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21 de jul. de 2012

Prego e La Pescadería: também para comer em Santiago

Vai um ravioloni de centolla aí?
Vou deixar registradinhas aqui outras duas sugestões de "onde comer" em Santiago. Dois restaurantes com ambientes zero frescura, preços razoáveis (pratos principais em torno dos US$18) e comida boa que visitei nessa press-trip à capital chilena. 
Quando eu vou ao Chile, quero mais é comer peixes e frutos do mar todos os dias. Mas nem todo mundo é assim, é claro; vira e mexe algum leitor pede dicas de onde comer uma comida mais caseirinha ou mais tradicional em Santiago. E um belo lugar para isso é o Prego San Pascual Ristorante. 
O tiramisú é fraquinho; mas é que eu esqueci de fotografar as entradinhas antes de comê-las ;-)
 A trattoria italianíssima, de toalhinha xadrez e tudo, gerenciada pelo simpático don Gonzalo, fica em Las Condes, o bairro queridão dos brasileiros atualmente na cidade. E a carta tem desde bisteca fiorentina ao básico spaguetti al sugo - impossível não se achar ali; e quem,como eu, continua querendo coisas mais chileninhas, tem coisas ótimas, como o ravioloni de centolla (meio salgadinho, mas muito bom, feito com o "caranguejo gigante" chileno). O carro chefe da casa, aliás, é um prato chamado de Carlo Magno - massa recheada de camarão e gratinada, passada na manteiga, sálvia e  tomates, que quem pediu na minha mesa amou (os antipastos também são ótimos, com destaque para as deliciosas machas alla parmigiana). As sobremesas são mais fraquinhas, mas os cafés são ótimos.
Caldinho de peixe su-pim-pa
Outra sugestão testada e aprovada é o cool La Pescaderia , numa casa com jeitão de praia em plena Providência (tem em Vitacura também). A decoração é toda azul e branca, com conchinhas e outras "praices" do gênero. O serviço é fraquinho, mas o ambiente é gostoso e a comida também

O caldinho de peixe servido como cortesia a cada mesa que chega é fenomenal, ainda mais com esse friozinho. Mas é a mezze de entradinhas que é infalível, genial, maravilhosa, todinha de frutos do mar chilenos, de ceviche a machas gratinadas, passando por (nham) empanadas de camarão (eu seria capaz de pular o prato principal e ficar só naquilo, mas minha mesa não topou hehehe). Para os pratos de fundo, os peixes, é claro, são o forte da casa - a reñeta é boa. Belíssima pedida de almoço, mesmo no inverno. 

20 de jul. de 2012

Mixtura + Dot: dobradinha bem boa na noite santiaguina

Olha o ceviche frito aí, gente!
 Na última noite dessa viagem a trabalho a Santiago, fizemos uma programação acertadíssima: jantarzinho descolado seguido de madrugada adentro dançando. Os dois lugares em questão são vizinhos e dos mesmos proprietários: trata-se do restaurante Mixtura e da casa noturna Dot, que dividem espaço no novo mall a céu aberto Las Terrazas (que reúne mais restaurantes que qualquer outra modalidade de consumo, por sinal).
O trio de pratinhos principais para os indecisos
 O ambiente do Mixtura é bem sem frescuras, com as mesas baixas uma bem pertinho da outra. Como estava bem frio, providenciais aquecedores estavam espalhados pela casa, inclusive no terraço externo.
A cozinha é bem interessante: pratos tipicamente chilenos mas apresentados sempre com um ligeiro toque peruano ou oriental, naquela tendência que dá certo e está se consolidando em várias casas santiaguinas depois do sucesso gigante do ótimo Osaka.
Vieiras em tinta de lula e ostras gratinadas para ninguém botar defeito
 A melhor pedida é pedir os pratos "para compartir", como se fossem tapas, para todo mundo poder degustar um pouquinho de tudo - do interessante ceviche frito às geniais vieiras servidas em tinta de lula. Quem não sabe exatamente o que pedir dentre tantas opções (o cardápio é bem completinho), pode pedir pro chef montar um "picoteo" que ele monta. Atendimento bem humorado, com os garçons se comunicando bem em portunhol, e comida bem bacaninha mesmo, com ótimo custoXbenefício.  Pra quem não curte invencionices orientais, vale dizer que o cardápio inclui também massas clássicas e carnes tradicionais. E o trio de sobremesas que inclui um mini suspiro limeño é divino. 
Trio de postres com suspiro limeñissimo!
Depois do jantar, como a noite é uma criança, os mais empolgados podem decidir esticar na porta ao lado, literalmente. Quem janta no Mixtura, vira e mexe acaba convidado para curtir a Dot for free (a entrada regular na casa vale 12.000 pesos chilenos, mais ou menos US$24) - uma dobradinha bem boa para quem quer curtir a noite santiaguina num esquema mais low profile e bastante seguro (além da segurança das casas, tem a segurança externa do mall também). A casa tem 3 ambientes fechados (cada um com seu bar) distribuídos em dois andares, mais um quarto ambiente aberto, no terceiro andar, um terraço para "fumadores", com bar próprio também (que, por sinal, era o ambiente mais cheio da casa no finde passado). A trilha sonora é repetitiva ao longo da noite e os DJs se arriscam bem pouco nas combinações; mas a casa é uma boa opção para quem, como eu, quer ESPAÇO para dançar e não disputar tapas e cotoveladas na pista. 

