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12 de abr. de 2012

De barquinho pelo Canal du Midi

 O cruzeirito pelo Canal du Midi (8,50 euros) é uma das atrações do entorno de Carcassone. Construído para ligar comercialmente o Mediterrâneo ao Atlântico (e chamado naquela época de Canal de Deux Mers por isso mesmo), o canal tem mais de 240km de extensão entre Sete e Toulouse; mas hoje acaba sendo usado só para o turismo mesmo. Nos locais mais largos, chega a ter no máximo 25 metros de largura e cinco de profundidade.
 O ponto de embarque no cruzeirito pelo canal pra quem visita Carcassone é o distrituo de Trèbes, a 20 minutinhos da cidade. O passeio sai duas vezes ao dia e dura 1h30 em geral (há outras opções, inclusive tours personalizados com picnic etc) e o bacana é que o canal é todo rodeado por árvores - nesse comecinho de primavera, estão todas ainda peladinhas, mas acredito que de maio em diante deva ficar uma belezura só. E não por muito tempo, infelizmente; descobriu-se recentemente que as 42 mil árvores que o rodeiam estão todas atingidas por uma espécie de fungo bastante danosa, que ainda não conseguiram tratar. 
O barco tem que ficar bem amarradinho...
... pra não se chocar com o barco ao lado enquanto o nível da água sobe...
... até a abertura das comportas ;-)
 O barco é pequenininho, para no máximo oito ou dez passageiros. Porque, como o canal é bem estreito, a navegação tem que ficar viável nos dois sentidos - e, principalmente, o barco tem que ser pequeno para caber na mini (e divertida!) eclusa, antiquíssima, pela qual passamos na ida e na volta do trajeto.


O píer de onde sai o barquito
Enquanto nosso barquito entrava, já tinha outro se "amarrando" na eclusa
 O trajeto é mais bucólico que qualquer coisa; o trecho mais bacana, depois da passagem pela eclusa tão prosaica, é quando o canal passa literalmente por cima de uma ponte - e carros passam nas laterais, uma loucura. Pra quem vai num grupo de amigos, pode ser bem divertido. Pra quem vai com crianças, acho um programaço.

Um giro pelo Mercado de Carcassone

 Vocês sabem que eu ADORO fuçar em mercados em outros países. A bem da verdade, adoro inclusive fuçar em supermercados lá fora (e olha que eu odeio fazer supermercado em casa!). Acho muito, muito legal mesmo a gente entender um pouco da cultura local vendo o que e como as pessoas compram, consomem por ali.
 Na França, assim como na Itália, as feiras de rua têm um papel importantíssimo no cotidiano das cidades, sobretudo nas menores; mas os mercados continuam sendo lugares assim, mezzo sagrados, para os fãs da boa cozinha. E o que mais me surpreendeu no Mercado de Carcassone foi que, além de pequeno, era limpíssimo e ultra organizado, como poucos que já vi por aí.


 Um único andar, um edifício em forma de quadrado, e os stands dispostos lado a lado, bem bonitinhos. Tipo dois de peixes, dois de queijos, dois de carnes, e assim por diante. Com "vitrines" cheias daquele jeito todo francês de expor os animais inteiros, as aves sempre com cabeça e pés etc.

 A barraca central é a mais legal: ali dá pra fazer uma boquinha in loco, com ostras frescas de diferentes tipos (salgadíssimas!!! mas deliciosas), trocentos tipos diferentes de queijos locais e vários rótulos de vinhos da região também.

Flagra! Olha só quem estava degustando ostras no mercado também: Jérôme Ryon, do La Barbacane, o único chef com estrela Michelin da cidade
Geléias e compotas de violetas, super emblemáticas da cidade
O Mercado fica no centrinho comercial da cidade nova de Carcassone, a cerca de 20 minutos de caminhada para quem estiver hospedado dentro das muralhas. Mas tem que ir de manhã, que à tarde fica fechado. O melhor é ir lá pelas 11h, assim você ainda acha tudo fresquinho e já está num horário, hum, digamos, adequado, para abrir os trabalhos gastronômicos com as degustações de queijos, ostras e afins :-D

