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9 de fev. de 2013

Arredores de Bogotá: La Catedral de la Sal

9h da matina, nosso passeio começou aqui

 Quando a gente lê guias e dicas do que fazer/onde ir em Bogotá, na Colômbia, todos sugerem espiar a “catedral de sal” nos arredores da cidade.  Para chegar lá, é preciso ir até a pequenininha Zipaquirá de onde saem os tours para as minas de sal que viraram uma das maiores atrações colombianas (os cartais à entrada do parque diziam tratar-se da “primeira maravilha nacional colombiana” :D)
Dentro do Tren de la Sabana: grupos folcloricos entrando e saindo durante toda a viagem
 Na Catedral de la Sal a gente só consegue fazer visita guiada. Só anda sozinho se se desgarrar do grupo, porque logo à chegada são formados grupinhos com 15 pessoas em média em cada e um guia jovenzinho nos leva pelas cavernas e altares construídos pelos mineiros que ali trabalhavam durante muitos anos. Como toda mina, o ambiente é bem escurinho e o cheiro não é dos mais gostosinhos; quem tem mais dificuldade para caminhar tem que ficar atento porque o chão de pedra é escorregadio em alguns pontos.

A entrada da Catedral de Sal: literalmente, uma mina
 As cavernas são impressionantes no formato, na profundidade e até na “produção” que conseguiram fazer no local, com as cruzes em luzes neon, em jogo de cores. Durante a caminhada entre os “altares” da mina, não há quase tempo para fotografar e há sempre muita gente aglomerada em todo canto; os guias vão recitando as informações e não sabem explicar muito além daquilo. Então é melhor deixar a visita rolar e, ao final dela, que acontece na “nave” principal da catedral, fazer o caminho de volta sozinho, a seu tempo, parando onde quiser para ver um pouquinho melhor ou fotografar.




 Honestamente, eu esperava mais da visita. É bonito, interessante e tal, mas me cativou mais o aspecto antropológico da coisa que a “beleza” dela em si. E, cá entre nós, só aconselho que você pegue o Tren de la Sábana – o trem turístico que liga Bogotá a Zipaquirá – se você estiver com crianças pequenas ou gostar MUITO desse tipo de trem.  Achei o percurso muito longo, a paisagem pela janela sem novidades (bairros pobres no começo e muito pasto depois) e um excesso de vendedores ambulantes e grupos folclóricos entrando e saindo dos vagões entre uma apresentação e outra. 


Como eu estava com dois amigos, fizemos as contas depois e descobrimos que teria sido mais rápido, prático e, sobretudo, mais barato, se tivessemos fechado com um taxista para nos levar, esperar (a visita guiada dura 50 minutos) e nos trazer de volta, transformando o tour de dia inteiro num tour de meio dia. Fica a dica ;)

8 de fev. de 2013

Bogotá: La Candelária e Zona G


 Dois bairros tão distintos e tão bacanas em Bogotá, o La Candelária (centro histórico) e o Zona G (G de Gourmet, justamente por concentrar os restaurantes mais legais) acabam figurando ambos no roteirinho de praticamente todo mundo que visita a capital colombiana.
 A Zona G (também conhecida como Zona T e até como Zona Rosa) é o melhor lugar para se hospedar na minha opinião.  Ali estão os melhores hotéis (do Sofitel ao belo JW Marriott) mas também há várias outras opções 3 e 4 estrelas espalhadas por aí. Dependendo de onde quiser jantar ou badalar, do hotel dá para ir a pé ao restaurante ou bar em questão – ou, se pegar um táxi, a corrida vai sair baratinho, menos de 10 reais.
 Shopaholics também curtem essa região: ali estão concentrados os principais shopping centers da cidade (como o Andino, que costuma ser o queridinho dos brasileiros, o Avenida Chile e outros) e o comércio mais bacanudo de rua.
 A hospedagem em La Candelária eu não recomendo, pessoalmente, não. Acho que fica mal iluminado e bem deserto em algumas partes; mas cada um que sabe de si, né? ;) Agora, durante o dia, o passeio pelo bairro vale MUITO a pena. Ali estão os melhores museus (alguns gratuitos, como os ótimos Museo Botero e Casa da Moneda, vizinhos), as casinhas coloridas de arquitetura colonial que povoam nossa imaginação quando pensamos no destino, a catedral e a gigante praça em frente onde engraxates trabalham duro o dia todo, aquela bagunça boa de cidade sul-americana.  E ainda é cheio de cafés – dos mais acanhadinhos às unidades do Juan Valdez Café – absolutamente propícios para uma pausa aqui, outra ali. Quem quiser ficar para almoçar ali mesmo, boa opção é o La Puerta Falsa (Calle 11, 6-50).


