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23 de dez. de 2012

Antártida: Deception Island, enfim

 O dia amanheceu cinzento e cheio de névoa, mais ou menos como nosso espírito ao sair da cama: Don tinha comentado no morning call, as 4h30 da matina (!),  que esse era nosso último dia de desembarques e já descemos para os zodiacs saudosistas da viagem que ainda não tinha nem acabado.
A Janela de Netuno bem no meio da imagem
 Deception Island, ou Ilha da Decepção, era a minha escala mais esperada durante a viagem à Antártida. Leio sobre ela desde que me encantei pelo destino - ela aparece na maioria dos livros e relatos sobre o continente branco. Desde os primeiros exploradores, ela aparece nos relatos como um "porto seguro" para se abrigar das grandes tempestades antárticas (o primeiro registro de uso dela oficial é de 1829, pela expedição britânica de Henry Foster)
O tender do navio pondo um mínimo de cor (no filter, pra vcs verem como estava o climão) naquela manhã cinzenta
 O local foi assim batizado, em teoria, pela grande decepção que causou aos exploradores que ali chegaram primeiro: felizes, estavam crentes de encontrar ali uma ilha, porto seguro e, quizás, fértil, e se deram conta depois de que estavam, na verdade, simplesmente na cratera de um vulcão.
 Tal vulcão, muitos anos depois, causou sérias perdas para a comunidade científica, quando duas erupções em seguida, em 1967 e 1969, destruiram tudo o que ali existia das bases instaladas - tanto que vemos os restos de suas instalações o tempo todo.
 Desembarcamos na prainha chamada de Whalers Bay, justamente porque ali funcionou, no comecinho de tudo, uma estação de caçadores de baleias. O cenário era tão cinza e triste, com todos aqueles resquícios de casas, tonéis imensos de aço (que armazenavam o óleo de baleia ali processado) e barcos, e a névoa cobrindo o topo das montanhas, que eu resolvi fazer esse ensaio quase inteiro em preto e branco.


 A "ilha" que se vê do mar, com o formato circular da cratera do vulcão, tem cerca de 12km de diâmetro e cerca de metade de sua extensão de terra está coberta por glaciares. A geografia curiosa deixou uma espécie de "vão" entre as montanhas elevadas, através da qual se pode ver o oceano - por isso mesmo, chamada pelos exploradores de Janela de Netuno. A caldeira tomara pela água do mar criou uma prainha e o Polar Pioneer, nosso navio, entrou ali justmente pela passagem estreita entre as montanhas, parando de frente para Whalers Bay, de areia grossa e de cor grafite, quase preta.
Turistas australianos leem os avisos numa das casas abandonadas na ilha...
... que dizem que novas erupções podem acontecer a qualquer momento e que turistas estão ali por sua própria conta e risco o.O
 O cenário era triste e desalentador em toda parte da cratera, deixando claro que aquilo fora abandonado às pressas, do jeito que deu.

Casas tomadas pela neve no lado interno também


Cruzes, ao fundo, marcam o local onde foram sepultadas algumas vítimas das erupções








Nem os kayakers, com suas roupas coloridas, me inspiraram naquela manhã na "ilha"

Sem filtro PB: paisagem cinza e mezzo prateada ao vivo



Durante as pouco mais de 2h30 que passamos explorando a cratera do vulcão, meia dúzia de pinguins desgarrados apareceu na praia, mas logo se foram.





Curiosamente, a maioria dos passageiros nunca tinha ouvido falar de Deception Island - o que foi mesmo uma grande deception pra mim, com o perdão do trocadilho. Mas até eles, ao final do passeio, e após explicação dos guias sobre o tema, já estavam completamente envolvidos nas histórias da ilha-vulcão.
Imaginem eu.

22 de dez. de 2012

Antártida: Mikkelsen Harbour e o "polar plunge"

O zodiac voador :)))
 Depois do almoço ao ar livre, com o tempo melhorando e aquele ar fresco geladinho e bom no rosto, descemos à tarde em Mikkelsen Harbour super bem-humorados e bem dispostos, mesmo com as poucas horas de sono da noite anterior.
 Mikkelsen Harbour tem outra micro base argentina - mas desocupada no momento - à saída do estreito de Orleans. Ali, caminhamos livremente pela neve funda e muito fofa - cada um foi onde bem entendia, dentro dos perímetros permitidos - entre colônias de pinguins gentoos amontoados em cada rocha e uma ou outra foca esparramada aqui e ali.




O "harbour", bem em frente ao Monte Scott, guarda também histórias tristes, como a dos jovens que tentaram escalar o monte, se refugiaram de extremo frio e tempestade ali na base e acabaram morrendo, sem suprimentos. Mas a vista do alto compensa a história triste do lugar.
A bem da verdade, o local é bonito de qualquer lugar, sob qualquer ângulo.




Mãe e filha russas fazem pose para foto em frente a uma foca

Na volta ao navio, um dos momentos da viagem mais esperados pelos guias e staff aconteceu: o "polar plunge". Isso mesmo: o momento em que passageiros amalucados mergulharam nas águas gélidas de Mikkelsen Harbour o.O
Teve de tudo: grito de guerra, biquini mínimo, traje de salva-vidas, sunga com emblema da ex-União Soviética, fantasia de pinguim... e até muita gente normal :D  A água estava, segundo medição do staff, a menos 1 grau centígrado; tanto que todo mundo mergulhava e, com um grito e uma cara mezzo de pânico, se apressava em ser "içado" pelo staff de volta ao navio.  Só um passageiro, um divertidíssimo chinês, o Hal, se arriscou numas braçadas, depois de um mergulho cheio de estilo - mas daí o staff, preocupadíssimo com a temperatura congelante da água, gritou rapidinho para que ele voltasse.




Eu, que amo um frio mas só topo água muito quentinha em qualquer situação, me limitei a ficar empoleirada no deck 4 com os demais passageiros a tirar fotos dos amalucados ;)
Depois do dia cinza, a tarde tinha ficado linda.