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8 de mar. de 2013

Mulheres

São muitos, muitos mesmo, felizmente, os leitores masculinos desse blog. Mas, como a maioria do público do Pelo Mundo, desde o princípio, sempre foi composta por mulheres, e falamos vira e mexe nessas páginas sobre mulheres saracoteando por aí sozinhas, nada mais justo que deixar uma mensagenzinha aqui parabenizando todas vocês pelo dia de hoje, dia internacional da mulher.
Que a liberdade e o respeito sejam garantias essenciais em toda parte para podermos também continuar viajando por aí, felizes e contentes, com ou sem companhia. 
Feliz dia para todas vcs, chicas. 

P.s.1: a foto que ilustra esse post foi tirada hoje mesmo na Grand Bassin, no lago sagrado de Maurício, durante o maior festival religioso que acontece por aqui; uma experiência bacaníssima que vivi há poucas horas, como mulher, como ser humano, como viajante. 

P.s.2: para aquelas que ainda precisam de um empurrãozinho para se aventurarem solo por aí, aqui vai mais uma "pílula" de incentivo ;)

22 de fev. de 2013

Chariot ride em Edfu

 Quando desci do Sun Boat IV (o navio em que fiz o cruzeiro pelo Nilo) em Edfu fomos todos avisados que o caminho do píer até o templo de Horus seria feito nas típicas "carruagens egípcias" que circulam pela cidade.
 Cada carruagem (ou carroça, como vocês preferirem :P) leva até 3 pessoas e foi determinado que cada "cabine" do navio viajaria numa. Como eu estava sozinha, a carruagem era BEM velhinha e o condutor abriu um sorriso gigante quando viu que levaria uma mulher desacompanhada, pedi pro (excelente) guia Ehad, que nos acompanhou durante todo o cruzeiro, ir comigo - segurança, né, sabe cumé?
 Então lá fomos nós em menos de 15 minutinhos de viagem no que mais parecia uma corrida de bigas com as carruagens se esgueirando enfileiradas entre o trânsito local da cidade e depois ultrapassando umas as outras.

 De vez em quando eles se xingavam entre eles, outras vezes cumprimentavam as pessoas na rua.
Quando chegamos ao souk, ficou meio hora do rush (e era mesmo fim de tarde já):





No caminho ao templo ainda cruzamos com trocentas carrocinhas de vendedores e - oh-oh - um trator:
 Até chegarmos ao "estacionamento de carruagens" à entrada do templo, onde as carruagens foram todas estacionadas enfileiradinhas (e nós praticamente sufocados pelos vendedores das lojinhas do local).
 Na volta, já de noitão, o guia teve que ficar por último para esperar uma família que não aparecia no ponto de encontro e eu tive que tomar minha "carruagem" sozinha mesmo.
 O condutor foi simpático, me encheu de perguntas sobre o Brasil, me explicou o que era cada lugar por onde passavamos e perguntou, é claro, se podia tirar foto comigo (algo super comum por lá, btw). Já estava muito escuro mas foi super interessante ver as pessoas na rua, a maioria passando pelo mercado antes de voltar para casa (fora do Cairo, as cidades são muito mais tradicionais e mulheres totalmente cobertas e homens usando suas galabeyas são muito mais comuns).

Só deu medinho porque, na metade da corrida, ele me pediu para esperar "1 minute, miss, 1 minute, miss, please" e me deixou montadinha na carruagem esperando, sem prender o cavalo nem nada, enquanto ele desceu e andou uma quadra para buscar um... saco com pão! ha ha ha ha
Cheguei sã e salva, é claro ;)

p.s.: a corrida, assim como os demais passeios ao longo da viagem, já estava incluída no valor pago pelo cruzeiro; só nos foi recomendado que, ao final, se tudo corresse bem, dessemos alguma gratificação (o famoso bakshish, a gorjeta que os egípcios esperam dos turistas o tempo todo) simples ao condutor.

21 de fev. de 2013

Viajar ao Egito agora: dá pé?


