Se a gente parar pra pensar, vai se dar conta que boa parte das melhores lembranças que temos de nossa infância estão, de alguma maneira, relacionadas ao universo das viagens. As brincadeiras com irmãos e primos, comer fruta do pé, as farras na areia e na piscina, as longas tardes na praia, contar vaquinhas e cantar na estrada, o fascínio de ver um avião levantar voo pela primeira vez... Aposto que pra você também, vá. Mesmo que você tenha sido, como eu, uma criança que viajava pouco.
Minhas viagens de infância se resumiam a alguns dias na casa da minha vó no Vale do Paraíba duas vezes ao ano, uma semana no litoral de São Paulo no verão e ocasionais escapadas durante o ano. Era pouco, e eu também já achava naquela época (sempre tive planos de dominar o mundo, nem que fosse chegar a Disneylandia, entao), mas esperava ansiosamente por cada uma dessas viagens. Minha família não tinha, digamos, aquela vibe viajante (hoje eu já contaminei praticamente todo mundo :-D) e, com quatro filhos, as escapadas que rolavam eram mais pra cidades da região mesmo, em que desse pra enfiar todo mundo no carro sem muito stress.
Conforme eu fui ficando maiorzinha, tinha ano que era mais legal, quando, por exemplo, meu pai enfiava eu e meu irmão mais velho em algum estudo do meio com seus alunos - como conhecer as cidades históricas mineiras. Ou quando minha tia nos deu de presente um final de semana no Rio, viajando de avião pela primeira vez. Ou quando outra tia nos levava pra uma semana extra no litoral. Olha que maravilha: era uma época em que até fazer malas e viajar de avião eu achava divertido!!! E ainda esperava com um frio na barriga e uma excitação tremenda as viagens pra casa da vó e pra praia...
Hoje tudo mudou, claro. Eu cresci e decidi que viajar era a coisa mais importante – meu primeiro salário, vejam só, foi gasto numa... viagem, claro. E eu tomei tanto gosto que não parei mais :-D Passados os anos, hoje posso dizer que viajo quase tanto quanto gostaria, mas tudo é muito menos simples do que era no meu universo daquela época. Odeio malas e odeio aviões. Tudo é burocrático ao sair e entrar num destino, perdemos tanto da espontaneidade. Mas - e afirmo isso com extrema segurança - aquela criança ainda existe em mim na excitação e no frio da barriga que antecedem, sem exceção, TODAS as minhas viagens. Não importa pra onde nem por quanto tempo, ainda é ela que eu levo pra passear mundo afora ;-)
Um excelente dia e excelentes viagens pra você e pra criança que existe aí dentro, sempre.
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