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23 de dez. de 2012

Antártida: as focas gigantes de Elephant Point

 Não importa o quanto você tenha lido sobre o tamanho das focas-elefante: você só se dá conta da proporção gigantesca da espécie ao ver que seus filhotinhos de menos de 6 semanas de vida, são quase do tamanho de focas de outras espécies. Oh, wait: na verdade, você se dá conta de como elas são grande ao ver adultos machos amontoados em Elephant Point. Ou, mais especificamente como no meu caso, você pode se dar conta disso ao ver um deles sacolejando em sua direção o.O
Filhotinhos cuti-cuti
 Depois do café da manhã tardio (tinhamos levantado 4h30 e desembarcado em Decption Island às 5 da matina, lembram? só depois disso comemos), desembarcamos na porção batizada de Elephant Point, na ilha Livingstone (não confundir com o Wild Point de Elephant Island, onde a tripulação de Shackleton passou alguns meses, como euzinha fiz ao ler o roteiro da viagem no ato da reserva, humpf). Ali vive uma colônia imeeeensa de focas-elefante, espalhadas por toda a praia.
 Os bebês eram pura fofura: nos olhavam com aquele olhar gato-de-botas-do-Shrek, com imensas pupilas muito negras, e se aproximavam, ainda que cautelosamente, de todos os passageiros - "escalando" alguns, inclusive, e babando muito em todos - eca. Tentamos respeitar a lei dos cinco metros de distância deles, mas era só alguém dar mole sentado à beira da praia que eles vinham se aninhando - e babando, claro.
Foca tutubarão ;)))))




 As fêmeas passam a maior parte do tempo dentro d´agua à caça de alimentos para a família. E os machos... well... eles passam o dia todo esparramdos na areia, saindo ocasionalmente de seus lugares para se molhar um pouquinho na beira-mar ou, mais frequentemente ainda, baterem uns nos outros com peito, cabeça e cauda.
 Cá entre nós, tudo o que os filhotes têm de fofura, os machos adultos têm de feiura: são imensos, de pelos pardos que "descamam", se movem pesadões, cheios de estardalhaço, e têm mesmo praticamente uma "tromba", o que lhes dá o nome de foca-elefante.


Tá bom pra vocês o "tamanhinho" dos bichanos?
Um verdadeiro mar de focas
 A manhã continuava cinzenta pra caramba e a praia tinha o mesmo tipo de areia grossa e grafite de Deception Island. Mas, embora, para mim, descer em Deception Island tenha significado muito mais por todo o contexto histórico e quetais, ali a maioria dos passageiros estava muito mais feliz e realizada com o contato tão próximo com os animais durante as horas que passamos por aquelas bandas.

Aves com jeitão pré-histórico o.O

#medA


Perceba a foca-bebê "escalando" uma turista no canto esquerdo
Escala perfeita para quem adora animais e quer encontros do tipo veeeeeeery close encounters :))))))

Antártida: Deception Island, enfim

 O dia amanheceu cinzento e cheio de névoa, mais ou menos como nosso espírito ao sair da cama: Don tinha comentado no morning call, as 4h30 da matina (!),  que esse era nosso último dia de desembarques e já descemos para os zodiacs saudosistas da viagem que ainda não tinha nem acabado.
A Janela de Netuno bem no meio da imagem
 Deception Island, ou Ilha da Decepção, era a minha escala mais esperada durante a viagem à Antártida. Leio sobre ela desde que me encantei pelo destino - ela aparece na maioria dos livros e relatos sobre o continente branco. Desde os primeiros exploradores, ela aparece nos relatos como um "porto seguro" para se abrigar das grandes tempestades antárticas (o primeiro registro de uso dela oficial é de 1829, pela expedição britânica de Henry Foster)
O tender do navio pondo um mínimo de cor (no filter, pra vcs verem como estava o climão) naquela manhã cinzenta
 O local foi assim batizado, em teoria, pela grande decepção que causou aos exploradores que ali chegaram primeiro: felizes, estavam crentes de encontrar ali uma ilha, porto seguro e, quizás, fértil, e se deram conta depois de que estavam, na verdade, simplesmente na cratera de um vulcão.
 Tal vulcão, muitos anos depois, causou sérias perdas para a comunidade científica, quando duas erupções em seguida, em 1967 e 1969, destruiram tudo o que ali existia das bases instaladas - tanto que vemos os restos de suas instalações o tempo todo.
 Desembarcamos na prainha chamada de Whalers Bay, justamente porque ali funcionou, no comecinho de tudo, uma estação de caçadores de baleias. O cenário era tão cinza e triste, com todos aqueles resquícios de casas, tonéis imensos de aço (que armazenavam o óleo de baleia ali processado) e barcos, e a névoa cobrindo o topo das montanhas, que eu resolvi fazer esse ensaio quase inteiro em preto e branco.


 A "ilha" que se vê do mar, com o formato circular da cratera do vulcão, tem cerca de 12km de diâmetro e cerca de metade de sua extensão de terra está coberta por glaciares. A geografia curiosa deixou uma espécie de "vão" entre as montanhas elevadas, através da qual se pode ver o oceano - por isso mesmo, chamada pelos exploradores de Janela de Netuno. A caldeira tomara pela água do mar criou uma prainha e o Polar Pioneer, nosso navio, entrou ali justmente pela passagem estreita entre as montanhas, parando de frente para Whalers Bay, de areia grossa e de cor grafite, quase preta.
Turistas australianos leem os avisos numa das casas abandonadas na ilha...
... que dizem que novas erupções podem acontecer a qualquer momento e que turistas estão ali por sua própria conta e risco o.O
 O cenário era triste e desalentador em toda parte da cratera, deixando claro que aquilo fora abandonado às pressas, do jeito que deu.

Casas tomadas pela neve no lado interno também


Cruzes, ao fundo, marcam o local onde foram sepultadas algumas vítimas das erupções








Nem os kayakers, com suas roupas coloridas, me inspiraram naquela manhã na "ilha"

Sem filtro PB: paisagem cinza e mezzo prateada ao vivo



Durante as pouco mais de 2h30 que passamos explorando a cratera do vulcão, meia dúzia de pinguins desgarrados apareceu na praia, mas logo se foram.





Curiosamente, a maioria dos passageiros nunca tinha ouvido falar de Deception Island - o que foi mesmo uma grande deception pra mim, com o perdão do trocadilho. Mas até eles, ao final do passeio, e após explicação dos guias sobre o tema, já estavam completamente envolvidos nas histórias da ilha-vulcão.
Imaginem eu.