19 de jul. de 2012

O genial Bocanáriz

A entrada discretinha, em pleno Lastarria
 Não pode falar errado, não; o nome é assim mesmo, Bocanáriz, com a sílaba tônica no NA só pra fazer charme. Essa genial casa aberta no centro de Santiago há menos de dois meses é, certamente, uma das melhores novidades da capital chilena nos últimos tempos. 
 A ideia bacanuda veio, vejam só, de duas jovens enólogas chilenas que encontraram num investidor a parceria ideal pra dar vazão ao lugarzinho que elas sempre sonharam, onde "moradores e turistas possam passar o tempo, aprender sobre vinhos e degustar com prazer", como elas mesmas dizem. Além das outras pessoas que trabalham na casa, as duas estão sempre lá, indo de mesa em mesa para bater papo e tirar dúvidas dos clientes. 
A decoração inclui as paredes mais bem humoradas ever
 A adega tem mais de 300 rótulos diferentes de vinhos, uma loucura - todos eles você pode provar ali mesmo, in loco, ou comprar na lojinha à saída para beber em casa, com os amigos. 
A gigantesca carta de vinhos fica assim, lindona, afixada na parede
(sorry pela foto péssima com o celu; era só pra mostrar o cardápio)
 Você pode se instalar numa das mesinhas do salão reservado, nas mesas tipo boteco em frente ao bar  ou mesmo no balcão. Na hora de beber, você pode pedir uma garrafa, é claro, mas a grande sacada ali são as incríveis máquinas Enomatic, que servem doses individuais de trocentos tipos diferentes de vinho, dos mais populares aos mais refinados - assim cada um do grupo pode beber o vinho que quer, quanto quiser. Para quem não sabe, as Enomatic liberam cada vinho na quantidade precisa (pode ser taça cheia ou taça-degustação) e permitem que uma garrafa fique aberta por até 15 dias sem que o vinho perca suas propriedades. 
Charmoso, não?
Um clima ultra informal tanto da casa quanto dos clientes
 Não sabe o que beber? Elas ajudam! Ou até o próprio cardápio te ajuda: há degustações prontinhas (os chamados "flights") já sugeridas no menu, sob diferentes temas/pretextos. Eu fui na "do mar à cordilheira" (+- 8 a 12 dólares), que inclui 3 vinhos em degustação, de 3 cepas diferentes, vindos de 3 vinícolas diferentes - cada uma numa posição geográfica diferente no Chile, é claro, como o próprio nome da degustação sugere. 
A garçonetee tira na hora a dose certinha do vinho na Enomatic...
... e ele vem pra gente assim, identificadinho no pé da taça e sobre uma mapa vitivinícola do Chile pra não deixar dúvidas de Geolocalização ;)
 As meninas explicam vinho a vinho, sem afetação, e ainda sugerem um petisco (ótimos! servidos como tapas ou, como são chamados localmente, "picoteos"), cobrado à parte, para cada um deles ser ainda melhor apreciado. 
Uma das enólogas (no meu caso, a Daniela) vem explicar os vinhos da degustação um a um
A grande pedida é "harmonizar" cada vinho com um picoteo
Tarde perfeita. Daqueles lugares que a gente tem vontade de ficar, e ficar, e ficar, e voltar. AMEI.

