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29 de ago. de 2012

Boas economias de viagem

Vai de shuttle? ;)

 Depois de falar aqui dos “pequenos esnobismos das férias” (aqueles luxinhos que todos nós merecemos quando saímos por aí nos nossos dias de descanso), vale também fazer um contraponto: economias de viagem que vale a pena, sim, fazer, por mais abastado que seja seu orçamento para o período. Afinal, todo ano a pesquisa entre os leitores aqui do Pelo Mundo mostra que somos, em franca maioria, viajantes HiLo: gostamos de conforto e qualidade mas estamos sempre à caça de ofertas para gastar menos e viajar mais ;)
Volto a dizer: cada um gasta seu dinheiro como e onde quiser, é óbvio, e ninguém tem nada a ver com isso; mas quem curte a vibe “apertar um pouquinho aqui para poder gastar mais ali”, pode achar legal lembrar que:
- Shuttles são uma mão na roda. Se você acha que o táxi daquele aerporto até o seu hotel vai sair os olhos da cara e nem sequer cogita tomar um metrô com direito a escadas e baldeações para o trajeto, deve sempre ficar de olho nos shuttle services. Hoje em dia, quase todo aeroporto oferece os seus: em vans ou em ônibus, são serviços de traslado compartilhado, que você toma com outros viajantes, e sai bem mais em conta que um táxi, com conforto bem semelhante. Eu uso muito, em tudo quanto é canto, e sempre recomendo (inclusive no Brasil, e sempre para ir da minha casa ao aeroporto de Guarulhos), sobretudo para quem viaja sozinho, que sempre sai lucrando com essa economia, sem abrir mão do conforto (você só perde um pouco mais de tempo já que a van pode ter que deixar outros hóspedes antes de você). Em Paris, por exemplo, onde o táxi do CDG à cidade costuma sair em torno de 70 euros, os shuttles cobram em média 25 euros por pessoa para levar você do seu terminal à porta do seu hotel – para solo travelers é uma verdadeira bênção e, mesmo em duas pessoas, ainda há uma economia legal. Só vale ficar atento e checar se o shuttle que você está contratando te leva mesmo até a porta do seu hotel – o Roissy Bus, por exemplo, na mesma Paris, te leva somente até um ponto pré-determinado da cidade e de lá você tem que seguir em táxi até o hotel (o que eu não acho nada legal).
Café cada dia num lugar diferente é gostoso
- Almoço executivo é pechincha boa. Você quer muito provar a comida daquele restaurante ou chef que toooodo mundo fala mas acha o jantar ali uma fortuna. Pois a maioria dos restaurantes mais hypadinhos oferece tentadores almoços executivos, bem mais econômicos que o jantar.  A maioria faz um menuzinho completo com entrada, prato e sobremesa ou, pelo menos, uma combinação de quaisquer duas dessas etapas, pelo menos de segunda à sexta-feora. E na maioria dos lugares para o almoço não é necessária reserva ou espera num filona. Se um jantar no Café Boulud de Nova York acaba saindo perto dos 100 dólares por pessoa, o almoço executivo custa só 29 – e é gostoso igual.
- Passes podem ser interessantes. A gente gosta de ter liberdade de entrar onde quer, a hora que quer, do jeito que quer; mas os passes turísticos podem ser uma boa em alguns destinos. Para quem vai à Nova York pela primeira vez, eu sempre recomendo o City Pass: sai mais barato para quem quer fazer todos os “lerês” da cidade e, em várias delas, você ainda pega uma fila exclusiva e bem mais rápido. Passes de transporte também: se você vai usar várias vezes o transporte público na sua viagem, é sempre recomendável investirnum – como o sempre genial Oyster Card, para quem visita Londres, que poupa muito tempo e incríveis libras.
- Pré-reserva salva vidas. Você acha que não compensa amargar 3h de fila só para entrar no Louvre no dia da visita gratuita (pessoalmente, eu também acho que esse tipo de economia não compensa, não). Mas fazer pré-reserva, agendamento e compra pela internet dos ingressos pode poupar várias horas de fila das suas férias – como para quem visita a Uffizzi, em Florença, por exemplo. Isso sem falar em lugares nos quais só se entra com reserva, como a Santa Ceia, em Milão. Considere sempre essa possibilidade; até porque, vira e mexe, a compra do ingresso online sai mais barata.
- O café da esquina é uma delícia. Você conseguiu uma super oferta num hotelão mas não incluía o café da manhã; daí você se choca com os 30 dólares cobrados por pessoa para essa refeição.  Ou fez uma reserva em hotel budget, como um Ibis, que sempre cobra o café da manhã separado. Pois ninguém é obrigado a tomar café no hotel, certo? E ir até o café da esquina para isso é bem mais barato e sempre uma delícia  – inclusive pelo people watching gostoso que fazemos com os moradores locais. Melhor ainda: você pode cada dia tomar o desjejum num café diferente, testando novos lugares, provando novos sabores. Eu adoro.
-  Não despachar. Você comprou uma passagem suuuuper barata de uma low cost europeia e não se conforma em pagar mais do que o valor gasto pelo voo para despachar sua bagagem? Pois não despache! Aproveite a ocasião para viajar com a mala bem levinha e se sentir o próprio Ryan Birham em Up in the Air ganhando tempo e praticidade nos aeroportos. Ou, então, se você faz mesmo questão que viajar com mais peso,  pague um pouquinho mais caro por um voo de companhia convencional que não cobre por esse serviço.
- Arriscar.  Sou suuuuper contra correr riscos em geral nas viagens; mas nisso me refiro a arriscar chegar muito tarde ao aeroporto e perder o voo ou reservar um hotel que TODAS as resenhas dizem que é péssimo só porque você teve um palpite que pode ser legal. Mas arriscar a "sorte" num site como o Priceline, por exemplo, na hora de reservar um hotel, pode ser uma boa economia.  Além dos sempre ótimos SniqueAway e Jetsetter, que sempre colocam tarifas MUITO sedutoras para hotelaços, os sites de "leilão" de diárias de hotel permitem que você escolha que categoria de hotel deseja, em que localização, com quais facilidades/amenidades e quanto quer pagar por ele, o que me parece sempre muito justo - e o Priceline é o mais famoso deles, oferecendo, por exemplo, hotéis do naipe de Hyatts e Hiltons por diárias de 120 dólares.