Quer esticar dali, sem ir muito longe? Fácil: se o dia estiver bom, tomar o Funicular Montserrate para ver a cidade espalhadona lá do alto ou caminhar até o bairro vizinho, La Soledad, de casas coloridas e grafitadas que andam sendo convertidas em cafés, ateliês e lojas, dando uma carinha bem, bem cool pra lá. 

11 de dez. de 2012

Bogotá vale a visita

O quarto no excepcional JW Marriott Bogotá, em plena Zona G

 Foram seis horas de voo de São Paulo a Bogotá, num A319 bem apertadinho da LAN. Mas, dessa vez, nem ligamos muito: eu e outros dois amigos (a Carla e o Paulinho, que vocês conhecem do Idas e Vindas) tinhamos aproveitado uma promoção para emitir bilhetes de ida e volta para a capital colombiana no programa da TAM por apenas 8 mil pontos cada um de nós no total, uma maravilha (se viajar com milhas já é gostoso pra caramba, viajar com milhas reduzidas é beeeem melhor :mrgreen:  ).
g
Comida boa mas bem carinha no Astrid&Gastón local
 Nenhum de nós conhecia a cidade previamente; e a verdade é que voltamos todos os três bem contentes com o que encontramos por lá. Bogotá é gostosa, boa de explorar. Tomando as mesmas precauções que a gente toma nas grandes cidades brasileiras, a gente se sente bem seguro por lá – em algumas zonas, como a Zona G (“gourmet”), dá pra andar sozinho à noite numa boa quem tem muita gente fazendo a mesma coisa. O transporte público por lá que é bem complicado; em compensação, os táxis são baratos (não uma pechincha, mas baratos, sim) e abundantes – é legal andar sempre com o número de um rádio-táxi e pedir para o local onde você está (hotel, restaurante, museu, café) chamar, por segurança (e também para garantir que venham com taxímetro, tudo bonitinho).
 A temperatura em Bogotá, como a cidade é alta, é sempre fresquinha – um casaco levinho ou suéter sempre cai bem, que a temperatura ali gira em torno dos 18, 20 graus, o que é excelente para os passeios. O centro antigo da cidade, chamado de La Candelária, vale definitivamente o passeio, com suas casinhas coloniais coloridas, a gigante praça da Catedral, os ótimos museus (os indispensáveis Casa da Moeda e Museo Bottero, pra dizer o mínimo), cafés gostosos, ruelas de pedra. Em dias de céu limpo, vale tomar o Funicular a Montserrate para ver a cidade toda esparramada lá do alto. E ainda dá pra terminar o dia em La Soledad, o bairro que está virando cool com suas lojinhas e bares.
Música ao vivo no trem-mico pra Catedral de la Sal
Um dos "altares" da Catedral de la Sal
 Mas na hora da hospedagem recomendo muito as zonas G/T/Rosa, que concentram os melhores hotéis, restaurantes e shopping centers. Eu fiquei no ótimo JW Marriott Bogotá, que tem quartos ultra espaçosos, spa, piscina aquecida e fitness 24h, com ótimo serviço. Além disso, conta com dois bons restaurantes e um bar super movimentado dia e noite no lobby (ótima dica é também se hospedar nos apartamentos que dão direito ao executive lounge, excelente, de serviço super personalizado). De lá, basta uma caminhada ou uma curtíssima corrida de táxi para chegar aos melhores restaurantes da cidade (como o Astrid&Gastón, sempre gostoso) e centros comerciais – em Bogotá tem de tudo, das lojas mais populares às big brands, como Vuitton e Gucci, praticamente lado a lado.