 Quando eu comentei no twitter que tinha decidido ir para o Egito agora, muita gente me enviou replies e DMs dizendo que eu estava “louca”, que não aceitariam ir “nem de graça”, que era “muito perigoso”, que o país estava “em guerra”.  Amigos e familiares também ficaram super apreensivos e me encheram de mensagens preocupadas, inclusive durante os primeiros dias da viagem.
 Adiei minha ida ao Egito por muitos anos porque, face aos relatos tristes de algumas solo travelers que já tinha ouvido e lido, não queria ir sozinha; e nesses anos todos ninguém se animou muito a ir comigo. A decisão de ir agora teve um motivo determinante: os preços.  Com a crise generalizada no turismo nacional frente à bad reputation que a mídia está dando ao Egito ultimamente, os preços ali simplesmente despencaram: o que já era barato ficou muito barato e os hotelaços de luxo e os melhores cruzeiros pelo Nilo baixaram seus preços a valores antes inimagináveis (só a parte aérea que continua carinha, sobretudo se comprada de última hora, como foi a minha).
 Minha maior preocupação em ir agora era a questão de ser uma mulher viajando sozinha por lá e não a famigerada primavera árabe.  Quanto às manifestações político-sociais na cidade, é claro que eu pesquisei muito e troquei zilhões de emails sobre o assunto com a operadora local e até com o hotel em Cairo, que pesquisa nunca é demais. Todos me tranquilizaram muito, explicando em detalhes porque achavam que os piores dias tinham ficado para trás e que a situação atual não afetava o turista (acho que poderíamos fazer aqui um paralelo com a má reputação que o Rio de Janeiro vira e mexe recebe da mídia estrangeira, mas isso seria assunto para outro post ;D).
  Então, como contei no post do Saia pelo Mundo, vim para cá numa viagem da excelente AbercrombieKent, a maior operadora de turismo local e que me foi muitíssimo bem recomendada (tenho amigos que já viajaram com eles tanto no Egito quanto em outras partes do mundo) para estar de alguma maneira bem acompanhada durante a maior parte da viagem. E deu certo, muito certo. A viagem foi linda, conheci gente bacana o tempo inteiro, meu cruzeiro pelo Nilo foi muito curto mas maravilhoso, me apaixonei pelo caos vibrante do Cairo. Estou deixando o país agora e já estou com saudades.
Se o Cairo está perigoso? Não está. É claro que eu não dei bobeira zanzando sozinha por lugares ermos. Mas passei pela praça Tahrir, fui ao maravilhoso Museu ali mesmo, fiquei hospedada na mesma região e até saí sozinha à noite (sabendo exatamente onde ia, é claro, e com as devidas precauções). Em todos os dias que fiquei na cidade, não vi nem sinal de manifestações – elas acontecem agora de maneira mezzo organizada às sextas-feiras na praça, e sexta cedinho eu já estava a caminho do aeroporto para pegar meu voo a Aswan. O único incômodo que senti na cidade foi o trânsito maluco e sempre congestionando - muito semelhante ao de São Paulo, btw :D  
 Ao sul do país, durante o cruzeiro, a gente só se dá conta da crise politica em seu triste efeito econômico: o desespero dos vendedores, as atrações/locais/barcos todos com pouquíssimos turistas (meu barco tinha apenas dezesseis passageiros, dá pra imaginar?), várias lojas fechadas, os animais esqueléticos.
 O que acontece ali agora é que todo mundo fala de política o tempo todo; “Mubarak” ainda é pronunciado com a voz meio baixa, mas “revolução”, “mudanças”, "novo governo" e palavras afins estão no cardápio o tempo todo nos restaurantes, nos hotéis, nas rodas de amigos e até nas conversas dos guias com seus turistas (me questionaram várias vezes, em vários locais, sobre o que eu pensava da situação atual do Egito, como avaliava a revolução, o que via para o futuro etc). 
 Para as mulheres, o assédio é grande, incisivo e constante como na maioria dos países árabes; a gente sente menos no Cairo e muito mais conforme vai entrando em cidades menores, mais interioranas (farei outros posts especificamente sobre isso, que várias meninas já andaram pedindo). Mas tomando as devidas precauções foi tudo muito bem, obrigada, em todos os lugares - às vezes eles são tão bem humorados que a gente até ri ao invés de se sentir ofendida. 
 A melhor parte de estar com uma operadora foi essa: como me sentia segura, pude ser eu mesma, despreocupadamente, e conversar, rir e conhecer a parte festeira, amistosa e divertida dos egípcios – que, por sinal, adoram o Brasil e os brasileiros, do “Ronaldo” ao “Lula da Silva”.  Assim entendi bem os limites que deveriam ser estabelecidos e pude aproveitar minha viagem, sem estresse, também nas vezes que saí sozinha no Cairo (aliás, me arrependi muito de não ter entrado num tour assim quando fui com minha irmã ao Marrocos).
 Então, resumindo: dá para ir ao Egito agora? Sim, sim, sim. O país é tão genial e fascinante quanto as aulas de História sempre nos mostraram, os egípcios são amistosos e, mais do que nunca, eles PRECISAM de turistas agora. O país vive majoritariamente disso e estão todos, comerciantes, guias e empresas do ramo turístico, perdendo muito com toda essa situação.
  Viajar ao Egito com uma operadora acho recomendável, para nos dar a confortável sensação de segurança todo o tempo – no meu caso, só tenho elogios à Abercrombie e a todos da equipe que me atenderam em diferentes pontos do país (com menção especial aos dedicados Mahmoud e Sayed, que me cobriram de atenções, e ainda falam português).
Ir agorinha ainda trará o maravilhoso benefício adicional de belíssimas hospedagens e grande serviço muito mais baratos e as atrações vazias, tranquilas, com aquele jeitinho de “só suas” nas fotos - inclusive nas pirâmides ;)
P.S.1: as viagens longas por terra me foram desaconselhadas nesse momento, então tirei do roteiro que eu originalmente queria fazer Alexandria e a península do Sinai. Mas acabei me arrependendo porque encontrei vários turistas que tinham ido à Alexandria super tranquilamente e amaram a cidade. De qualquer maneira, viajantes independentes estão sendo constantemente aconselhados, no país todo, a se juntarem a tours em grupo (mesmo que somente day tours e não necessariamente pacotes/excursões) por enquanto.

