Mostrando postagens com marcador arredores de Santiago. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador arredores de Santiago. Mostrar todas as postagens

18 de jul. de 2012

A poesia de Valparaíso

 "AMO, Valparaíso, cuanto encierras,
y cuanto irradias, novia del océano,
hasta más lejos de tu nimbo sordo.
Amo la luz violeta con que acudes
al marinero en la noche del mar,
y entonces eres -rosa de azahares-
luminosa y desnuda, fuego y niebla."
(Pablo Neruda)
 É chavão ultra comum nas operadoras e receptivos santiaguinos: "brasileiros não gostam de Valparaiso". E taí algo que nunca entendi: como não ver poesia nas casas coloridas, nos grafites, nas ladeiras, nas escadarias ou mesmo no porto de Valparaíso?
 Valpo - como a cidade é carinhosamente chamada pelos chilenos - é um dos mais importantes portos da América e fica a uma mera horinha de Santiago. A maioria das pessoas chega ali no famoso tour Viña del Mar+Valparaiso, o mais vendido pelas operadoras para quem quer curtir os arredores da capital chilena. O que normalmente acontece, infelizmente, é que os tours costumam passar quase o dia todo em Viña e só um tourzinho bem básico em Valpo no começo ou no final do passeio.
 "Cansei de ouvir brasileiros dizendo que essa cidade parece uma grande favela", me contou um guia. "Uma pena que não consigam ver aqui o que Neruda viu".  Gostei de Valpo desde a primeira visita, também num tour de um dia, láaaaaa na primeira vez que fui a Santiago. E a cada volta, ainda que sempre apressada, continuando adorando zanzar por aquelas ruelas. 
 É certo que Valparaíso não tem impactantes belezas naturais: não tem a Cordilheira pulsante de Santiago, não tem as pedras debruçadas no mar de Viña. Mas está ali, no seu emaranhado de casinhas velhas e coloridas, morro acima e morro abaixo, por entre pousadinhas, escadarias sinuosas, velhinhos em plena charla nos parapeitos já meio desbeiçados, namorados em DR apoiados nos muros grafitados e crianças ofegantes no sobe e desce das ladeiras, a sua beleza. 


 A maneira mais gostosa de conhecê-la, na minha opinião, é ir de carro (táxi, bus, whatever) até a parte alta e, de lá, devagarinho, devagarinho, ir descendo sem rumo, daquele jeito meio Montmartre, até o porto. No último terço do caminho, se cansar, ainda dá pra tomar o prozaico e antiquíssimo funicular (elevador, ascensor, como preferir) até a zona do comércio. E é em Valparaíso que fica também a mais legal das 3 casas de Pablo Neruda. 










 No porto, entre pescadores mil, barqueiros oferecem por 2 ou 3 dólares os tours de barco pela costa que duram aproximadamente meia hora. Mas só ficar ali, no cair da tarde, com o sol se pondo bem em frente (todo brasileiro que se preze, pela nossa própria condição geográfica, é obcecado por um bom por-do-sol, né, não?) e o céu ficando cor-de-rosa enquanto as primeiras luzes da cidade, já vale a pena. Assim, na volta, ainda dá tempo de vislumbrar os morros de Valpo iluminadinhos em direção ao mar conforme nos afastamos, rumando de volta para Santiago.

Ah! um dia ainda fico para dormir nesse lugar. 

Inverno em Viña del Mar

 Quando estive em Viña del Mar, nos arredores de Santiago, lá na outra encarnação, era verão. Verãozaço, por sinal. Pleno Carnaval, as areias LO-TA-DAS (inclusive de lounges e stands de trocentas ações publicitárias diferentes), brasileiros por todo canto e o tráfego de carros era uma coisa de outro mundo, com congestionamentos gigantes em qualquer horário do dia.
 Pois agora, nessa viagem a trabalho da última semana, tive a oportunidade de pisar pela primeira vez em Viña del Mar no inverno. E não é que a cidade é ainda mais gracinha? Verdade que a praia fica vazia, vazia (afinal, se o mar ali já é insuportavelmente gélido no verão, que dizer de sua temperatura no inverno, né?), mas o trânsito flui bem, os dias costumam ser ensolarados e a vibe pacata deixa Viña ainda mais bonita.
  Continuam ali os museus, os resquícios do último festival de música, o relógio de flores, o cassino, tudo. Assim como os restaurantes mais vazios, o atendimento mais atencioso, os mirantes com espaço para todo mundo. E, obviamente, as tarifas dos hotéis muuuuuito mais em conta.
 Viña tem uma costa linda, toda recortada por pedras de todo tipo e tamanho, e uns mirantes de onde se vê  - como dizem os moradores - "una de las más bellas puestas del sol de todo el Pacifico" :-)))) Outra atração disputadíssima dos mirantes que acompanham a estradinha costeira são os preguiçosos lobos marinhos que ficam morgando ao sol, estiradões nas pedras, durante o dia. 
O passeio de um dia a Viña del Mar e Valparaíso costuma ser o número 1 dos brasileiros que visitam Santiago da primavera ao outono e o número 2 dos que visitam no inverno e costuma ser bastante suficiente para o primeiro contato, para saber se gostam ou não das cidades, se querem ou não voltar para alguma delas (ou para as duas!) numa outra visita. 
Mas sobre Valparaíso eu falo no próximo post ;-)