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23 de mai. de 2013

Pra lá de Marrakech: sugestões de escapadas para quem tem tempo na cidade

A cadeia do Atlas ao fundo
 Quem tem mais tempo em Marrakech (tem muita gente indo em lua-de-mel para lá e também existem pacotes ba-ra-tér-ri-mos saindo de Madri para uma semana na cidade), pode - e deve - programar também umas escapadas da cidade para ver lugares lindos e diferentes. Sendo assim, duas escapadinhas desde Marrakech que eu continuo achando imperdíveis são a linda, linda Essaouira, já na costa, e o adorável vale de Ourika.
 Os passeios a Ourika geralmente incluem, além da linda paisagem da viagem pelo vale (na primavera, as árvores do caminho estão lotadinhas de roas, amêndoas e até cerejas), com vistas para as montanhas do Atlas (o que, na minha opinião, por si só já valeria o passeio), paradinhas em jardins de especiarias, produtores de azeite e cooperativas femininas que produzem cositas à base de Argan. Na metade do passeio, na "base" (a.k.a. restaurante) escolhida para almoço, costumam oferecer um opcional de hiking em Setti Fatma para ver as três cachoeiras mais famosas dali. Ter um tempinho para explorar um pouco a vila onde fizerem a parada de almoço é essencial: são sempre lugares bem pequenos, pouco turísticos e bem tradicionalistas - é interessante observar até a própria reação aos turistas.
Um dos jardins de especiarias do vale
O começo da trilha para as cachoeiras
O clima sossegado das vilas do caminho
Muita água, verde e montanhas durante todo o programa em Ourika
Marroquina simpática dando duro para produzir óleo de argan
  No caso de Essaouira eu recomendo muito que se durma ali por uma noite ao menos porque a cidade tem aquela vibe francesa que todo mundo adora mas mantém mais a essência árabe que Marrakech, até porque tem menos turistas. O centro histórico é pequeno, dá bem para explorar em pouco tempo, e tem ótimos restaurantes e excelentes hotéis, de riads econômicos cheios de charme a hotelaços cinco estrelas - tem um Sofitel incrível na Medina que vale a visita mesmo para quem não está hospedado (um café, um chá, almoço, um relax no hamman). O souk da Medina é mais barato que o de Marrakech e ainda mais agradável, já que pega sombra em boa parte do dia mas é todo ao ar livre.
As muralhas da Medina de Essaouira
A vibe hitchcockiana ("oooooos pássaros!) que sempre rola no cais
Detalhe do cais
Os cafés de herança francesa
As casas da Medina, ao contrário de Marrakech, são quase todas branquinhas, branquinhas
Essaouira dá praia!
O souq ao ar livre
O bom é que tanto o vale de Ourika quanto Essaouira estão bem próximos de Marrakech e dá também para fazer um bate-e-volta de um dia para qualquer um dos dois destinos. Os passeios de um dia são amplamente vendidos em todas as recepções de hotel e até em alguns restaurantes (incluindo aquele terraço da Praça Djeema el-Fna em todo mundo vai para tirar fotos da praça lá de cima).
Outro passeio bastante vendido é o que vai Oukaimeden - mas esse é um day trip comum durante o inverno, já que a cidade é famosa por seu centro de ski. 

25 de mar. de 2013

Saqqara e Memphis: ótima opção de bate-e-volta do Cairo


 Fiquei tão positivamente impressionada com o Cairo e envolvida com a cidade durante meus dias por ali que tinha abortado, em princípio, a ideia de comprar passeios opcionais para outras localidades a partir dali (eu tinha Gizé incluída no meu tour da AbercrombieKent, é claro).
Mas acabei resolvendo, no último dia na cidade, investir 300 obamas num tour privativo, já que queria fazer a “Cairo Islâmica” com alguém me explicando tintim por tintim sobre as mesquitas e lugares que eu visitava (e também me acompanhando no furdúncio do mercado) e resolvi incluir Saqqara e Memphis também, já que a maioria dos meus companheiros de cruzeiro tinha ido até lá e gostado muito. E foi mesmo bem legal.
Saqqara e Memphis são duas cidades mezzo vizinhas que ficam, assim como Gizé, na chamada Grande Cairo, nos arredores da cidade. Chegar até a primeira delas, se o trânsito estiver bom, leva cerca de uma hora, tanto que a maioria das operadoras locais vendem passeios de meio dia para lá, com duração total de 4h.
Em Memphis, minha primeira parada, que já foi capital do Egito baixo e do Antigo Reino do Egito lá por 2200 antes de Cristo, fica o gigante Colosso de Ramsés II, mantido deitado dentro de uma estrutura coberta para limitar danos.  Ao redor, ficam elementos das ruínas da cidade dispostos como museu ao ar livre (e são Patrimônio Mundial da Unesco também). 




 Saqqara foi a antiga necrópole egípcia e ali se encontra também a mais antiga pirâmide do mundo ainda preservada. Construída na época de Djoser (2667 antes de Cristo), essa pirâmide (também rodeada por outras menores) é o mais antigo complexo construído em pedra da história. Saqqara acabou ofuscada após a construção das necrópoles em Gizé e no Vale dos Reis mas foi um lugar importantíssimo para funerais e outras cerimônias por mais de 3 mil anos.  O local é pequeno e a gente não demora mais que uma hora para percorrer tudo; mas ainda assim vale muito a visita, sobretudo para ver de perto como essa pirâmide (escalonada) difere na forma das pirâmides de Gizé, por exemplo. 





Bate-e-volta legal mesmo para quem tem pouco tempo na cidade. 

