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4 de jan. de 2013

Um tremendo jantar no Il Postale (Perugia, Itália)

 A gente sabe que para comer muito bem em qualquer região da Itália não é preciso procurar restaurante estrelado. Cantininhas acanhadas, de menus rabiscados na lousa, costumam oferecer refeições inesquecíveis. Mas quem ama gastronomia e curte praticar o chamado turismo gastronômico, acaba mesmo embarcando com uma listinha de grandes restaurantes a visitar durante seu roteiro. E todo bom roteiro de viagem gastronômica pela região da Úmbria, na Itália, indica invariavelmente o Il Postale para se fazer uma das grandes refeições da viagem.
O Il Postale visto de fora...
 O Il Postale, estrelado no Michelin, fica dentro do hotel Castello di Monterone que, como o próprio nome diz, ocupa um castelo medieval. A propriedade é linda e super convidativa para curtir um footing ao ar livre depois de comer (se for de dia) para fazer a digestão.
... e visto por dentro, com as mesas pequenas...
... e o decor mezzo modernete...
... mezzo renascentista, mantendo o teto original do castelo
 Já o restaurante é pequenininho e acanhado (visitei em novembro último e me contaram lá que há projeto de, muito em breve, transferir o Il Postale para outro espaço dentro do mesmo hotel para dar conta de receber mais viajantes simultaneamente). São comensais ocupando apenas cinco mesas distribuídas numa sala pequena, de decoração bem colorida - reservar ali é obrigatório - que têm o prazer de degustar as delícias do chef Marco Bistarelli (que, por sinal, dá as caras nas mesas na maior humildade).


O cara é bom da entradinha à sobremesa - e o ambiente é super zero frescuras, acredite. Os pratos principais custam uma média de 20 euros - e ele topa fazer meia porção por metade do preço para quem quer experimentar coisas diferentes! Também tem menu degustação de cinco e seis passos por 80 e 85 euros cada, para quem preferir.
O melhor jantar da viagem, sem dúvida, e um dos melhores dos últimos tempos.

2 de jan. de 2013

Enoturismo na Umbria: Locanda Palazzone

A propriedade com vinhedos a perder de vista
 Nos arredores de Orvieto, no "fuori muri" dessa linda cidade italiana da Umbria, o que não faltam são vinícolas de pequenos e médios produtores perfeitinhas para uma paradinha durante um dia de passeio por ali.
 Mas o que me chamou atenção da Locanda Palazzone é que, não bastasse Orvieto ser uma graça, a Locanda, por si, só, já valeria o deslocamento até ali: além da visita pela linda propriedade para ver como a produção de vinhos bons podem ser pequenina, artesanal e muito bem sucedida, ali também funciona uma das cozinhas mais interessantes da região e também um belíssimo hotel, super romântico, de apenas 7 exclusivíssimos quartos.
 Não fiquei hospedada na parte do hotel (só subi para xeretear os quartos lindos, super contemporâneos dentro do casarão antigo, super típico da região), mas passei uma belíssima tarde na propriedade, entre visita aos vinhedos e um almoço supimpa, preparado por um chef pura simpatia.
 Ali tudo é mediante reserva: vc discute como quer o tour, que horário, tudo. E é o próprio dono, o gentleman Lodovico (ou sua simpática esposa Patrizia) quem vem atender os visitantes e fazer a visita guiada, falando com extrema paixão sobre seu negócio. A visita é legal, mas o pulo do gato ali é tratar com ele (previamente, é claro) a visita com almoço e degustação durante a refeição: acaba virando um daqueles momentos memoráveis, puro prazer, como eu achava que só a Toscana sabia fazer.
 É o jovem - e tímido, e muito simpático - chef Roberto Agostini, natural da Umbria, quem cuida de tudo no almoço, da concepção do cardápio sob medida a levar os pratos à mesa, sempre sorrindo muito. E o que tivemos ali (estava com duas amigas queridas na Úmbria, lembram?) foi um almoço genial, fresquíssimo e cheio de sabor, do primeiro prato à sobremesa - e, acreditem, levíssimo, no final das contas.