17 de jul. de 2012

Santiago do Chile - de novo!

Semana passada - e até o último finde - fui parar de novo em Santiago do Chile numa viagem de trabalho (press trip) num grupo (bacanérrimo!) de jornalistas. Não bastasse o Chile ser um dos meus países preferidos no mundo (e SCL o aeroporto onde mais fiz pousos, decolagens e conexões depois de GRU :P), cada vez acho Santiago ainda mais civilizada, atraente e interessante.
Dessa vez, fomos levados pela CTS Turismo para revisitar o basicão e queridinho do turista brasileiro em Santiago: city tour, um dia de neve, um tour de vinícola, Viña del Mar e Valparaíso, em cinco dias lindões - demos uma sorte com o tempo impressionante - frio delicioso e céuzão azul, azul.
Mas também deu tempo, é claro, de fuçar um monte de novidades na cidade para quem, como eu, adora arrumar um pretexto para voltar pra lá - de novidades bacanudas da hotelaria (como o novo Mercure Ciudad Empresarial, lindo, lindo!) ao mundo da gastronomia, dos vinhos, das compritchas e da nightlife (e ainda fui de novo no Museo de la Moda que eu adoro tanto! <3)
Guentaê, então, que, a partir de hoje, a novela francesa das últimas 3 semanas dá lugar a uma mini-série bem chilena ;)

29 de ago. de 2011

Comer em Santiago: Casa Mar, o melhor jantar da viagem

Até hoje curto muito restaurantes com cozinha à vista
 O chef Tomás Oliveira Leiva ficou famoso em Santiago com o disputado chef do Ritz Carlton. Mas no segundo semestre do ano passado ele resolveu deixar a cozinha do hotel e abrir sua própria casa, com sua própria cozinha, muito a sua cara mesmo. Sorte nossa.
 O Casa Mar, em Vitacura, é um restaurante lindo, de ambientes super elegantes (são 3 distintos) e cozinha daquele tipo UAU. Os meninos do serviço são uma graça e a decoração das paredes, com trechos de músicas latinas, é uma graça.
Até o Limón y Sal da Julieta Venegas tá lá ;-)

não é fofura? <3
 A carta é excelente, tanto para pratos como para vinhos. Mas nós, como vocês já devem estar suspeitando, apostamos fundo, claro, no menu degustação do Leiva. E lá se foram nove (NOVE) pratos sensacionais entre espumas, mousses, descontruções e afins, numa mescla de sabores e texturas impressionante, mas sem esnobismo, com muita personalidade. Contem comigo:







Nove, certo? Mas no fundo é dez, NOTA DEZ :-))))
Sério: foi o melhor jantar de toda a viagem. Provado e aprovadíssimo, pra voltar.

28 de ago. de 2011

Comer em Santiago: Sukalde, supimpa

 Não precisou muito tempo pro Sukalde ficar famoso entre os grandes restaurantes de Santiago. O jovem (e tímido) chef Matias Palomo Reyes teve seu talento reconhecido rapidinho, e com razão.
 Lá no alto da Nueva Costanera (uma área de Santiago que eu gosto muito, cheia de lojinhas de decoração, galerias de arte e talz), o restaurante é pequeno e super aconchegante.
Como começou a abrir para o almoço recentemente (antes abria só para o jantar), só tinha nossa mesa e mais um casal no local.
 Nos dias quentes, eles montam também umas mesinhas e pufes no jardim dos fundos, de onde a gente pode ver, através de um vidro, o chef e seus assistentes em plena atividade.
 Tem à la carte também e opções de menu executivo no almoço. Mas a grande pedida, claro, é entrar no menu degustación, que pode ser de seis ou nove passos (o de seis passos vale 25.000 pesos - mais ou menos 50 dólares - ou 35.000 - mais ou menos 70 dólares - , se harmonizado com vinhos; nos serviram ótimos exemplares da Dogma no nosso).
 O couvert já é uma gracinha, servido individualmente: pãozinho de leite com homus da casa
 Depois começa a sequência infindável de sabores deliciosos, de mousses e chips de banana à carnes.
Ceviche, por supuesto ;-)

