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3 de out. de 2012

Restaurantes toscanos bem bons para colocar na sua viagem

Melhor antipasto de berinjela EVER
 É claro que, de volta à Florença, eu sempre passo para um almocinho e/ou jantar na Trattoria Ponte Vecchio. Para família e amigos, já ficou praticamente aquela coisa de "la mia trattoria" :-))))  Afinal, lá continuam, na vitrine, três revistas com matérias minhas nas quais a trattoria é citada - e o Salvatore e o Giancarlo, os proprietários, continuam gracinha, fazendo delícias italianíssimas (e dizem que anda dando muuuuito brasileiro por lá :D). Dessa vez, levei meu irmão para almoçar lá e piramos no talharim ao tartufo - como disse o Giancarlo, "a verdadeira simplicidade deliciosa da cozinha" - que recomendo MUITO.  E o antepasto de berinjela, então???? Divino. Refeição de primeiríssima, ótimo serviço, zero frescura.
a massa que nos fez pirar o cabeção...
... e o sempre fofo Giancarlo fazendo gracinha ao servir duas clientes
 No restante da viagem, além dos outros restôs sobre os quais já comentei por aqui, também gostei muito de dois outros lugarzinhos despretensiosos: a Osteria l´Ciocio, na fofinha Suvereto, de ótimo custoXbenefício, ainda que sem grandes surpresas gastronômicas, e do gracinha Hostaria del Ceccottino, na também fofíssima Pitigliano, com almocinho ao ar livre, numa manhã ensolarada e serviço mega paciente.
O ambiente super simpático da Osteria...
... o prato principal lá...
e o antipasto tipicamente toscano no Ceccottino.
São três restaurantes com preços bem em conta e bastante sabor. Anota aí ;)

30 de set. de 2012

Comidinha boa em Pontremoli: Caveau del Teatro

O Castelo de Bagnone visto da cidade baixa...
 Pontremoli e sua vizinha Bagnone não são vistos pela maioria como destinos toscanos em si. Ambas cidades, vizinhas, são pequenininhas, daquelas que a gente percorre in-tei-ri-nhas em duas ou três horas. Por isso mesmo, são bem boas para quem está na estrada, com carro alugado e tempo de sobra para dar aquelas adoráveis paradinhas aqui e ali, na cidade que quiser.
... a cidade baixa em si. 



Pontremoli à noite 
 O que vale mesmo numa eventual paradinha por ali é almoçar ou jantar no fofo e descompromissado restaurante Relais Caveau del Teatro, em Pontremoli. Foi o que eu fiz.
 Ali, os irmãos proprietários, Amedeo e Fernanda cuidam de tudo, da cozinha às mesas - e Amedeo é um craque no quesito "simplicidade delicosa".
Polentinha com funghi a perder de vista
 A comida tem jeitinho bem caseiro, tanto na apresentação como no sabor; bem sem frescuras, chega à mesa pelas mãos dos próprios donos, que dão aquela explicadinha básica sobre o preparo do prato.
Peça qualquer antepasto que venha com a ricota de cabra da casa, di-vi-na
 O ambiente interno é pequeno - mesmo! - mas bem aconchegante. Tem também uma "terraza", mas por dentro é bem mais "italiano" ;)
Olhaí os irmãos sorriso
 Que me perdoem os puristas, mas eu nem gosto de zabaione. não curto nada que leve muito ovo, a bem da verdade. Mas o zabaione da Fernanda é tão famoso que não tinha como não provar. Ela prepara ali mesmo,  na frente de cada mesa, ainda contando sobre cada ingrediente que acrescenta ao creme. E serve quentinho, quentinho, para deleite dos fãs daquela gemada dominical da infância ;)


Porque a simplicidade também pode ser encantadora, não é mesmo?
Anote aí, que vale o desvio.

23 de set. de 2012

Pepenero: a melhor refeição de toda a viagem

O restaurante fica no subsolo de um edifício tombado; mas os móveis são cheeeios de bossa
 Não posso dizer que não comi bem na viagem. Aliás, acho que seria uma heresia sem fim um ser humano ousar dizer que não comeu bem na Itália, que dirá na Toscana! Nas duas semanas dessa última aventura toscana, comi muito, e comi muitíssimo bem - só dois restaurantes deixaram a desejar; todos os outros foram de bons a muito bons.
 Mas houve um restaurante que eu não poderia classificar pessoalmente como nada além de fenomenal: o almoço no fofo e badaladinho Pepenero foi simplesmente a melhor refeição de toda a viagem. O restaurante do chef-celebrity Gilberto Rossi - que é pura simpatia e sorrisos e fica literalmente na cozinha dando todas as coordenadas, btw - fica na igualmente fofa San Miniato, com um ambiente todo descoladinho e modernex.