Macarrons com sotaque italianíssimo no zabaione da sobremesa 
Tímido mas muito simpático, Roberto Agostini é chef pra gourmet nenhum botar defeito 
A tarde foi memorável. Atrasamos super o belo rolê que queríamos dar por Orvieto de tão gostoso que estava ficar ali, mesmo terminado o almoço, jogando conversa fora, bebericando os vinhos da casa, curtindo mesmo.
A produção da vinícola, bem limitada, fica armazenada ali mesmo 
O belo casarão-sede, onde fica o hotel e onde são servidos os almoços pré ou pós visita pela vinícola 
O que ficou faltando? Dormir ali, com certeza. Fiquei encantada com os quartos que vi, super arejados, cheios de luz, cheios de mimos (do decor contemporâneo às amenities Bulgari), sempre com ultra românticos balcões com vista para os vinhedos e Orvieto, lá no fundo. Uma graça.

26 de dez. de 2012

Pelos caminhos da Úmbria

O quarto tipoUAU do Palazzo Seneca

 Os caminhos da Toscana, vocês sabem, eu conheço bem e adoro – meu pedacinho de paraíso na Terra. Mas, dessa vez, enquanto viajava em novembro último com alguns amigos para Roma naquele feriadão paulista, recebi um convite irrecusável de outra amiga para dar uma fugidinha em dois dos dias romanos para fazer acompanha-la numa escapadinha pela Úmbria, a belíssima região que separa a Toscana de Roma.
A fachada do suuuuper romântico Locanda del Palazzone
 Da Úmbria, eu só conhecia bem Assis, que considero a mais linda cidade de peregrinação do mundo (Santiago de Compostela disputando a liderança de pertinho, é claro). Mas dessa vez me encantei por ela toda - pelas estradas super boas, pelas ruelas, hotéis, restaurantes, vinhedos, cantinhos e pessoas de lugares encantadores como Norcia, Perugia e Orvieto, todos a curta distância de Roma (o mais distante é Norcia, a mais ou menos 2h30; Orvieto o mais pertinho, a menos de 1h).
A imperdível catedral de Orvieto
 Norcia é famosa por seus embutidos, com destaque óbvio para os salames super curados. A cidade respira gastronomia (o cheiro de salame está por toda parte, acredite em mim), seja nos vários restaurantes que possui para uma metragem tão diminuta, nas muitas lojas de embutidos e conservas ou na feirinha que acontece aos finais de semana na pracinha principal, com mais barraquinhas de comida que de roupas e artesanatos.  Comer bem ali é fácil, fácil: o delicioso Vespasia, que fica dentro do lindíssimo Relais&Chateaux Palazzo Seneca, traz as criações cuidadosas, bem servidas e muitíssimo bem apresentadas do simpático chef Flavio Faedi – as massas trufadas são um verdadeiro escândalo de sabor, inesquecíveis (foi a melhor refeição dessa girls escape, na minha opinião). Aliás, o hotel, bem no centrinho de Norcia, é charme puro: decoração colonial num mix super elegante com objetos pontuais bem contemporâneos, ótimo serviçoe quartos imensos (com tarifas inacreditáveis para um padrão cinco estrelas, desde 143 euros o duplo com café da manhã).
O centrinho fofo de Norcia