Museo Bottero: gracinha
 Pelos arredores, vale conhecer a Catedral de la Sal, que se formou junto às minas de sal de Zipaquirá e foi convertida nos últimos anos em museu, a atração mais visitada de todo o país (dizem os cartazes na entrada “bem-vindo à primeira maravilha da Colômbia” :D). Ali a gente paga a entrada que já dá direito à visita guiada pelas cavernas e altares construídos ali pelos mineiros ao longo dos anos; é bem interessante. Só não acho que valha ir até lá de trem: o trajeto é muito mais longo que num táxi e a paisagem do caminho não é das mais interessantes. Eu fiz e acabei me arrependendo – recomendo muito mais fechar o preço com um taxista para ir, esperar a visita  e voltar a Bogotá (em trem, o passeio todo leva um dia inteiro; em carro, meio dia).
Detalhes do centro histórico acima e abaixo
 O que Bogotá tem de ruim? O aeroporto, que tem aquele jeitão de rodoviária grande. E tudo lá funciona só das 6h às 23h – ou seja: quem sai cedo (o meu voo saía 5h40) não tem acesso nem a freeshop, nem às salas vips nem cafeterias. A cidade deve inaugurar um aeroporto novo em breve e a maioria dos "negócios" já está de mudança pra lá, embora os voos continuem saindo do aeroporto antigo. A parte boa é que não precisa chegar tãaaao antes do voo; duas horas de antecedência são mais que suficientes.
Cena clássica: colombiano lendo jornal e engraxando sapato no centro histórico
Poesia callejera num dos shoppings de Bogotá
Mas a cidade definitivamente vale a visita. Eu certamente voltarei – mas, da próxima vez, para fazer como meu casal de amigos e esticar à bela e ensolarada Cartagena. 

31 de out. de 2012

O Equador e a Floresta


 Depois dos (lindos, lindos, lindos) dias em Galápagos, rumei para o interior do Equador, na parte do país coberta pela mata pluvial (ou floresta nublada em espanhol, cloudy forest em inglês). Todo mundo fala dos vulcões e da Amazônia equatoriana, mas pouco se vê (ou lê) sobre esse pedaço do país. Mais especificamente, rumei para a reserva Mashpi, que abrange uma área ainda na província de Pichincha (a mesma onde está inserida Quito), a umas 3h de carro da capital.
A construção que a gente vê bem no meio da mata fechada é justamente o Mashpi Lodge
Floresta nublada MESMO
 Ali, abriu há poucos meses o hotel homônimo – sobre o qual eu falarei mais especificamente no próximo post, fazendo review – que foi um baita projeto de recuperação ambiental e arquitetura. Por enquanto, é a única opção de hospedagem ali na área. Há oito anos, essa área da reserva era ocupada por uma madeireira, e estava para ser vendida; o dono atual, fanático por orquídeas (ali há muitas), resolveu comprar aquelas terras só para não deixar serem destruídas, sem nem saber direito o que fazer com elas. Foi só há uns três anos que a ideia de fazer um hotelaço verde e sustentável ali surgiu (e operando em sistema praticamente tudo incluído, exceto pelas bebidas).
O bird watching é o programa diário de todo mundo logo cedo...
.... numa tremenda concentração
 Sei que os brasileiros, em geral, não viajam em busca de florestas; nem para nossa Amazônia a maioria viaja. Mas o projeto é tão legal, a selva tão sedutora, e eu, em essência, tão urbana, que eu resolvi experimentar e contar aqui.
E eles chegam assim, bem pertinho da gente, a palmos de distância, na maior tranquilidade
 O termo “floresta nublada” cai muito bem porque a floresta fica o dia todo coberta por nuvens, em maior ou menor quantidade/intensidade. De manhã cedo a gente mal vê um palmo diante do nariz, de tão densa a névoa que se forma; mas ao longo do dia vai abrindo, abrindo, e costuma ter um por-do-sol divino (único senão são os mosquitos, muitos, o tempo todo). Úmida, de mata fechada e de relevo bem acidentado, repleto de subidas e descidas o tempo todo, é cheia não só de plantas, flores e frutas bem diferentes das nossas (os sucos são DI-VI-NOS; pirei em todos, sobretudo no de Guanabana) como também de animais (de todo tipo, de aranhas ao puma). E um verdadeiro paraíso para os amantes do birdwatching, tanto que é considerada um dos hot spots das Américas para tal: em dois dias de passeios, vi, e bem pertinho, mais de 50 pássaros diferentes – incluindo mais de uma dezena de colibris distintos, uma lindeza.