Que outras economias bacanas de viagem você sugere? Diz aí ;)

12 de set. de 2011

Reservar hotéis: a tarefa não é tão fácil quanto parece

É raro um quarto ser ao vivo tão lindo quanto no site do hotel
Hoje não faltam recursos (e dos bons!) para pesquisarmos com facilidade hotéis, sejam eles B&Bs, boutiques ou grandes redes, espalhados pelo mundo inteiro.  A gente pode simplesmente postar no twitter “alguém já ficou no hotel X?” ou “que hotel vocês recomendam na cidade Y”, que vão chover ideias referenciadas. Ou digitar no Google "hotel em X" que trocentas opções serão listadas em sequência.
Mas, se por um lado temos farta informação sobre os mesmos, na hora da tomada de decisão esse próprio “excesso de dados” pode ser um tiro pela culatra. Não bastassem os muitos mecanismos de pesquisa disponíveis, as próprias opções hoteleiras aumentaram muito! Hoje temos 817163542949287654 opções de hotéis a escolher a cada destino, uma loucura. São hotéis e mais hotéis, dos pequeninos de charme aos top luxury, que não param de abrir do mundo inteiro. Por mais que tenhamos nossas redes favoritas e também queiramos aproveitar ofertas de sites consolidadores(expedia, booking etc),  fica sempre a dúvida.
Um quarto sem atrativos e com poucas mobílias não é igual a um "decor minimalista"
Nos últimos quatro anos, proliferaram também os blogs de viagem, com informações mil sobre hotéis sendo cada vez mais comuns na maior parte deles. E com razão: nada como ler os detalhes da estadia de alguém, acompanhado de fotos (não só do quarto, mas do banheiro, do closet, da vista etc - todo mundo quer conferir bem fotos, pontos altos e pontos baixos, antes de “fechar negócio”), pra ajudar a decidir por esse ou por aquele hotel - a própria seção Hotel Review é campeã de acessos aqui no blog. O quarto é grande e a cama confortável? É silencioso à noite? O banheiro tá novinho? O serviço é eficiente? A localização é jóia? Porque nada pior do que apaixonar-se por um quarto fofo no site do próprio hotel e descobrir in loco, ao chegar, que trata-se de um belo efeito de photoshop, não é mesmo? Ou reservar um hotel simplesmente perfeito mas descobrir que a rua é super barulhenta e não conseguir dormir direito à noite.  Ou que a “localização super central” não é uma vantagem na cidade em questão (ficar no centro histórico na Cidade do México, por exemplo, é furada). Até porque um quarto sem quase nada de móveis não é, por si só, um "decor minimalista"; nem um quarto minúsculo pode ser descrito como "aconchegante". 
Um site fraquinho pode não revelar um quarto muito fofo e confortável
Ponto-chave pra mim é boa localização; tô sempre conferindo onde estão os hotéis que cogito reservar no próprio Google, seja por uma simples busca no googlemaps ou em seu hotel finder (aliás, conheci essa semana o hipmunk.com e também já adotei o dito cujo, ótimo!). É raro um viajante que hoje, antes de decidir-se 100% por um hotel, não cheque a avaliação do mesmo no Trip Advisor. Mas, mesmo checando as informações lá, sempre ficamos com uma pontinha de dúvida sobre quão confiáveis são aquelas resenhas todas. E eu acho as fotinhos muito, muito pequenas. Então eu comecei a checar também o checkyourroom.com, que traz fotos maiores – mas, por outro lado, contempla muito menos hotéis, uma pena. Essa semana descobri também, numa coluna da Practical Traveller do NYT, o Room77, e já adicionei aos meus favoritos – falha nas imagens mas tem muito mais hotéis e simula a vista dos quartos, o que é uma mão na roda na hora de você pedir um quarto com vista mais legal (todo mundo curte room with a view ;-D)

Dormir na cama perfeita depois de um dia de andanças = recompensa perfeita
A parte boa é que, dada a crise internacional iniciada lá em 2008 e essa big demanda de quartos, ganhamos nós: os melhores hotéis estão cada vez mais acessíveis, sobretudo com a valorização do real. Os programas de fidelidade de algumas redes hoteleiras também são extremamente benéficos, premiando com noites grátis (e outros benefícios, de champagne de boas vindas a café da manhã ou jantar incluídos) quem se hospeda neles com frequência. Os brasileiros, aliás, estão ganhando tanto terreno no turismo internacional que há hotéis fazendo promoções específicas para nós, brazucas. Afinal, nessa loteria de sites, buscadores, referências, blogs e afins, que bela recompensa é deitar a cabeça numa cama macia e confortável, num quarto quietinho e aconchegante, depois de um dia inteiro de andanças e passeios, não é mesmo?