O Rossi-pura-simpatia
 Quando a gente desce pela escadinha que sai de uma porta estreita nem imagina o ambiente hypadinho que se encontra lá embaixo, todo cheio de móveis de design e louças coloridas. São três ambientes pequenos na área interna, com cozinha à vista no meio deles, e mais um fofo terraço externo, perfeito para um almoço num dia quente e ensolarado como o dia em que estive lá.
O terraço gracinha
O serviço é excelente, principalmente para os padrões italianos: garçons jovens mas super simpáticos, rápidos e atentos, uma graça. E a comida... putz! Que almoço!!! Pra começar, os antipasti eram todos oriundos da Macelleria Falaschi, sobre a qual falei ontem aqui no blog pra vocês: fresquíssimos e saborosos. 

 E o primo piatto... o melhor de toda a minha viagem: um tagliatele al tartufo bianco simplesmente DI-VI-NO.
Tava tão bom, mas TÃO bom...
... que merece um CLOSE!
 O vinho também foi de responsa, com ótimo custoXbenefício:
O prato principal, seguindo a recomendação da casa, foi uma bela tagliata com ovo de codorna e, claro,  tartufo <3 carne="carne" de="de" e="e" eu="eu" excelente="excelente" f="f" n="n" nem="nem" o="o" olha="olha" ovo="ovo" p="p" que="que" sou="sou">
 E um sorvetinho-creme de limão com frutas vermelhas para arrematar. SHOW.
 E pensar que, do lado de fora, a gente nem daria nada pelo local, não é?
A portinha discreta, ultra low-profile, do gigante Pepenero
Anota aí: fecha terças o dia todo e sábado no almoço. Mas não dá pra perder. GE-NI-AL.

22 de set. de 2012

Macelleria Falaschi: o precursor do slow food na Toscana

 San Miniato é absolutamente uma graça de cidade. Das mais pitorescas e acolhedoras da Toscana. E, não bastassem suas referências arquitetônicas, históricas e etruscas, San Miniato virou também uma baita referência na gastronomia mundial - e, muito em parte, graças à Macelleria Falaschi, que há quatro gerações leva gente de distintas partes do mundo até lá só para comprar suas carnes e embutidos.
A fachadinha discreta da Macelleria...
... e um imagem da fofa San Miniato
 Qual não foi minha surpresa ao entrar ali e encontrar o próprio signore Sergio Falaschi no salão - o cara virou uma referência no slow food mundial e foi um dos precursores do movimento na região da Toscana. Ali fizeram fama suas salsichas (sem trocadilhos, plissss), sobretudo o mallegato, uma espécie de salsicha de sangue (como a morcilla espanhola) e outros embutidos à base de carne crua.
A simpática atendente do açougue...
... e, ei!, olha só quem também está atrás do balcão :D
 Il signore Falaschi é tímido, mas ao mesmo tempo fala muito clara e didaticamente, de uma maneira fácil de entender. Explicou rapidamente o processo do produção e até mostrou rapidinho sua câmara fria. Foram só dez minutinhos de prosa, e, enquanto isso, entraram e saíram cinco pessoas diferentes buscando suas encomendas ali na salinha apertada.
Falaschi dá uma canjinha de seus conhecimentos ali mesmo, em meio às carnes
 Tem gente que vai até San Miniato praticamente só para comprar os produtos do Falaschi, dada a garantia de qualidade deles. E ele também, é claro, fornece matéria prima para inúmeros restaurantes toscanos, como o excelente Pepenero, do qual falarei em outro post.
 Não sabe se curte a ideia? não tem problema: logo à entrada do açougue fica uma mesinha com um pratinho de "amostras" justamente para os novos clientes provarem e conhecerem seus produtos. A salsicha de carne crua estava lá, claro, primeirona da fila ;)
Vai uma salsicha crua aí?
Pra visitar.

21 de set. de 2012

Caça às trufas: I did it!