Cooking Class na Casa Bianconi
 Amantes da gastronomia também podem colocar ali em Norcia seus próprios talentos à prova:  a Casa Bianconi oferece didáticas – e muito divertidas, que fique claro – aulas de culinária com cerca de duas horas de duração, aprendendo a fazer no mínimo dois pratos na aula, inclusive massa fresca. Tudo isso numa casa clássica da região, toda de pedra, de séculos de existência, mas num ambiente super descontraído - passei duas horas divertidíssimas fazendo massa fresca (e aprendendo a corta-la em diferentes tipos de macarrão) e sopa de lentilhas "umbriana". 
Almoço inesquecível no Vespasia, em Norcia
Estradas lindas para curtir bem a região
 Perugia é um encanto de cidade. Maior, com o centro histórico todo amuralhado e uma cidade mais moderna se desenvolvendo ao seu redor, já cativa o visitante de cara instalando escadas rolantes altíssimas no interior de muralhas seculares para ligar a parte baixa à parte alta da cidade – além de suas igrejas com relíquias da ordem dos Templários e museus que são pura história. Os arredores de Perugia são cheios de castelos intrigantes, como o belo Castello di Monterone (que mantém como quartos os mesmos cômodos medievais do castelo original), hoje convertido em hotel. Monterone ganhou fama por seu ótimo restaurante Il Postale, estrelado no Michelin – um belo jantar degustação ali, na exclusivíssima sala que comporta apenas cinco mesas, é daquelas experiências marcantes em qualquer viagem, belíssima pedida.
A vibe medieval do Castello di Monterone até nas chaves...
... e um dos pratos trufados do ótimo Il Postale
 E Orvieto, ah... Orvieto! Que fofura de cidade é Orvieto!!! Fãs da Toscana, como eu, certamente pirarão ali - ainda mais que a cidade respira vinhos :))))  É toda rodeada por belas vinícolas que, no outono, após a vindimia, adquirem uma cor castanho-amarelada impressionantemente bela, emoldurando a cidade antiga, de ruelas de pedra sempre movimentadas, e dona de uma das catedrais mais impressionantes de toda a Itália – para não perder a visita de jeito nenhum. Ali me apaixonei pela Locanda del Palazzone (quero me hospedar ali numa próxima viagem à região, jurado e sacramentado), a residência histórica que era o casarão original da vinícola de mesmo nome e foi recentemente convertida em hotel boutique. O tour pela vinícola pode – e deve, na minha opinião – ser acompanhado de um belíssimo almoço tipicamente italiano, numa caprichada releitura gourmet; degustando os belos vinhos da casa, é claro, com destaque para os brancos (ainda que não sejam, em geral, meus preferidos). Ali só fiz a visita+almoço mas aproveitei para espiar o exclusivíssimo hotel boutique que ocupa o casarão principal, com apenas sete quartos cheios de mimos e conforto – incluindo vista para as vinícolas e amenities Bulgari. Romântico, romântico, romântico.
Perugia vista das muralhas...
... e com o centrinho em close
Visita com almoço perfeita na Locanda del Palazzone 
E isso tudo só para começo de conversa. Para amantes da Toscana, taí um outro belo roteiro para se fazer ao longo de uma semana, sem pressa, em trens ou, melhor ainda, num carro alugado, parando para visitar vinícolas, visitar borgos medievais, bater papo com os moradores locais cheeeeios de histórias e personalidade e, claro, comer muito bem – a tradição gastronômica da região é tão marcante quanto a toscana (eis aí outra bela opção de lugar para a temporada de caça às trufas, btw).  Pra colocar na agenda de viagens.

4 de dez. de 2012

Um almoço no melhor estilo BBB no La Cocina de San Antón

 No post anterior, eu contei que achei o restaurante na cobertura do Mercado de San Antón, em Chueca,   melhor parte do mercado todo. Eu e minha irmã almoçamos felizes e contentes no fofo, fofo, fofo La Cocina de San Antón e voltaríamos lá outras vezes seguramente se tivessemos mais dias em Madri juntas dessa vez.
saladinha muito saborosa
 Além do lugar ser gracinha e do serviço ser simpático (na medida do possível, é claro, levando em consideração a simpatia madrileña), o restaurante tem ótimos preços. Sobretudo no almoço, quando os menus de 3 passos saem por ultra tentadores 12,50 euros por pessoa.
Prato principal de inspiração thai
 Há 3 ou 4 opções para cada passo e a escolha fica mesmo com você. Quem não opta pelo menu tem um à la carte bem consistente, com opções também para vegetarianos. E o local tem também um serviço bastante elogiado: você pode comprar seus ingredientes no primeiro piso do mercado e, mediante o pagamento de uma taxa, pedir pro próprio restaurante preparar um prato com esses ingredientes, do jeitinho que você quiser (a taxa, claro, vai depender do prato)
Mousse gostosinha, ainda que sem grandes surpresas de sobremesa
 No dia em que almoçamos lá, em pleno meio de semana, o público era muito mais local que de turistas. Ambiente bem gostoso mesmo.
A continha ótEma para duas pessoas, tudo incluído
 Mas não peça seu cafezinho ali, não. A graça, ainda mais se for de dia, é deixar para tomar o café ou digestivo no terraço, daí sim com gente do mundo inteiro como companhia, e com uma bela vista para Madri.
 Se você for para o jantar, a boa é fazer o contrário: começar a refeição no terraço, tomando um aperitivo, e então partir para a refeição propriamente dita no restaurante.
E daí eu nem falaria pra você terminar com um café porque a noite madrileña, ainda mais por aqueles lados, nós sabemos, és una niña ;)

