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1 de jul. de 2013

The Urban Tea Merchant: as delícias da TWG em Vancouver

O slogan ("cada gole é uma viagem") já não é uma graça?
Logo no dia da minha chegada a Vancouver, troquei um almoço comme il faut por uma visitinha à The Urban Tea Merchant, uma loja de chás que anda atraindo todos os holofotes na cidade. A bem da verdade, não se pode chamar a Urban Tea de "loja de chá", que ela é muito mais do que isso; é praticamente dar um mergulho de cabeça nesse mundo perfumado das infusões.
O atendimento, divino, é absolutamente personalizado, até você descobrir que tipo de chá prefere e qual quer provar ou comprar naquele dia
Eles são os revendedores autorizados da luxuosa (e deliciosa) TWG Tea, a mais reconhecida produtora e exportadora de chás do planeta. Baseada em Cingapura e considerada uma verdadeira instituição por amantes da bebida, surgiu como uma espécie de referência ao grande papel da ilha no comércio e produção de chás e especiarias e suas três letrinhas seriam as iniciais de The Wellness Group. A verdade é que todo mundo que prova um chá da TWG, mesmo que não seja um grande fã da bebida, acaba guardando essas três letrinhas de tão perfumados e saborosos que seus produtos costumam ser.
A estética da loja é incrível: cheia de luz natural que entra pelas imensas paredes de vidro e com uma disposição de cores, embalagens e itens de decoração que remetem à Ásia por todo canto, distribuídos em elegantes móveis de madeira escura.
As embalagens dos chás da TWG são um capítulo à parte: sejam em caixinhas ou latinhas multicoloridas, impossível não se deixar seduzir por tamanho apelo visual.
O que eu não conhecia ainda da marca e fiquei conhecendo ali (e até trouxe duas delas para casa!) foi a coleção Weekend Collection, que criou chás especiais, de diferentes aromas, inspirados em diversos destinos do planeta, de Saint Tropez a Shangai. Absolutamente inspirador :D
O negócio do chá é levado tão a sério que na Urban Tea tem um "sommelier de chás" permanentemente para ajudar os clientes mais indecisos (tipo eu :D) a decidirem o que querem provar ou levar.  A escolha do chá começa com um funcionário te abrindo as grandes latas de chá que você escolher para sentir os aromas até você definir seu top 3. Então Reza, o sommelier, preparou três micro porções dos chás cujo aroma eu tinha gostado mais para eu provar rapidamente e fazer minha escolha final.
O simpático sommelier de chás Reza me entregando as 3 micro porções de cha para eu degustar
São mais de 800 tipos de chás da TWG diferentes à sua escolha. Vai dizer que não é uma mão na roda ter um sommelier de chás ali? :D
Até porque, por mais que a gente tenha um tipo de chá favorito, acho que num lugar como esse o grande barato é abrir-se para o novo e provar algo diferente. Embora tenham me contado ali na loja que estão super acostumados a atender brasileiros por ali, tem um Tea Book que ajuda bastante se você quiser ler sobre a composição dos chás antes de dizer de quais quer sentir o perfume.
Além da loja linda no andar térreo, a Urban Tea tem um providencialíssimo mezanino onde você pode provar não apenas os deliciosos chás que eles vendem como também degustar as delícias exclusivas que eles mesmos produzem ali, com direito a chef e tudo. Você pode pedir simplesente um high tea tradicional ou apostar numa das criações da casa, que literalmente valem por uma refeição. E com ambiente super informal, relax, descontraido, zero frescuras.
Eu pedi o meu chá em duas versões (uma gelada e uma quente, tradicional) e fui na combinação West Coast de comidinhas, que contava com muitos frutos do mar e uma carinha meio havaiana na apresentação ;) Tudo delicioso.
Além dos chás de mil e um jeitos - as latinhas prontas, a compra a granel, os saquinhos tradicionais - a Urban Tea também vende utensílios para amantes desse mundinho, de xícaras modernosas a chaleiras super tradicionais (tem até folheada a ouro! o.O)
Vontade de comprar tudim
Um dos funcionários levou 3 tipos de chá diferentes para clientes que queriam provar outro chá durante o high tea fazerem sua escolha final
Macarrons divinos acompanhavam meu chá
Close da Weekend collection
Objetos mil à venda para amantes de chazinhos e afins
Achei até uma chaleira MARI por lá :D  (mas não comprei por razões... well... econômicas)
E sabem o que eu mais gostei da minha visita? Ficar sabendo que a loja é uma propriedade familiar (a família toda está envolvida ali no dia-a-dia) e que a decisão de abri-la veio justamente durante uma viagem. Sim, a família proprietária também é travel maniac e eles se decidiram por abrir uma loja de chás, e com a chancela TWG, durante um giro de cinco meses (!) que fizeram pelo planeta. Gracinha. 