Um melhor que o outro: #morri
 Já contei aqui pra vocês que eu sou louca por trufas. Pelos dois tipos: as delícias à base de chocolate e às maravilhosas e incomparáveis trufas italianas (il tartufo!), sobretudo espalhadas por cima de uma bela massa fresca (nham!). E estar na Toscana em plena temporada de trufas e não testar nem um pouquinho um dos mais famosos "esportes" regionais - a caça às trufas (truffle hunting, como dizem os gringos) - seria mesmo uma pena.
O Giotto ganha mini biscoitinhos para ter energia para a tarefa
A experiência aconteceu no Savini Tartufi, em Forcoli, uma das famílias "produtoras" de trufas e produtos à basa da iguaria mais conhecidas na região, que me convidou para participar de uma "caça". Para participar, só com hora marcada previamente - a caça vale desde 35 euros, dependendo do número de participantes e duração.
Bora pra mata
 Nosso grupo caminhou bosque adentro, na "fazenda" de propriedade deles, em companhia do fofo cãozinho Giotto. Ali, os cães são treinados ainda pequenininhos, por seis meses consecutivos, para ficarem experts em encontrar a iguaria. O Giotto ia farejando tudo e, quando encontrava alguma coisinha, cavava, cavava, cavava com as patinhas mínúsculas até que um dos dois "caçadores" oficiais da casa ajudasse com instrumentos próprios.
Um dos "caçadores" chama para irmos rapidinho ver o que Giotto descobriu
Ele cava, cava, cava...
... e, quando acha, o caçador ajuda com essa ferramenta...
... e ele fica todo pimpão com a descoberta
 A verdade é que não achamos muita coisa; encontramos muito mais mosquitos que trufas no nosso caminho :P Mas é interessante acompanhar todo o processo, ainda tão intuitivo, e, sobretudo, notar como, onde havia trufas, o odor da terra fica mesmo muito diferente. E, no fundo, é divertido saracotear no bosque atrás de um temperamental cãozinho.
 Mais gostoso ainda foi voltar à sede da empresa, pós caça (ficamos pouco mais de uma hora no bosque) e provar, enfim, delícias preparadas com as trufas e servidas em forma de bruschetta. Ali na loja, entre os vários produtos vendidos por eles (o sal al tartufo e o azeite são di-vi-nos), também fica exposta uma réplica da maior trufa encontrada por eles, que, por sinal, ainda detém um recorde mundial pelo tamanho e pelo peso - impressionante.
A réplica da trufa gigantesca que deu recorde mundial à Savini...
... e uma verdadeira, mais modesta (como o fundo da mão), encontrada naquela manhã
Em tempo - algo que eu queria MUITOOOO que tivessem me avisado antes, deixo aqui registrado pra vocês: usem calças compridas e sapatos fechados, como tênis, mesmo no auge do verão toscano. E, se tiver à mão, dê uma boa baforada de repelente em você mesmo. A quantidade de mosquitos quando a gente entra no bosque fechado é impressionante e eles atacam mesmo as áreas expostas, sem dó nem piedade (tô cheia das marquinhas até hoje). 

20 de set. de 2012

A Toscana e o Lardo

O centrinho da pacata Colonnata
Dizem os toscanos que se trata de algo, de fato, muito saudável, que estimularia os índices do colesterol bom. Dizem os amantes de bacon que esse seria o mais nobre de todos os bacons do universo. Dizem os health fanatics que se trata de uma abominação. Mas o fato é que ver uma "produção" de lardo pela primeira vez choca um pouquinho, sim (uma amiga mais sensível chegou até a sonhar com o dito cujo depois que comeu pela primeira vez, rá!).
O adorado lardo sendo curado
É muita gordura junta vista pela primeira vez. Mas o cheiro é bom; só se sente o perfume de alho+especiarias.  O lardo, para quem não sabe, é a camada espessa de gordura - branquinha, branquinha - que fica debaixo da pele dos porcos; a grosso modo, poderíamos dizer que é o rei dos bacons. E seu local de produção por excelência é justamente o povoado de Colonnata, em Carrara, no norte da Toscana - o negócio ali é levado tão a sério, mas tão a sério, que o lardo de Colonnata tem até denominação de origem protegida (D.O.P.).
Venanzio em frente à sua larderia...
 Além de ser utilizado no preparo de pratos típicos regionais, o grande barato na Toscana é consumir o lardo  no rol dos antipasti, entre salames, prosciutto, queijos e afins. Então, antes de jantar no Ristorante Venanzio, tive o prazer de ser levada pelo próprio Venanzio Vanucci, o dono do local, para ver logo ao lado sua larderia.
... e mostrando orgulhoso sua produção
 A gordura do porco, antes de estar "pronta" para o consumo, fica curada (com sal, pimenta, alho, canela e outras especiarias, que aderem à casca do lardo) por no mínimo seis meses em enormes cubos de mármore (de Carrara, é claro), em espécies de cavernas subterrâneas em pedra, frias. Podem ficar curando por até um ano, em grandes nacos de gordura empilhados.
Os nacos de lardo são guardados de seis a doze meses...
... nesses cubos de mármore instalados numa câmara friazinha
As montanhas de mármore vistas de Colonnata, para um dar um tempo nas imagens do lardo :P
 Já no restaurante, o lardo veio fatiadinho junto com os antipasti e também numa bruschetta. Eu, que não gosto de bacon (desculpem, defensores da iguaria), achei melhor do eu esperava - a textura é mesmo muito macia, quase derrete na boca, e o sabor lembra muito os embutidos em geral. Fãs de bacon e embutidos vão à loucura; para não fãs, como eu, a experiência de provar como antipasto é até bem interessante.
O lardo chega no prato assim, fatiadinho como qualquer embutido
E, para os mais xiitas com dietas e afins, vale dizer: levando-se em consideração a quantidade de borgos no alto das montanhas toscanas e suas ladeirinhas, essa extravagância calórica, frente à toda comilança tradicional de uma viagem à Toscana, é absolutamente plausível ;-))))
 Vale experimentar.