5 de jan. de 2013

Passeio de um dia a Nápoles e Pompéia desde Roma

O Frecciarossa: achei carinho mas bem confortável
CONHECER Nápoles (sou da turma que gosta bastante da cidade) e CONHECER Pompéia, no mesmo dia, na minha opinião é coisa que não dá. As ruínas de Pompéia a gente conhece bem num dia, mas Nápoles é uma cidade grandinha. Agora, fazer um bate-e-volta de Roma para conhecer Pompéia e dar um rolê básico em Nápoles é algo perfeitamente possível na minha opinião. Eu mesma já fiz isso: ir cedo, percorrer Pompéia todinha e pro final da tarde dar um passeio em Nápoles, ver o mar, comer um bela pizza napolitana e um sorvetinho é um programão.
O trem da Circunvesuviana: pegamos um excelente na ida e um velhaço, caindo aos pedaços e com cheiro terrível, na volta 
 Era isso que tinha planejado nessa "Roma com amigos" de novembro passado. Mas tivemos uns percalços e, well, se por um lado Pompéia deu bem certo, Nápoles simplesmente não rolou.
Não queriamos acordar muito cedo, então pegamos um trem a Nápoles das nove da manhã. Um Frecciarossa ótimo (comprar pela internet antecipadamente pode garantir umas promos - tks, JB!), com wifi, assentos confortáveis, rapidão, tudo beleza - só que houve um pepino na ferrovia e ficamos quase uma hora presos. Chegamos a Nápoles já bem atrasados mas conseguimos bem rápido pegar o trem da Circunvesuviana para chegar a Pompéia (ainda não sabemos o porquê, mas pegamos as catracas liberadas na ida; mas o melhor é já comprar ida e volta, por praticidade). O dia estava feio e não demorou muito para começar a chover.
 Da estação de Pompéia à entrada das ruínas são, literalmente, minutinhos de caminhada. Pegamos a bilheteria (11 euros) quase sem fila. Fizemos a maior parte do passeio por Pompéia sob chuva mas nem por isso achei menos interessante; perde em beleza, claro, com o dia tão cinza. E chateia, porque a gente não tem onde se esconder da chuva nunca (exceto pelo restaurante). Mas continuo achando aquelas ruínas incríveis; passamos horas e horas nesse passeio e só saimos do parque quando já estava bem perto da hora de fechar. As termas, as colunas, anfiteatro, cerâmica, mosaicos... gostei como se fosse pela primeira vez.











 No final da tarde, ainda sob chuvinhaa fina, voltamos à estação de Pompéia para pegar o trem de volta a Nápoles - não tinhamos muito tempo, então pensamos em só comer a napolitana da Da Michele e voltar a Roma (nosso trem era de sete e pouco da noite). Mas Murphy-amigo nos pregou outra: o trem, que costuma dar as caras de vinte em vinte minutos em média, atrasou uma eternidade e chegamos a Nápoles, infelizmente, muito tarde. Só tivemos tempo para um cafezito na estação mesmo antes de pegar o trem de volta a Roma. Mas, ó, acho que, mesmo sem Nápoles, o passeio valeu, viu?

P.S.: para efeito de informação, pagamos 49 euros o trem Frecciarossa ida e volta a Nápoles (dá pra ser mais barato se pegar promo melhor ou se tomar o regional, que demora mais) e 2,80 a perna de Nápoles a Pompéia pela Circunvesuviana.

17 de set. de 2012

Lucca: escapadinha linda de Florença

 Dos muitos passeios tipo bate-e-volta altamente recomendáveis a partir de Florença (e também de várias outras "bases" toscanas, é claro), Lucca é dos mais práticos e encantadores. Os trens partem da estação fiorentina de Santa Maria Novella para lá ao longo do dia todo, em trajetos diretos, que custam desde 6,40 o trecho, com duração de 1h20 cada perna.
 Eu já tinha feito esse mesmo passeio em 2009 com minha irmã e refiz agora em setembro com meu irmão mais novo, com mais calma e tempo (causo de família :D). Logo ao sair da estação de trem a gente já dá de cara com a cidade antiga amuralhada (quem vai de carro também chega ao centro histórico rapidinho). São várias as "portas"  pelas quais podemos entrar nessa antiga fortaleza, mas a Puorta San Pietro costuma ser a mais utilizada.
Passear por "dentro" da muralha: também pode!
 De lá, o gostoso é ir andando sem rumo pelas ruelas, dando de cara com lindezas arquitetônicas aqui e ali - a cidade amuralhada é pequenininha, zero risco de ficar perdido por ali. Recomendo muito visitar a Catedral de San Martino, o Teatro del Giglio e a igreja de San Michele, com paradinhas providenciais nas muitas praças da cidade. Também dá pra visitar a casa natal de Puccini, convertida em Museu, e subir em duas das muitas torres medievais da cidade (a do relógio e a Guinigi).

 Mas, para mim, nada em Lucca é mais encantador que seu antigo anfiteatro romano. A Piazza Anfiteatro, que já foi um grande "coliseu", ainda conserva as casas que substituiram as arquibancadas na modernidade, rodeando a arena que foi convertida em praça. Nela, montes de cafés e restaurantes que espalham por ali suas mesinhas e mais lojinhas, fontes de água potável e gente do mundo inteiro zanzando à pé e em bicicletas de lá pra cá.





Os mais consumistas ainda encontram várias das marcas populares mais comuns nas muitas lojas das vias Fillungo/Cenami e Veneto/Calderia, além de deliciosos cafés.
Programaço também por ali é alugar uma bicicleta não só para rodar pelas ruelinhas do centro como também para andar "sobre" as muralhas no lindo passeio público, cheinho de árvores e flores, construído literalmente nas muralhas medievais, para terminar o dia perfeito.