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8 de jun. de 2012

A navegação aos glaciares Balmaceda e Serrano

A lancha rápida toda bacanuda do hotel
 Um dos passeios mais legais oferecidos pelo The Singular é a lindíssima navegação que leva aos glaciares Balmaceda e Serrano, na província de Última Esperança. Esse passeio é super comum para quem visita Puerto Natales e a região de Torres del Paine e também para quem visita a patagônia norte, chamada de Patagônia Aysén.
Na viagem de ida, o guia vai mostrando no mapa tintim por tintim onde estão as atrações da região...
...e exatamente para onde estamos indo naquele pedaço geograficamente tão recortadinho do Chile
A grande diferença, no caso do passeio-convite do The Singular, é que como operam o passeio com suas lanchas rápidas (estilo flying cat gregas), a travessia é beeeem menos cansativa: enquanto os barcos comuns de excursão levam cerca de 3h em cada perna da viagem aquática, as lanchinhas levam menos de 1h30. Ou seja, em meio dia, dá tempo de ir e voltar para se dedicar também a outras atividades; ou, fazendo o passeio de dia inteiro, dá pra ficar muito mais tempo diante deles, se quiser.
No píer à entrada do parque, todo mundo desembarca se vestindo - que fazia um friozaço
 O passeio de barco em si já é legal, porque a gente entra numa zona de fiordes, que muita gente acaba vendo ali pela primeira vez. Os picos "saídos" da água, os cumes nevados. E olha que o dia estava feio pra dedéu, completamente cinza e enfumaçado.
 O barquinho aporta no píer de entrada do parque nacional Bernardo O´Higgins (entrada a +- US$6 por pessoa) e a gente faz uma trilha bem fácil (com subidas e descidas, mas bem tranquila mesmo - e olha só quem está falando isso :-D) observando as espécies autóctonas e endêmicas da região, dos fungos malignos ao saboroso calafate.
 A trilha dura uns vinte minutinhos, até que...
O primeiro flagra do Balmaceda deixa todo mundo petrificado (inclusive de frio :-D)
 ....oh! uh! ah! uau! é tudo o que se ouve por lá.
 A visão do Balmaceda é tão impactante que todo mundo acaba ficando muito tempo por lá, entre uma foto e outra, embasbacado. E quando se rompe um mísero pedacinho do glaciar, o barulho é como o de um avião passando bem pertinho, lindo.
Como se fosse chantilly <3 <3 <3 
A alegria da turista argentina brincando com um "pedaço" do glaciar
Glaciar, reflexo na água, brumas, nuvens baixinhas... cartão postal prontinho
 Quando já estávamos todos há uns 15 minutos embasbacados, o guia avisa que no final da trilha tem um mirante muito mais próximo. Opa, s´mbora então!
A gente vira um pedacinho de nada diante dele (santas cores fluorescentes para mostrarem!)
 A última descida é a mais chatinha para os sedentários (leia-se eu), mas a visão dali é...
 ... uau. Muito uau.

Na volta, todo mundo falando desembestado, encantado com o que tinha acabado de ver, os hóspedes ainda recebem uísque ou pisco sour e comidinhas mil para afastar a friaca.
 E o barco ainda dá uma passadinha bem pertinho do Serrano (cujo acesso a pé é bem mais complicado e o tamanho, menor) só pra gente poder dar aquela última olhadinha, todo mundo espremido na portinha do barco.
 Que frio que nada. Tinha sido uma manhã simplesmente inesquecível. Para mim, que nunca tinha chegado tão perto do Balmaceda em outras viagens devido a intempéries climáticas, foi o melhor passeio de toda a viagem.
 (O passeio é aberto também para não hóspedes do hotel mediante reserva prévia e disponibilidade)

3 de jan. de 2011

Um pouquinho de tudo

Aposto que 2011 vai ser um ano de big promotions para viajantes - é sobre isso que eu falo no meu post de hoje lá no Saia pelo Mundo. As primeiras promoções já estão citadas lá; e olha que eu nem falei dos mega descontos para os cruzeiros de travessia Brasil -Europa e Europa-Brasil desse ano, que são vários...
E, por falar em Saia pelo Mundo, pro povo que ficou perguntou sobre a Carretera Austral, lembro que lá tem um post específico sobre a rota mais mítica do Chile.
As news no twitter também continuam rolando.