Vieiras rosadas do Pacífico

 Mas nada me cativou tanto quanto o Caldilho de Congrio. Lindo que só, o caldilho vem servido com uma película de batata com a linda "Ode ao Caldillo de Congrio" de Neruda impressa <3
Close no caldilho e sua ode


 E a sobremesa cria climão na mesa: o bolo vem acompanhado de "huevos del desayuno", uma mousse de manga com espuma de limão que, sejamos francos, parece mesmo um ovão frito (boa, mas bem doce; preferi o bolinho com geléia)
E ainda termina com um digestivo no melhor estilo das quemadas espanholas, mas com pisco.
Delicioso.

Comer em Santiago: Se Cocina, tremenda experiência

 Os Destemperados que me perdoem, mas essa escala em Santiago antes de rumar a Valle Nevado foi mesmo com o firme propósito de comer muito bem dia e noite. Então preparem-se que os próximos posts ainda serão sobre restôs santiguianos que amei.
Um deles foi o Se Cocina, um restaurante que, até receber a sugestão de jantar lá, eu confesso que não conhecia. Porque, a bem da verdade, o Se Cocina é bem fora de mão para o turista; é preciso estar com um carro alugado (ou disposto a encarar uma bela corrida de táxi) já que ele fica a uns 30 ou 35 minutos de distância do centro de Santiago. E, fica a dica, à noite é complicadinho de achar, melhor ligar o GPS.
 O restaurante é assumidamente experimental e é uma filial recente da "matriz", que fica na fofa Frutillar, lá na região dos lagos. A ideia é ser uma extensão da casa dos clientes: pra começar, a cozinha fica literalmente DENTRO do salão principal do restaurante.  Quando você chega, não há recepção: a sensação é que você está entrando numa casa pela porta dos fundos e caindo direto na cozinha quentinha da casa, com forno a lenha e tudo, charme puro.
 Os dois chefs proprietários da casa estão lá o tempo todo, cozinhando na frente dos clientes e batendo papo aqui e ali, como quando a gente recebe amigos pra jantar em casa. Ali você pode comer nas mesas e, quando lota, até em banquinhos colocados em frente ao assador.  Dizem eles: "comer es imprescindible para viver, no importa como" :-) Há carta fixa, é claro, mas os chefs são cheios de ideias e oferecem coisinhas "extras" ao pedido no menu também, já que a proposta da casa é catalogar sabores já esquecidos por nós, dentro, claro, de uma identidade muito chilena.  


 Então fomos de menu degustação - bom, vocês sabem que eu adoro um menu degustação e acho mesmo que essa é maneira mais legal de conhecer de verdade a cozinha de um restaurante. Os pratos não pararam de vir. Foram tantos que alguns eu até esqueci de fotografar, frente a tanta emoção :-))))
 Esse caldinho de abóbora servido disfarçado de café não é uma fofura?


 Quando a gente achava que o menu já estava acabando, um dos chefs ainda aparece na nossa mesa e pergunta: "bom, e agora quem de vocês vai cozinhar?" Depois de vários segundos petrificadas com aquela cara de "oi?", duas das meninas foram corajosas e seguiram o chef. E não é que veio um ravioloni de beterraba bem gostoso dessa experiência?
 Daí foi só Tutu Acunã (o chef fundador) e seus sócios Juan Manuel Pena e Pedro Pablo Baguerle virem até a mesa pra receber os louros. Mais que a boa comida, o que eu gostei mesmo do lugar foi o lance da experiência gastronômica. Afinal, não é em qualquer restaurante que a gente pode comer DENTRO DA COZINHA e que o chef fica pedindo pros seus clientes irem até sua bancada e cozinharem alguma coisa, certo? Sem contar que, na gélida Santiago - nevava no dia que chegamos - aquele ambiente com calorzinho da lenha tava mesmo tudibom.