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24 de ago. de 2012

Pequenos esnobismos das férias

Pic-nic com vista

 Nunca entendi gente perdulária, que não controla gastos nem valoriza seu próprio dinheiro. Muito menos gente perdulária em viagem: aquela coisa de gastar até o último centavo de euro na viagem em idiotices no aeroporto porque “não sabe se volta para a Europa um dia” ou pequenas fortunas por um simples café na vibe “já que estou aqui” nunca me convenceram.  Por outro lado, sempre achei que, se estamos em férias, depois de suados dias trabalhados, merecemos nos mimar pelo menos um pouquinho durante a viagem.
Em quê e como cada um gasta seu dinheiro é algo estritamente pessoal, é óbvio; depende não apenas do valor que damos individualmente a cada coisa como também do nosso próprio orçamento de viagem – que, muitas vezes, muda de uma viagem para outra, não é mesmo?  Mas acho que os nossos “pequenos esnobismos de férias” - ou "luxinhos de viagem" - são bons, a gente gosta, e dão mesmo aquela vibe de “férias”, prazer, felicidade para nossa viagem (já falei pra vocês que, por mais que eu adore o Theroux, não concordo em nadinha com a teoria de que as grandes experiências de viagem só vêem dos perrengues).
Um almoço no badalado Café Boulud, em NY, vale US$29.99
 Podem ser:
- usar um táxi no trajeto aeroporto-hotel-aeroporto. Salvo nos casos em que o transporte público é muito eficiente e não envolve baldeações nem escadarias-não-rolantes, acho esse um pequeno esnobismo altamente justificável, mesmo para os orçamentos mais apertados.
- acordar tarde um dia.  Diz uma amiga minha que não costuma dormir em euros. E eu acho que, se a gente está num lugar legal, principalmente se for a primeira vez, tem mais que aproveitar ao máximo; mas sem exageros. Dormir bem durante a viagem deixa a gente bem disposto para aproveitar BEM os dias fora de casa e voltar feliz da vida para o trabalho depois. Assim, acho um esnobismo bem aceitável se dar ao luxo de acordar tarde ao menos num dos dias para deixar o sono (e o corpo) em ordem.
Vai um chazinho aí?
 - tirar um dia para não fazer nada. Esse esnobismo só vale para quem está no slow travel – quem optou por conhcer 22 cidades em 25 dias, não pode. Quem viaja devagar, curtindo cada lugar, pode até se dar ao luxo de tirar um dia com zero programação: só sair do hotel sem rumo, zanzar aqui, parar ali, xeretear acolá – para mim, o tipo de passeio SUPER delícia, principalmente quando revisitamos um lugar.
- passar uma tarde no parque.  É a versão resumida do tópico acima. Se não dá pra passar um dia inteiro sem “ticar” suas atrações da lista, que seja um período. Uma manhã lendo nas cadeiras do Jardim de Luxemburgo ou uma tarde estirada na grama da Place des Vosges são absolutamente revigorantes, acredite.
- tomar um drink num bar hypadaço. Se você queria muito ficar para jantar num lugar que está além de suas possibilidades financeiras ou se hospedar num cinco estrelas que não cabe no seu budget, tomar um drink no bar desses lugares estrelados pode ser bem interessante – e ainda costuma render um people-watching DAQUELES ;)
Um belo drink num baita lugar para fechar o dia
 - fazer uma horinha de spa. Você não vai querer gastar um dia inteirinho de sua viagem enfiado num spa, certo? Mas, como a gente costuma caminhar horrores nas férias e deixar o corpo sofridinho não só com as andanças mas com os próprios deslocamentos em aviões, jetlag etc, vale cuidar bem dele para garantir seu bem-estar na viagem todinha. Vale massagem no seu próprio hotel, uma massagem bacanuda num hotelaço no qual você sempre ficou de olho ou mesmo algo absolutamente despretensioso e bem local, como o hammam baratinho e curioso do Çemberlitas em Istambul ou a thai massage fartamente oferecida em Bangkok  (e baratíssima mesmo no tradicional Wat Po). Momento #brioches simplesmente delícia.
- um café divino numa tarde qualquer.  Pode ser um high tea em Londres, um cafe au lait e uma éclair em qualquer padaria de Paris ou uma bica com pastel de nata em Portugal, por exemplo. Além da delícia dos sabores, escolher um lugar legal também é importante. E, claro, aproveitar a pausa prazeirosa para mandar ver no people-watching (particularmente, eu paro "para um cafezinho" todo santo dia quando viajo :-D)
- passar a última noite num hotelaço. Mudar de hotel toda noite é mesmo chato pra cacildis e é o tipo que coisa que não recomendo para as férias de ninguém; só faço isso em algumas viagens com propósitos puramente profissionais. Mas quem tem que apertar o orçamento na hora da hospedagem, ter o prazer de passar a última noite como um rei, num hotelaço, cama gigante, lençóis de todos os fios etc,  tem aí uma bela oportunidade de fazer a máxima “fechar a viagem com chave de ouro” valer
Uma tarde na praça, fazendo NIENTE
- fazer ao menos uma refeição estrelada na viagem. Seguindo a mesma máxima anterior: se você não acha que as experiências gastronômicas são tão importantes na sua viagem ou viajou com o dinheiro muito contadinho para essa parte da aventura, reservar pelo menos uma refeição memorável no seu roteiro é mais do que aconselhável. Quer uma dica para economizar mesmo nisso? Aposte no almoço. Mesmo os restaurantes mais estrelados no Michelin costumam ter fórmulas expressas de almoço muito mais baratas – e igualmente gostosas – que seus menus no jantar.
- torrar as milhas num upgrade. Você pode achar que as viagens de executiva e primeira classe jamais farão parte da sua vida a julgar pelos valores abusivos geralmente praticados nessas classes. Mas usar todos seus pontos/milhas por trechos nelas é muito mais simples e factível do que a maioria das pessoas pensa. Um trecho em executiva para os EUA, por exemplo, vale 40 mil pontos na baixa temporada; em primeira classe para a Europa, 60 mil pontos na mesma época. Mesmo quem tem menos pontos, pode fazer ótimo uso deles solicitando um upgrade de classe dependendo do bilhete que você comprou.