29 de dez. de 2010

Patagônia Aysén: o roteiro que eu recomendo

 Depois dos nossos erros e acertos nesses 12 dias por Aysén, eu me atrevo a recomendar um roteirozinho pra vcs. Um roteiro legal, com boas bases de hospedagem, e que dê pra ver as coisas mais lindas dessa região da patagônia chilena.
Percorrer a Carretera Austral é mesmo mítico, indispensável, mas precisa ter segurança. Se você não é um exímio praticante de mountain bike nem tem seu 4x4, melhor contar com um expert nessa belissima mas às vezes precária estrada e contratar um carro com motorista. Como já mencionei antes, como a maior parte da carretera não é pavimentada, percorrer meros 100km dura cerca de 2h de viagem entre curvas e mais curvas. Pra quem se interessar, eu super recomendo o maxi simpático e competente Don Mário Concha Carrasco, da Patagônia Silvestre, que nos levou por mais de 2mil km com maestria (alugando uma van em turma ou família, sai bem mais em conta). 
Pessoalmente, eu elegeria três bases para hospedagem, partindo delas em passeios diários para conhecer bem a região: Coihaique, ao norte, no Salmo Patagonia Lodge; Puerto Guadal, no centro, no Hacienda Tres Lagos, e Tortel, ao sul, no Entre Hielos Lodge, todos hotéis de ótimo nível.
 Os três estão bem localizados, sem excesso de horas de estrada, e a distância razoável das principais atrações e parques. Ficar 3 noites em cada uma das 3 bases seria o ideal pra conseguir ver das pinturas rupestres aos glaciares, com direito a trekking, passeios de barco, pescarias, cavalgadas etc.
 A viagem não é exatamente barata, já que a região é grande e há muito por conhecer. Mas há uma vasta oferta de hospedagem simples em cabanas para quem quer economizar. Sem mencionar que comerr bem na região também sai muito barato, já que a maioria dos restaurantes é simples e caseira.
 Para chegar lá, o melhor é comprar o áereo até Balmaceda, que está a menos de uma hora de distância de Coihaique (conexão em Santiago obrigatoriamente e escala em Puerto Montt em 90% dos voos).
A viagem vale. Definitivamente.

Mais Patagonia Aysén: Coihaique

 Passamos somente a última noite da viagem em Coihaique (também se escreve com Y), infelizmente. Chegamos à conclusão que a cidade é uma base muito mais interessante para os passeios da face norte de Aysén que Puerto Aysén propriamente dito.
 A cidade parece de brinquedo, com casinhas coloridas e muitos objetos aqui e ali espalhados, entre muitas, muitas estátuas e praças. Tem até uma feirinha legal de artesanato, daquele tipo que brasileiro curte ;-)
 Homenagens aos habitantes de Chiloé que vieram à região para trabalhar aqui e ali...
... aos trabalhadores do campo...
 ... e um baita de um entorno.
 Ali ficamos também em um dos bons hotéis da viagem: o Salmo Patagonia Lodge. Super confortável, é todinho decorado com o tema da pesca, seja nos quartos ou áreas públicas, já que os amantes do esporte são seu principal público.
Opera tanto em sistema somente café da manhã (como utilizamos) como em all inclusive, com bebidas, passeios e refeições já embutidos no preço. Wifi free e banheira e ducha escocesa em todos os quartos, em big banheiros. E uma área total de quase doze mil hectares à disposição dos hóspedes para caminhadas, passeios em bike, quadriciclos, pesca etc. Buoníssimo.

Cochrane e Reserva Tamango

 Acabamos parando em Cochrane na ida e na volta do nosso percurso. A cidade é pequena mas muito engraçadinha e fica praticamente ao lado da Reserva Nacional Tamango, que é um baita de um passeio.
 Olha que gracinha de cidade, colorida, limpa, arborizada, e com um belíssimo entorno montanhoso.


 Para conhecer a reserva, lá fomos nós em um novo passeio de barco, mas dessa vez, thanks God, sem tantas emoções ;-)
 Pegamos um barqueiro figuraça, gente finíssima.
 A reserva é linda, super bem cuidada, e o passeio foi mesmo muito bom.
 Aqui e ali cruzávamos com outros turistas ou pescadores.
 E tivemos a big sorte de testemunhar ali mesmo um momento "bambi in love", fofura.
Ainda falta a Cochrane uma boa opção de hospedagem. Mas a cidade é uma gracinha, bela opção para parar e almoçar ou passear tanto na ida quanto na volta pra quem atravessa a carretera austral. Aprovadissima.

Villa O´Higgins: o fim da Carretera Austral

 Chegar à Villa O´Higgins é absolutamente mítico para quem atravessa a Carretera Austral; afinal, é nesse ponto que a mais famosa estrada chilena termina, encontrando o campo de gelo sul. Chegar ali dá trabalho: não bastasse percorrer os muitos quilômetros sinuosos da carretera, ainda e necessário tomar um ferry para poder continuar na estrada até alcançar a cidade.
 O grande atrativo da minúscula Villa O´Higgins é tomar o barco que sai dali e chega ao Glaciar de mesmo nome, num passeio de dia inteiro. Mas pegamos um tempo tão feio, mas tão feio, de chuva e vento sem parar, que o barco simplesmente não foi autorizado a sair. Tristeza geral, geral, geral.
 Até porque, tirando isso, bem honestamente, Villa O´Higgins não tem mais nada. A cidade é minúscula, praticamente sem nada pra fazer. Há roteiros de trekking e outros mini passeios em barco, mas bem menos atraentes que em outros pontos de Aysén. Sem falar que acabamos ficando hospedados numa cabana muito ruim, sem calefação, e passamos o maior frio na noite que antecedeu o passeio.
 O ponto alto do passeio foi o café da manhã genuinamente patagônico que tomamos com uma família que se instalou por ali há 20 anos, quando não havia nem energia elétrica na região.
 Olha aí o barco no qual deveríamos ter passado um dia todo à beira das geleiras.
Quer saber minha opinião genuinamente honesta? Dizem que tá rolando um baita de um improve em Villa O´Higgins, com muito investimento e até um big hotel que finalmente se instalará por lá. Mas, se eu fosse você, nem chegaria  necessariamente até ali - são muitas horas de estrada e travessia em ferry para chegar a um lugar tão limitado, só por ser o marco final da carretera. E, afinal, na fofinha Tortel (que fica umas boas horitas antes) você também curte o frio, as montanhas, o trekking, a pesca, os passeios às geleiras... e com mais infra ;-)