3 de dez. de 2012

De tapas pelos mercados de Madri

 Sair de tapas em Madri é, sem dúvida (e me desculpem), meu programa predileto na cidade.  E acho sensacional que, desde a primeira vez que estive lá, há 12 anos, a cidade não parou de se reinventar nesse quesito, com mais e mais bares e botecos abrindo suas portas para gente ávida por petiscos acompanhados de uma bela taça de vinho ou uma caña.
Dentre as grandes ideias gastronômicas - dessa chamada baixa gastronomia madrileña - que surgiram na última década, os mercados arrumadinhos madrileños ganharam definitivamente os turistas. Aliás, eles ficaram tão legais que ganharam também o carinho de vários moradores.
 O Mercado de San Miguel, bem do ladinho da Plaza Mayor de Madri, já faz um tempo que é queridinho dos brasileiros - e continua mandando bem. O único senão é que é sempre suuuuper muvucado e encontrar ali um canto nos balcões pra se espremer é difícil; encontrar uma mesinha pra se instalar, então, é quase um milagre.

 Mas o ambiente é gostoso, com gente do mundo inteiro comendo (e fotografando!!!) os quitutes espanhóis, e é também muito limpo - o pessoal da limpeza passa o tempo todo recolhendo pratinhos, talheres, copos etc. Ali você escolhe o que quer, seja no estilo tapas, seja no estilo prato - tem de tostas e azeitonas a pratos de paella e carnes, além de docinhos, sorvetes e até, well, crepes.

 As azeitonas do quiosque de azeitonas são um clássico do mercado: você pode comprar por espetinho (desde 1,50 cada) ou por pratinhos sortidos (de 2, 3 ou 4 euros).  Combinam com tudo, de caña a sangria.
 Também são clássicos do mercado os quitutes do stand de bacalhau - de 1 a 2 euros cada tosta coberta com bacalhau ou frutos do mar.
 Quem vai para o tapeo no adorável bairro de Chueca deve fazer uma paradinha básica ao menos no fofo, fofo, fofo - e beeeeem menos muvucado - Mercado de San Antón. No subsolo funciona um supermercado e no andar térreo o mercado propriamente dito, com carnes, verduras, queijos, frutas e afins.

 É no segundo andar que o mercado vira cool, cheio de stands para o tapeo - das tapas tradicionais aos sorvetes e um monte de sushis.

 As tapas são super estilosas, com aquele jeito bonitão dos pintxos do país basco, e tem também uns pratos bem caprichadinhos, tanto individuais quanto para dividir - e encontrar uma mesinha ali para fazer uma boa pausa não é difícil, não.
 Mas, para mim, por mais que eu adore o tapeo español, o maior tesouro do Mercado de San Antón está na sua cobertura, no fofíssimo restaurante La Cocina de San Antón.
 Ali, além de ter um terraço lindo, lindo, lindo, com vista para Madri, perfeitinho para tomar um drink ou uma taça de vinho, seja dia ou noite, também tem o restaurante propriamente dito, que funciona dia e noite num ambiente todo descoladinho, com pratos bem gostosinhos - e baratos.
Mas sobre ele eu falo no próximo post ;)