E você? Que pequenos esnobismos das férias costuma colocar em prática?

24 de abr. de 2012

Programa #brioches: uma tarde no spa do George V

A decoração vai mudando...
 No twitter, uma das tags mais divertidas é justamente a #brioches, que a gente usa pra designar esses mimos e cuidados que a gente adora ter com a gente mesma, de cosméticos a spa (quem lançou a moda foi a Flávia Penido, aka @ladyrasta). É por isso mesmo que #brioches aparece aqui no título desse post; e também porque brioches lembram França, França lembra Paris, Paris lembra delícias e assim por diante. Então nada mais apropriado, estando eu solita em Paris, que tirar um tempinho da última visita à cidade-luz para cuidar de mim mesma comme il fault: com uma bela tarde de massagem no spa do George V.
... dos vestiários...
 O spa é lindo, lindo, lindo. Mulherzinha até. Inspirado em Maria Antonieta, tem o toque das flores, frufrus e cores pastéis geralmente associados a ela nos móveis, nos papéis de parede e até na pintura que reproduz o Petit Trianon na área da piscina.
...aos corredores
A minha sala prontinha pra me receber para o meu tratamento
 O menu de tratamentos é bem legal e completo e tem desde tratamentos expressos, de meia horinha, até tardes inteiras de mimos ou day use. Banheiros super bem organizados, massagista delicada e paciente e copeiras gente finíssima - num silêncio adorável, com as músicas que Maria Antonieta ouvia servindo de levíssimo pano de fundo.
O relax pós-tratamento acontece assim, como num salão de chá, com o bufezinho de petiscos à esquerda
Pra mim, chazinho de gengibre e macarrons
Na saída do tratamento, você tem à sua disposição água, chás, sucos, frutas frescas e secas. E, dependendo do tratamento, deliciosos macarrons pra fechar sua tarde de mimos com chave de ouro. <3 <3 <3

(em tempo: tem uma série de tratamentos também para homens, tá, meninos?)

23 de mar. de 2012

Enquete: que "amenidade" é essencial num voo longo pra você?

"Extra legroom" nos aviões: o grande desejo da maioria dos viajantes
Semana passada li na versão eletrônica de um caderno de viagem gringo um pesquisa com seus leitores sobre qual(is) a(s) "amenidade"(S) que eles consideravam essencial num voo de longa duração na classe econômica. Mais de sessenta por cento optava em primeiro lugar disparadão por mais espaço para as pernas. Depois, com percentuais em torno dos trinta, tinham praticamente os mesmos votos as opções: ter tela individual para o entretenimento, ter wifi a bordo, ter boas refeições e ter bebidas alcoolicas grátis (esse último reflexo de um trauma compreensível dos americanos, que geralmente têm que pagar por elas). 
Mas me chamou atenção que opções como friendly staff (algo que eu, pessoalmente, considero bem importante) e power supply (eu dou suuuuper valor a assentos que têm tomadinha individual) tivessem absolutamente 0 votos. Comentei com uma amiga e ela disse "que adianta um staff amigável se você mal consegue caber no assento?". Fez sentido. 
No fundo, todas as amenities mencionadas pelo jornal são importantes. Seria incrível poder ter tudo isso na fish class. Afinal, pagando o dindim razoável que pagamos para passar 10, 12, 15 horas fechado numa aeronave, a gente queria mais era poder ter um assento confortável, esticar as pernocas, comer decentemente, ser bem atendido, poder usar internet e carregar seus gadgets, essas coisas. 
Bom, e a gente também sabe que gosto é gosto, não adianta: enquanto uns acham que, sei lá, deveriam servir caviar belga na classe econômica, certeza que outros vão achar que pontualidade é algo muito mais necessário (e eu me incluo nesse segundo grupo, é claro).
Então vou lançar a perguntinha aqui, pra quem se animar a discutir o assunto: quais seriam, pra você, as amenidades/serviços mais essenciais num voo de longa duração para que ele fosse o menos desconfortável possível? Valem tanto as coisas que foram citadas na tal pesquisa do jornal quanto qualquer outra coisa que vc julgar importante, é claro.

