível, e concordo mesmo com quem diz que Juneau é mais linda vista do alto.
Parte do campo de gelo de Juneau vista no sobrevoo em hidroavião
 Juneau não tem à toa o titulo de "mais bela capital dos Estados Unidos", não. Além de deslumbrante vista do alto e do mar, a cidade é encantadora também em solo firme, caminhando por suas ruelas entre casas coloridas que parecem saídas de uma caixinha de Playmobil.
 A cidade é bem pequena e facilmente explorável a pé e por conta própria numa escala de navio. Mas é rodeada, além dos glaciares, por uma quantidade impressionante de verde e montanhas que servem de cenário para diversas trilhas e excursões oferecidas para quem fica mais tempo na cidade (Juneau, assim como Anchorage, tem também seu próprio aeroporto).
 Capital do Alasca, Juneau é também (ainda que não pareça) a 3a. maior cidade do estado. Curiosamente, fica no continente americano mas não pode ser alcançada por terra - somente por via marítima ou aérea.
O escritório de turismo da cidade fica no porto; convém dar uma paradinha para, ao menos, pegar um mapinha. A atração mais famosa do centrinho é o Mt. Roberts, um pico que pode ser alcançado por um bondinho e que tem uma bela vista de Juneau. A vista é linda, é claro (embora nada impactante depois do sobrevoo da cidade; fazer a caminhada "alpine loop" é o mais indicado para ter visão panorâmica), mas achei a subida cara (us$36 por 6 minutos de viagem) e tudo americanizado/teatralizado demais, com atores vestidos de índios recepcionando os turistas, animais exóticos, artesanato caro à venda. Aventureiros mais hardcore fazem a descida do Mt. Roberts até a rua principal, lá embaixo.
Juneau tem também, além da vista-desbunde para qualquer lado que você olhe, ótimos museus: Alaska State Museum (para entender sobre os nativos, a colonização e a corrida do ouro), Juneau-Douglas City Museum (com quiosques digitais para contar a história local e exibições sobre mineração e história Tlingit) e o Capitólio do Alasca (que pode ser visitado, inclusive com visitas guiadas gratuitas de maio a setembro. O cemitério principal (Evergreen Cemitery, onde "pioneiros" do Alasca, como Joe Juneau, estão enterrados) e a Casa do Governador (de 1912) também são atrações locais.

Essa estátua, em pleno porto, simboliza um cachorrinho cujo dono morreu mas que continuou a ir diariamente esperar por ele nos barcos que voltavam mesmo após sua morte
  A rua principal é a South Franklin St, que reúne alguns dos edifícios e casas mais antigos da cidade, hoje convertidos em restaurantes, lojinhas (inclusive várias lojinhas de, acredite, "pipoca gourmet") e um sem fim de joalherias (os americanos encaram o Alasca também como uma espécie de Caribe no quesito "comprar jóias e pedras preciosas" :/). Ali fica o Alaskan Hotel, o mais antigo da cidade, inaugurado em 1913 (e ainda guarda o bar de carvalho e as luminárias Tiffany´s originais)

 O Red Dog Saloon, também bastante "hollywoodiano", ganha fortunas com as cervejas caras que turistas consomem diariamente ali. Ambiente bastante muvucado, com clima de "piratas do Caribe" - mais negócio ir ao Tracy´s Crab Shack, também frequentado por moradores locais e paraíso para fãs de king crab.









 Outro programa legal é encarar (de carro) a rota ao Mendenhall Glacier, parte do campo de gelo de Juneau. Como muitos dos glaciares do Alasca, o Mendenhall está retrocedendo cerca de 30 metros ao ano e é possível ver largos pedaços de gelo flutuando no lago que o separa do centro de visitantes, onde fica o mirante panorâmico.
 E, em suas respectivas temporadas, Juneau também é meca para amantes da pesca de salmão (um salmão de cor bastante intensa, muito mais "escura" do que estamos acostumados) e para quem quiser observar baleias.
Ou, se você não quiser, não precisa fazer nada disso. Os arredores do centrinho são tão lindos e encantadores que já dá pra ficar extasiado só de sentar no parque em frente ao pequeno porto onde atracam os navios e observá-los.