Caminhadas pela mata de manhã, tarde e noite estão no programa de quem visita a região



Já viu sapinho desse tamanhico???


 Além da observação de pássaros, o programa para quem visita a floresta são os trekkings, dia e noite – sim, os noturnos fazem o MAIOR sucesso com os gringos. E, como alguns trekkings terminam em belas cachoeiras, me contaram que, no auge do calor, muita gente termina a caminhada com um belo banho ali mesmo.

Honestamente, de Galápagos aos vulcões, taí uma carinha do Equador bem diferente da que eu tinha em mente antes da viagem.  Boa surpresa.

30 de out. de 2012

Galápagos: para quando você for

Galápagos é o destino mais visitado de todo o Equador. E isso inclui também, é claro, as preferências dos brasileiros que viajam ao país. Então listo aqui algumas coisinhas que considero importantes para quem tem planos de viajar para lá:

- o arquipélago, como o próprio nome sugere, é composto de diferentes ilhas. E isso inclui também diferentes aeroportos. Ainda que Baltra (GPS) seja o mais comumente utilizado, é preciso atenção redobrada na hora de comprar os tickets para lá, para garantir que esteja comprando os bilhetes exatamente para a ilha que te interesse. No caso dos cruzeiros, quem viaja de barco por lá muito frequentemente chega por uma ilha e sai por outra (comigo foi assim também, chegando por San Cristóbal e saindo por Baltra)

- Galápagos é um destino caro; acho que vale MUITO a pena, mas é bom saber de antemão que tudo custa (bem) mais caro lá que no continente. Os próprios voos Quito-Galápagos-Quito saem por volta de US$500 por pessoa o return ticket, uma bela graninha. Deixo aqui registrado que comprei também esses bilhetes internos através da Metropolitan Touring, operadora equatoriana, e me custou bem menos do que minha agente de viagens tinha conseguido aqui no Brasil (os trechos mais baratos costumam ser os da equatoriana Tame, cujo serviço achei bem bonzinho, por sinal). Quanto ao trecho internacional (no meu caso, SP-Quito-SP), com bastante antecedência, dá pra conseguir com milhas ou por preços em torno dos US$600; quem reserva em cima da hora, tipo eu (comprei com pouco menos de 30 dias de antecedência), pode pagar até US$1000,00 (eu paguei 900, incluindo taxas)

- para ingressar ao arquipélago, que é parque nacional, é preciso pagar uma taxa de manutenção logo na chegada ao aeroporto. Os estrangeiros, em geral, pagam US$100 dólares por cabeça; brasileiros se beneficiam do pacto andino+Mercosul e pagamos US$50 por pessoa.

- quem vai a Galápagos usa um setor exclusivo do aeroporto de Quito (pelo menos por enquanto, já que o novo aeroporto, apesar de pronto, ainda não começou a operar por uma série de problemas). Ali é feito um controle rigoroso do conteúdo das bagagens, sejam despachadas ou não, já que é probido ingressar ao arquipélago com qualquer tipo de alimento ou planta. Apesar de pequeno, o saguão de embarque conta com três salas vip diferentes (incluindo Diners), livraria e 3 cafés/lanchonetes.

- frio em Galápagos dizem que é muuuuito difícil. Pode variar entre o calorzão de agosto e janeiro e os dias mais frescos do restante do ano. O que muda mais é a temperatura da água: nessa época agora, considerada localmente baixa temporada, a temperatura do mar fica em torno dos 18 ou 19 graus; então convém alugar um wet suit para fazer as atividades aquáticas.

- boné ou chapéu, óculos de sol e muuuuuuuito filtro solar são essenciais em qualquer época do ano, dada a própria latitude do arquipélago, é claro. Assim como beber muita água o tempo todo. Nesse caso, exageros são muito bem-vindos.