10 de dez. de 2011

Salas VIP nos aeroportos: como entrar/utilizar?

 Resolvi retomar o tema das salas vip porque, nessa fase pré-ferias, sempre me chegam vários emails sobre o assunto, com as mesmas dúvidas em geral. É que, não importa se você, assim como eu, curte a atmosfera dos aeroportos, das chegadas e partidas da vida. Sejamos francos:  horas gastas em salas de espera, em frente ao portão de embarque, apesar do people watching, são vira e mexe horas perdidas, não? E quando a gente chega cedo no aeroporto, preocupado com o trânsito, e o tem que ficar esperando à toa porque o check in ainda não está aberto?

Por essas e outras que, há muitos anos, desde muito antes de eu começar a viajar profissionalmente, quando eu viajava somente umas duas ou três vezes ao ano, nas minhas férias, eu optei por ter um cartão de crédito que me desse acesso às salas vip dos aeroportos. E, sendo bem honesta, como eu costumo viajar em classe econômica (conhecida também entre os viajantes como fish class), nunca me arrependi: não é o cartão que mais uso, não é o que mais pontos me dá no programa de recompensas, mas cada vez que chego num aeroporto com a certeza de que poderei esperar pelo meu voo numa sala com ar condicionado, com refreshments, internet de boa qualidade e banheiros bem cuidados, acho que o investimento na anuidade definitivamente compensa. Eu, normalmente, aproveito o wifi das salas para colocar o trabalho em dia durante a espera; mas posso decidir bater papo com alguém pelo skype também. De qualquer maneira, faz o tempo passar rapidinho.
Várias dessas salas contam com banheiros completos para banho (mão na rodíssima em conexões mais longas), comidinhas (tem de tudo, de snacks a buffets), e revistas e jornais. Hoje em dia, também é cada vez mais comum uma sala vip ter uma salinha separada para quem quer tirar um cochilo e cantinhos para games. Tem até sala com serviços de vans para determinado ponto na cidade.

Então, pra todo esse pessoal que vira e mexe me escreve pedindo dicas sobre “como conseguir usar as salas vips dos aeroportos com uma passagem em classe econômica”, minha resposta mais comum é: escolha um cartão de crédito que te dê direito a elas!  O Diners Club e todos os que vêm com o selo do Priority Pass são os melhores, na minha opinião, porque possuem uma oferta gigante de salas vip em aeroportos espalhados em vários continentes  – mas existem também algumas salas para outros tipos de cartões.  Vale se informar antes como funciona a sala vip do destino em questão: algumas oferecem também acesso livre a um convidado do titular do cartão, outras permitem a entrada do convidado mediante pagamento de taxa e outras não permitem convidados.

Ainda assim, portando ou não um cartão desse tipo, existem outras maneiras de utilizar uma sala vip num aeroporto sem estar portando uma passagem em classe executiva ou primeira classe, como:

Ser membro anual de uma rede de salas: muitas salas vip, sejam por brand ou por companhia aérea, vendem “títulos” anuais para os interessados. Não são pechinchas, não; as anuidades giram em torno de 500 dólares. Mas podem ser úteis para quem viaja muito ao longo do ano. E salas vip de companhias aéreas também podem trocar a anuidade por milhas acumuladas no programa de fidelidade. Em tempo: o próprio Priority Pass também vende “títulos” específicos para os lounges de aeroportos, por cerca de 350 dólares o ano. E vale ficar de olho que algumas companhias, sobretudo as americanas, também promovem sales de seus títulos anuais.

Comprar um day pass: grande parte das salas de marca própria – e algumas de companhias específicas também – permitem um day use de suas salas, cobrando, em geral, entre 30 e 50 dólares pela utilização.  Isso pode ser útil quando a gente tem uma conexão muito grande entre dois voos – eu já peguei conexão de 10 horas que não me permitia sair do aeroporto para passear na cidade nesse meio tempo, por exemplo. A rede Premier, dos aeroportos mexicanos, é uma dessas salas que vende day pass: por cerca de 40 dólares, você tem acesso a um uso único, num mesmo dia, na sala mais próxima do seu portão de embarque, com acesso a todas as facilidades do lounge. O pagamento é feito no ato, direto na sala vip. E aqui também vale ficar de olho nas sales promovidas pelas próprias companhias aéreas: vira e mexe, entram na liquidação day passes para os lounges. Em tempo: se você estiver disposto a pagar um day use, cheque antes em sites como o Lounge Guide se vale mesmo a pena pagar pela sala que você planeja usar. O sempre ótimo Rodrigo Purisch, do Aquela Passagem, também anda fazendo excelentes reviews de várias salas.

Fazer um upgrade de classe na hora H: para muitos voos, você pode fazer um upgrade da sua passagem da econômica para a executiva na hora do check in, havendo disponibilidade de assentos. Em alguns casos, você tem que pagar em cash a diferença de valor entre os dois tickets; mas em outros você pode “pagar” essa diferença utilizando pontos acumulados no programa de fidelidade.