11 de abr. de 2012

Hotel Review: Hôtel de la Citè, Carcassone, França

Dos jardins, a gente vê o hotel e as torres de Carcassone lado a lado
 Quando você faz buscas no Google sobre Carcassone ao planejar sua viagem, sempre se depara com vários links falando sobre o Hôtel de la Cité, um dos mais antigos hotéis da cidade. A localização é privilegiadíssima: literalmente no coração da cidade antiga, bem ao lado da Catedral, dividindo seus jardins e muros com a própria muralha de Carcassone, pertinho de qualquer restaurante, atração ou lojinha que esteja nos seus planos.
Hóspedes tomando champagne no jardim: cenário visto o dia todo
 Funcionando como hotel desde 1906, o Hôtel de la Cité passou por várias remodelações desde então mas não perdeu em nada a aura classicona, não; na arquitetura, nos belíssimos jardins, na fachada, nas escadarias e pisos que rangem, continua um bela de uma viagem no tempo. E, vale dizer, mega super hiper ultra romântico. A última remodelação aconteceu há pouquinho tempo e deu um charminho mais contemporâneo a ele (com telas de LCD em todos os quartos, amenities Damana, wifi grátis em todo o hotel etc): no final do ano passado, o hotel passou a fazer parte da brand MGallery, o segmento de hotéis-boutique da Accor.
Para chegar em alguns quartos, rolam escadinhas e torres medievais ;-)
O lobby
 Ali, em outros tempos, já se hospedaram nomes ilustres como Churchill, Grace Kelly e Collete; na contemporaneidade, o hotel é queridinho de Sting a Deep Purple :-P
O adorável bar, que ocupa a antiga biblioteca
Os quartos estão espalhados por dois edifícios que foram unidos ao longo do tempo, em 3 andares diferentes. O que quer dizer que tamanho, disposição e até decoração mudam de um para outro, embora as facilidades sejam basicamente as mesmas para todos. O serviço em geral é bastante delicado e atencioso, mantendo o jeitinho de hotel pequeno no tratamento mais personalizado.
A bela cava tem ótimas degustações (sob reserva)
O excelente La Barbacane, de Jérôme Ryon
Os jardins são divinos e um convite à preguiça: pufes, sofás e almofadas espalham-se pelo gramado, com vista para as muralhas e torres da cidade medieval. No verão, a piscina também fica em funcionamento. 
Meu adorável quartinho em frente...
... e verso
Banheiro cheio de charme
O café da manhã é servido num edifício ao lado (uma graça, por sinal), num simpático café dos anos 40, com direito a uma garçonete chefe que é um verdadeiro arraso: simpática como só, fala várias línguas e lembra o nome e o gosto de todos os hóspedes no dia seguinte ("café au lait para a mademoiselle, não é?"), uma fofa. Mas o maior trunfo mesmo do hotel, na minha opinião, é ter como seu restaurante principal o excelente La Barbacane, de Jérôme Ryon, que conta há dez anos com uma estrela no Michelin (vem post só sobre ele aí, é claro).
Os chocolatinhos em forma da muralha medieval na abertura das camas <3
A fachada gracinha
E preços bem, bem razoáveis para um hotel boutique desse naipe: duplos por 159 euros.

Carcassone e o Cassoulet

A entrada para o Chateau
 Se a gente parar pra observar, Carcassone e Cassoulet guardam até uma certa similaridade nos nomes, né? O fato é que em Carcassone quase todo mundo fala o tempo todo sobre Cassoulet. Todos os restaurantes da cidade, seja na parte nova ou antiga, oferecem esse que é o prato típico mais emblemático da cidade e da própria região Languedoc. E um dos lugares mais emblemáticos para saboreá-lo é o restaurante de Jean Claude Rodriguez, um dos fundadores da confraria que corre parte do mundo anualmente para promover internacionalmente (!!!) o cassoulet (L´Academie Universelle du Cassoulet, que criou a rota gastronômica do cassoulet).

 Rodriguez comanda o belo Chateau St Martin, onde funciona seu restaurante que virou uma espécie de "símbolo da resistência do Cassoulet" :-)))) Ali explica-se que o cassoulet é um prato que data do século XIV, reminiscente da guerra dos cem anos. Para sanar as muitas dúvidas sobre onde exatamente o prato teria surgido, o chef Prosper Montagné teria dito em 1929: "God the father is the cassoulet of Castelnaudary, God the Son that of Carcassonne and the Holy Spirit that of Toulouse" :-)

 Para almoçar ali (o cassoulet vale 21 euros por pessoa, mas há também opções de menu fixo e outros pratos à la carte) - sim, porque o cassoulet é um prato ainda mais pesado que a nossa feijoada, então fortemente não recomendado para o jantar! - é melhor fazer reserva.
A entradinha light, de ovo e aspargos, é só o pano de fundo para o...
... mis-en-scene de servir o cassoulet que vem na sequência :-)
  Rodriguez é um apaixonado pela gastronomia (ele diz sempre "culinária é minha religião") e é super metódico no preparo do prato; ali é servido o "cassoulet à l´ancienne", com os feijões brancos originários de Mazères mesclados a presunto, carne de porco (incluindo o pé) e mais diversos embutidos. O toque local "carcassonense" fica por conta de pedaços de confit de pato.
O cassoulet é servido sempre em grandes caçarolas como essa
E aqui já servido no prato
Close no cassoulet
Até o simpaticíssimo Rodriguez (à frente, de branco) aparece no salão principal para dar um alô aos clientes após o almoço
Depois do almoço, aproveite a linda propriedade do castelo para descansar, caminhar um pouquinho e tomar um café antes de continuar viagem ou retornar para seu hotel para uma boa siesta; que depois de tanta comilança, o cassoulet ainda ficará na memória (inclusive do seu corpo) por um bom tempo :-))))))))))