- as atividades em Galápagos são todas voltadas para o ecoturismo, para a exploração. Os dias, em geral, começam muito cedo - para aproveitar bem os passeios antes do sol matador do meio-dia) - e também terminam cedo (são poucos os lugares no arquipélago com a noite mais agitadinha). Os trajes devem ser os mais esportivos possíveis, incluindo, é claro, calçados ultra bem testados antes da viagem para dar conta de todas as caminhadas. Blusa de manga comprida pode ser útil para os mais friorentos, já que podem rolar ventinhos por ali. Os calçados tipo papete costumam ser uma boa por ali já que várias atividades, passeios e excursões passam por partes "molhadas" durante o passeio.

- o contato com a fauna local é sempre muito intenso, em qualquer parte das ilhas. Em San Cristóbal, por exemplo, os leões marinhos ficam espalhados pela própria cidade, dormindo nas passarelas de madeira ou esparrachados nos bancos das praças, uma loucura. Nos trekkings, os leões marinhos e também iguanas, albatrozes, pelicanos e mais dezenas e dezenas de espécies de aves diferentes cruzam nosso caminho, literalmente, o tempo todo. E durante as atividades de snorkel e mergulho é comum os próprios leões, tartarugas marinhas, arraias e uma infinidade de peixes "nadarem" junto com os turistas - só não é permitido nunca, sob nenhuma hipótese, tocá-los.

- localmente, há várias recomendações para utilizar somente produtos biodegradáveis nos seus dias no arquipélago. Shampoos, condicionadores, sabonetes e filtro solar bio são facilmente encontrados à venda por lá.

- as ilhas, no geral, são bastante seguras. A gente anda a pé pra todo canto, é tudo bastante simples de ser explorado (não é permitido circular pelas trilhas do parque sem guia). Várias pousadinhas operam sem chaves (como o próprio La Pinta, o cruzeiro que fiz, como eu conto aqui) e não rolam relatos de nenhum tipo de furto ou assalto (o baphón em Galápagos é sempre quando algum turista tenta deixar o arquipélago contrabandeando animais e/ou plantas).

(subo o post sem fotos por enquanto, que o blogger não tá me deixando fazer os uploads :/ )