P.S.2: sorry pela proporção farônica do tamanho desse post :P

18 de abr. de 2012

Pret-à-Portea: o chá mais mulherzinha ever

A capa do cardápio já avisa o fru-fru que vem pela frente ;-)
 A gente curte um bom chá da tarde. Na verdade, nem precisa ser o chá com toda pompa e circunstância, mas aquela paradinha providencial para consumir uma reconfortante bebidinha quente e uns petiscos cheios de açúcar, certo?
A mesa posta, me "esperando" - atente para as porcelanas divinas de Paul Smith
 Mas, em se tratando da terra da rainha, entrar de cabeça em pelo menos um autêntico english afternoon tea durante a viagem, é meio que mandatório. Só que eu, dessa vez, depois de provar alguns afternoon teas bem cheios de pompa real na cidade, tava mais era procurando um chá diferente, mais modernex, mais cool. Foi então que a lindona Consuelo Blocker me fez lembrar do fofíssimo Pret-à-Portea oferecido pelo hypado The Berkeley.
O menu todo explicadinho
 Não bastasse o chá ser todo fashionista (como ele mesmo se define) e feminino até a alma, a "nova coleção primavera-verão" (!!!) tinha acabado de ser lançada, com os quitutes servidos no chá todos inspirados nas coleções que Gucci, Fendi, Louboutin, Miu Miu, Valentino e outras top brands tinham mostrado recentemente nas passarelas.
É claro que o The Caramel Room, o salão de chá do Berkeley, estava tomado 95% por mulheres. Sozinhas, em duplas, em trios, em família. Uma de olho na mesa da outra, risinhos, risadas, papo aqui, papo ali, um sem fim de fotografias com câmeras e celulares (os garçons trabalham duro na maratona fotográfica ali também :-D). Não demorou muito para estarmos todas praticamente tomando chá juntas, cada uma em sua respectiva mesa :-))))
Os sanduichinhos são os primeiros a chegar
 Pra começar, a gente recebe um pratinho charmoso com sanduichinhos tradicionais dos afternoon teas, como de pepino, de salmão defumado etc. Mas é quando desfilam pelo salão os suportes de chá com três andares de lindezas comestíveis que tudo para - mesmo que você já tenha o seu bem diante do seu nariz, todo mundo olha o que está chegando numa nova mesa ;-P
A mesa posta, incluindo o "menu" que explica em que peça, de qual estilista, o docinho foi inspirado
 O garçom mostra que docinho remete à qual peça da coleção primavera-verão e explica os ingredientes de um por um e deixa o mostruário bem do seu ladinho pra você saber exatamente que peça está comendo. Gostei muito, muito de praticamente tudo: meu docinho preferido foi  a tortinha inspirada no look safari de Michael Kors e o que menos curti foi justamente a linda bolsinha D&G que todo mundo acaba deixando para o final (dá dó comer essas miniaturas tão perfeitinhas!)
Andar de baixo...
... e andar de cima - não é genial a mousse-vestido???
Minhas vizinhas de mesa eram ótimas de papo e tiraram, acredite, muito mais fotos do chá que eu :-)
 Tanto os sanduichinhos quanto docinhos e bebidas quentes são repostos quantas vezes você quiser (a maioria das pessoas faz reserva para 14h, e substitui o almoço pelo chá :-D) - recomendo muito a infusão signature da casa, a Caramel Indulgence, deliciosa, com a borda da xícara meio salgadinha.
A torre de delícias acoampanhada do chá de caramelo
Fazer reserva é mandatório: o salão ficou lotadinho durante todo o tempo que estive lá. O chá vale 39 libras por pessoa (ou 49 se você quiser "abrir os trabalhos" com uma bela taça de champagne Laurent-Perrier) e é servido todos os dias das 13h às 18h.
Garantia de uma tarde deliciosa e divertidíssima.