3 de dez. de 2012

De tapas pelos mercados de Madri

 Sair de tapas em Madri é, sem dúvida (e me desculpem), meu programa predileto na cidade.  E acho sensacional que, desde a primeira vez que estive lá, há 12 anos, a cidade não parou de se reinventar nesse quesito, com mais e mais bares e botecos abrindo suas portas para gente ávida por petiscos acompanhados de uma bela taça de vinho ou uma caña.
Dentre as grandes ideias gastronômicas - dessa chamada baixa gastronomia madrileña - que surgiram na última década, os mercados arrumadinhos madrileños ganharam definitivamente os turistas. Aliás, eles ficaram tão legais que ganharam também o carinho de vários moradores.
 O Mercado de San Miguel, bem do ladinho da Plaza Mayor de Madri, já faz um tempo que é queridinho dos brasileiros - e continua mandando bem. O único senão é que é sempre suuuuper muvucado e encontrar ali um canto nos balcões pra se espremer é difícil; encontrar uma mesinha pra se instalar, então, é quase um milagre.

 Mas o ambiente é gostoso, com gente do mundo inteiro comendo (e fotografando!!!) os quitutes espanhóis, e é também muito limpo - o pessoal da limpeza passa o tempo todo recolhendo pratinhos, talheres, copos etc. Ali você escolhe o que quer, seja no estilo tapas, seja no estilo prato - tem de tostas e azeitonas a pratos de paella e carnes, além de docinhos, sorvetes e até, well, crepes.

 As azeitonas do quiosque de azeitonas são um clássico do mercado: você pode comprar por espetinho (desde 1,50 cada) ou por pratinhos sortidos (de 2, 3 ou 4 euros).  Combinam com tudo, de caña a sangria.
 Também são clássicos do mercado os quitutes do stand de bacalhau - de 1 a 2 euros cada tosta coberta com bacalhau ou frutos do mar.
 Quem vai para o tapeo no adorável bairro de Chueca deve fazer uma paradinha básica ao menos no fofo, fofo, fofo - e beeeeem menos muvucado - Mercado de San Antón. No subsolo funciona um supermercado e no andar térreo o mercado propriamente dito, com carnes, verduras, queijos, frutas e afins.

 É no segundo andar que o mercado vira cool, cheio de stands para o tapeo - das tapas tradicionais aos sorvetes e um monte de sushis.

 As tapas são super estilosas, com aquele jeito bonitão dos pintxos do país basco, e tem também uns pratos bem caprichadinhos, tanto individuais quanto para dividir - e encontrar uma mesinha ali para fazer uma boa pausa não é difícil, não.
 Mas, para mim, por mais que eu adore o tapeo español, o maior tesouro do Mercado de San Antón está na sua cobertura, no fofíssimo restaurante La Cocina de San Antón.
 Ali, além de ter um terraço lindo, lindo, lindo, com vista para Madri, perfeitinho para tomar um drink ou uma taça de vinho, seja dia ou noite, também tem o restaurante propriamente dito, que funciona dia e noite num ambiente todo descoladinho, com pratos bem gostosinhos - e baratos.
Mas sobre ele eu falo no próximo post ;)