28 de out. de 2012

Cruise Review: yatch La Pinta, Galápagos

A minha cabine no La Pinta (standard): cama ótEma
 Conheci Galápagos num cruzeiro por recomendação de vários amigos e gostei muito; recomendo mesmo: a gente tem zero dor de cabeça para bolar passeios, pensar acesso às ilhas diferentes, programar mergulhos e tal, ainda mais com os custos bem elevados de tudo no arquipélago.
 Embarquei no La Pinta que, localmente, nem é chamado de navio e sim de yatch, dado seu tamanho: 30 tripulantes e máximo de 42 passageiros. O barco não é exatamente de luxo, mas é bem confortável, com as cabines  funcionais e os ambientes comuns bem confortáveis.
O cruzeiro não é barato (dá pra conferir os preços, que variam ao longo do ano, aqui); mas o custoXbenefício (investimento em dinheiro X conforto, atividades, zero stress etc) acho que vale, e muito.
A jacuzzi, boa para um banhinho no final do dia, depois dos passeios
 A gente é recebido no aeroporto (que varia em função do roteiro comprado; o meu era San Cristóbal), levado de ônibus ao pier mais próximo e, de lá, de zodiac (aqueles botes pretinhos), somos levados ao barco (as malas vão em outro bote, longe dos nossos olhos, dá até medinho hehehe).
Os zodiac, ancorados com o La Pinta, em San Cristóbal
 O barco não é tudo incluído, mas é quase: pagam-se as bebidas, lavanderia, telefonemas, roupa de mergulho (o kit de snorkel está incluído), internet e afins. A internet é, sim, paga, mas é decente, inclusive no preço: 5 dólares por cada 24h (único senão é que só pega no deck principal, onde rolam conferências, bar e biblio). Refeições (café, almoço e jantar, além de uns snackzinhos) e todos os passeios (pelo menos dois ao dia, manhã e tarde) estão sempre incluídos, assim como detalhezinhos (tipo a ÓTIMA máquina de cafés, capuccinos, mocaccinos e afins na bibilioteca).
O fitness center é bem pequeno, mas dá conta, já que são poucos hóspedes
 As cabines são razoavelmente espaçosas e todas são externas, com uma bela janela para acompanhar a paisagem, com serviço 3 vezes ao dia. No banheiro, sabonete barra e líquido, shampoo e condicionador biodegradáveis. E vale dizer que eles têm uma curiosa política de "no keys": as cabines só são "trancáveis" por dentro; nenhuma delas tem chave (mas há cofre em todas para quem se sentir inseguro com isso).
No zodiac, deixando o barco (ao fundo), o guia (à esquerda) já vai nos brifando
 A comida não é excepcional, mas é saborosa e bem apresentada: café e almoço em estilo buffet, jantar à la carte; os garçons são uma graça, super gentis e prestativos, e guardam rapidérrimo como gostamos do café, se comemos ou não sobremesa e outros detalhes do gênero (menção honrosa aqui, aliás, ao Eddison, um senhor genial, que sabia fazer meu café com leite na proporção exata :D). E é tudo zero frescura: como o cruzeiro é de exploração, o traje à bordo é sempre super informal e esportivo, da manhã à noite.
Os trekkings são de todo jeito: na areia, em pedras, em trilhas e até assim, em passarelas
 As saídas são ultra organizadas. Apesar de usarem um sistema meio primitivo para controlar entrada/saída de hóspedes (o "flip chip" num quadro às portas do barco), era sempre rápido, descomplicado, eficiente. E os passeios foram muito bem equilibrados, incluindo trekkings, observação de pássaros, infos de animais, snorkel (fantásticos, os melhores que já fiz), tempinho de praia etc.
Leão marinho ao nosso ladinho, em Española, e o La Pinta lá ao fundo
 O convívio entre os hóspedes é bem legal: a gente acaba sentando cada refeição com gente diferente (as mesas não são fixas e o restaurante é pequeno, então todo mundo "come" com todo mundo, praticamente), se encontra no bar, no meeting do final de cada dia, nos passeios etc. A língua meio que oficial à bordo é o inglês, porque vai de encontro à nacionalidade da maioria dos hóspedes; mas no meu cruzeiro todos os avisos, conferências etc eram sempre dados em inglês, espanhol e alemão (tinha um grupo grande de alemães à bordo) e os funcionários também conhecem o português.
O deck do lounge e bar
À bordo, não rolam atividades além da exibição de documentários; pessoalmente, acho que seria legal ter mais palestras, workshops ou mesmo atividades recreativas para estimular a própria interação entre os passageiros. E acho também que falta maior interação dos guias com os hóspedes no dia-a-dia, mas preciso ressaltar que os meninos (eram 3, Maurício, Walter e Dris, chamados ali de "naturalistas") foram todos excelentes, tanto na simpatia quanto, sobretudo, no conhecimento e nas explicações ultra-detalhadas em cada passeio, cada saída, cada animal, pássaro ou planta. E bem pacientes também, capazes de responder vinte vezes a mesma coisa, com a maior tranquilidade.
O quadro do "flip chip" para controlar entrada e saída de hóspedes
Bebedouros espalhados pelo barco
 Fiz o cruzeiro de 3 noites mas já adianto aqui que achei pouco, muito pouco. São várias as ilhas de Galápagos e são muito diferentes entre si - nesse roteiro, conheci apenas 4. Fui embora do arquipélago tipo criança que não quer ir dormir, ainda mais depois de conhecer algumas pessoas que fizeram 10 noites no total, percorrendo todas as diferentes ilhas do arquipélago. O La Pinta tem também roteiros de 4 e de 7 noites que podem ser feitos isoladamente ou combinados entre eles à vontade do freguês.
Explicações detalhadinhas seja no interiorzão das ilhas...
... ou à beira-mar
O zodiac volta ao barco no finzinho da tarde
 Aliás, aproveito para deixar registrado que achei o serviço da Metropolitan Touring, que opera esse e outros barcos em Galápagos e através de quem se adquire os cruzeiros (e até os tickets aéreos Quito-Galápagos-Quito comprei mais em conta através deles), super profissa. O transfer hotel-aeroporto-cruzeiro-aeroporto-hotel é super pontual e zero stress: eles mesmos se encarregam de check in e despacho de malas - a gente já recebe o cartão de embarque ao chegar no aeroporto e a mala na cabine do cruzeiro e, posteriormente, no hotel.

Turistas-paparazzi ao deleite com os pássaros tão pertinho ;)
Bem bom no saldo final, deixou saudades. Agora fica a minha vontade de voltar um dia para fazer o de 7 noites :D