7 de mar. de 2012

Amã: sedutora, encantadora

A região do 5th Circle
 Minha viagem pela Jordânia começou como para a maioria dos viajantes: por Amã, sua adorável capital. O processo de entrada é rápido, com a obtenção do visto logo na chegada no aeroporto (20JD, ou +ou- US$30, pagos em cash, em moeda local, na hora) e o desembarque também é zero complicação. Do lado de fora, vários homens oferecem táxis e shuttles para os hotéis - pessoalmente, acho recomendável reservar o seu previamente para evitar o stress das negociações
Comida e serviço caprichadíssimo em lugares como o ótimo Fakher el-Din
 A cidade é grande (são mais de dois milhões de habitantes) e está espalhada sobre várias colinas - se considerarmos a "grande Amã", são 20 no total; as sete centrais são as principais. A Amã antiga guarda ruínas romanas e bizantinas, como um adorável teatro romano bem no centro da cidade e a intrigante Citadel, a poucos passos de Downtown, a principal rua do comércio popular da cidade, onde você acha de tudo um pouco.
Os dinares jordanianos (normalmente sinalizados por JD) valem mais ou menos a mesma coisa que a libra britânica 
 As áreas mais movimentadas do trânsito contornam os "circles" (oito no total), que são "balões", "rotondas", "rotatórias" ou whatever you call it ;-) As melhores áreas para se hospedar são o circle 1 - que fica perto dos muitos bares, cafés, restaurantes e afins da Rainbow Street - ou o circle 5, que reúne os hotéis mais bacanas e as boutiques e restaurantes mais hypadinhos.
O 1st Circle tem de tudo, de McDonalds a bons restaurantes
A cidade espalhada pelas colinas, com o anfiteatro romano à esquerda
 Segura e super bem policiada, Amã é ultra acolhedora, inclusive para mulheres viajando sozinhas (sobretudo na região central e nos bairros mais tchans). E super sofisticada também, dos novíssimos e modernérrimos malls como o TAJ Mall à nightlife vibrante como em qualquer capital européia. Hotelaços e excelentes restaurantes estão por toda parte, assim como as principais grifes internacionais. No fundo, foi uma das cidades que mais me surpreendeu, de verdade; eu imaginava encontrar no máximo uma Túnis ou algo do gênero. Mas acho que Amã mistura com uma perfeição impressionante todo o exotismo do Oriente Médio, o climão das mil e uma noites da história milenar que está em cada esquina, com a big contemporaneidade dos arranha céus e da arquitetura da parte mais moderna.
O marco principal da Citadel, parte da antiga Philadelfia
O novo e o antigo se misturando
 Amã só peca num quesito: o transporte público é praticamente nulo. Por outro lado, os táxis são ultra abundantes e baratos - com o único porém de ter que quase sempre negociar direitinho a tarifa com o taxista antes de partir.
O teatro romano visto de pertinho
Hotelaria super caprichada, como no quartaço do Four Seasons Amman
No fundo, acho que Amã não se revela à primeira vista para os turistas apressados. Tanto que eu conheço gente que não gostou tanto da cidade e gente que, como eu, se apaixonou por ela. É do tipo que tem que olhar duas vezes pra ver bem os tesouros escondidos, as surpresas, o brilho.
Pra mim, tremenda cidade. Pra voltar.