10 de abr. de 2012

Carcassone é assim

 Não tinha grandes expectativas sobre Carcassone (Carcassonne, em francês), confesso. Sabia que era uma cidade pequenininha, charmosa, romântica e tals, mas acabei encontrando ali, bem felizmente, muito mais do que esperava. Até porque a cidade "nova", fora das muralhas, é grande e super bem estruturada. Um urbanismo bacana, bem pensado e funcional, sem comprometer em nada a bela arquitetura da cidade - a maioria dos estacionamentos é subterrânea, o transporte público é legal, os caminhos para pedestres são bem marcadinhos.
 Na parte "nova" é onde ficam várias das escolas de francês - sim, porque tem muita gente que escolhe Carcassone como lugar para cursos da língua. Ali também ficam a maioria dos hotéis, o centro comercial (além das fast fashion de sempre, tem umas lojinhas locais bem legais, sobretudo de coisinhas para casa) e o mercado, limpíssimo e ultra organizado - ótimo lugar, por sinal, para conhecer e degustar queijos, ostras etc; e também para ver a curiosa maneira como os franceses costumam deixar as aves à venda.
 Mas é dentro das muralhas que fica mesmo a parte mais fofa de Carcassone: a parte antiga, de ruelas medievais, de hotéis de charme, de restaurantes premiados, de clima light, light, light - e ultra romântico. São, na verdade, duas muralhas concêntricas, formando um conjunto arquitetônico bem interessante, com mais de 50 torres.  Foi ali que eu fiquei hospedada no fofíssimo Hôtel de la Cité (vem review sobre ele logo mais, aguardem).


  Patrimônio da Unesco desde fins dos anos 90, trata-se da mais antiga cidade fortificada francesa - são várias as histórias bacanas ligadas ao nome da cidade, à Catedral, ao antigo Castelo, aos poços de água. Ali na cidade antiga são hoje apenas 50 moradores e todos, obviamente, se conhecem - o restante dos imóveis está totalmente ocupado por hotéis, restaurantes (o cassoulet é o prato típico da cidade e da região) e lojinhas mil (com destaque óbvio para sabonetes e afins e chocolates, mas também muita coisa legal de décor).  Ali fica, inclusive, o ótimo restaurante La Barbacane do chef Jérôme Ryon, estrelado no Michelin (minha melhor refeição de toda a viagem, btw).
A cidade "nova" vista do Castelo da cidade amuralhada

Abusada: Carcassone tem duas muralhas concêntricas


Chocolates, chocolates, chocolates
A pracinha principal dentro das muralhas é endereço perfeito para fins de tarde e noite

Uma das portas que separam a cidade nova da antiga
A principal rua do comércio, na cidade nova, é todinha para pedestres
The simple life: a feira semanal na praça principal da cidade nova
 Nos arredores, o passeio mais bacaninha é o micro cruzeiro pelo Canal du Midi. O embarque fica no distrito de Trèbes, a 20 minutinhos das muralhas, e o passeio dura de 1h30 a 3h, dependendo do roteiro escolhido (o de 1h30, que eu fiz, vale 8,50 euros por pessoa). O passeio é feito em barquinhos para até oito pessoas que trafegam na verdadeira piscina formada pelo rio - com direito a "caminho" em cima de uma ponte e passagem na ida e na volta por uma das menores e mais antigas eclusas em funcionamento no mundo. Gracinha.

As aves à venda no mercado
O bucólico Canal du Midi
A mini eclusa para dois barquitos
Gárgulas everywhere, é claro
Sabonetes, sabonetes, sabonetes
A genial cozinha de Jérôme Ryon...
... e o próprio, trazendo pratos à mesa no restaurante <3
Meu quarto no fofo, fofo Hôtel de la Cité

Para quando você for:
- o aeroporto de Carcassone (CCF) recebe voos de London Stansted, Dublin, Porto, Bruxelas-Charleroi e algumas outras poucas cidades européias. Por isso mesmo, a maioria dos visitantes chega ali em trem ou de carro alugado, vindos de outras cidades da região, ou então via o aeroporto de Tolouse, muito melhor estruturado e distante cerca de 1h de carro/transfer.