18 de abr. de 2012

O novo BB Burger do Bar Boulud

 Como vocês podem ver, eu continuo falando de comida aqui.  Mas é que entre tantas visitas e entrevistas que eu programei nos corridíssimos dias em Londres, eu tinha mesmo que ter boas pausas para me dedicar à boa cozinha :-)
 Um dos programas noturnos foi voltar ao Bar Boulud, que eu já conhecia da viagem de fevereiro do ano passado. O Bar Boulud de Londres, para quem não sabe, fica dentro do ubber Mandarin Oriental London, com uma entradinha independente bem em frente à saída do metrô Knightsbridge para os não hóspedes. Pois a casa continua tão lotada e animada quanto no ano passado. Fui numa quinta à noite e não tinha uma única mesa ou cadeira do bar vazia. Aliás, o que eu mais gosto do Bar Boulud de Londres é aquela falação super relaxada e constante que não é muito comum nos restaurantes da cidade; é super informal e eu recomendo muito também para quem viaja sozinho - as mesas são próximas e é muito fácil engatar um bom papo com os vizinhos.
A muvuca desfocada
 Eu não sou muito da turma dos sanduíches, mas tinham me recomendado fortemente provar o novo BB Burger (18 libras), que também tinha acabado de ser lançado: aquele farto hamburguer tradicional do Daniel Boulud, bem úmido, acompanhado agora de uma generosa fatia de foie gras selado. Acatei a recomendação na hora e aprovei 100%: carne super tenra, foie gras perfeito, batata frita sequinha e crocantíssima - e ainda acompanhei tudo isso com uma bela taça de malbec.
Close no hamburgão
 Depois da comilança (um adendo: para uma mulher, é um baita de um banquete, mas continuo achando que o tamanho do BB Burger é pequeno para o paladar masculino para hamburguers), nem quis pedir sobremesa. Mas, ao pedir um espresso pra fechar o jantar, a garçonete trouxe junto um adorável pratinho de macarrons que, obviamente, eu não pude fazer a DESFEITA de recusar :-))))
O mimo genial para encerrar o jantar
(beijo, Boulud!)

Pret-à-Portea: o chá mais mulherzinha ever

A capa do cardápio já avisa o fru-fru que vem pela frente ;-)
 A gente curte um bom chá da tarde. Na verdade, nem precisa ser o chá com toda pompa e circunstância, mas aquela paradinha providencial para consumir uma reconfortante bebidinha quente e uns petiscos cheios de açúcar, certo?
A mesa posta, me "esperando" - atente para as porcelanas divinas de Paul Smith
 Mas, em se tratando da terra da rainha, entrar de cabeça em pelo menos um autêntico english afternoon tea durante a viagem, é meio que mandatório. Só que eu, dessa vez, depois de provar alguns afternoon teas bem cheios de pompa real na cidade, tava mais era procurando um chá diferente, mais modernex, mais cool. Foi então que a lindona Consuelo Blocker me fez lembrar do fofíssimo Pret-à-Portea oferecido pelo hypado The Berkeley.
O menu todo explicadinho
 Não bastasse o chá ser todo fashionista (como ele mesmo se define) e feminino até a alma, a "nova coleção primavera-verão" (!!!) tinha acabado de ser lançada, com os quitutes servidos no chá todos inspirados nas coleções que Gucci, Fendi, Louboutin, Miu Miu, Valentino e outras top brands tinham mostrado recentemente nas passarelas.
É claro que o The Caramel Room, o salão de chá do Berkeley, estava tomado 95% por mulheres. Sozinhas, em duplas, em trios, em família. Uma de olho na mesa da outra, risinhos, risadas, papo aqui, papo ali, um sem fim de fotografias com câmeras e celulares (os garçons trabalham duro na maratona fotográfica ali também :-D). Não demorou muito para estarmos todas praticamente tomando chá juntas, cada uma em sua respectiva mesa :-))))
Os sanduichinhos são os primeiros a chegar
 Pra começar, a gente recebe um pratinho charmoso com sanduichinhos tradicionais dos afternoon teas, como de pepino, de salmão defumado etc. Mas é quando desfilam pelo salão os suportes de chá com três andares de lindezas comestíveis que tudo para - mesmo que você já tenha o seu bem diante do seu nariz, todo mundo olha o que está chegando numa nova mesa ;-P
A mesa posta, incluindo o "menu" que explica em que peça, de qual estilista, o docinho foi inspirado
 O garçom mostra que docinho remete à qual peça da coleção primavera-verão e explica os ingredientes de um por um e deixa o mostruário bem do seu ladinho pra você saber exatamente que peça está comendo. Gostei muito, muito de praticamente tudo: meu docinho preferido foi  a tortinha inspirada no look safari de Michael Kors e o que menos curti foi justamente a linda bolsinha D&G que todo mundo acaba deixando para o final (dá dó comer essas miniaturas tão perfeitinhas!)
Andar de baixo...
... e andar de cima - não é genial a mousse-vestido???
Minhas vizinhas de mesa eram ótimas de papo e tiraram, acredite, muito mais fotos do chá que eu :-)
 Tanto os sanduichinhos quanto docinhos e bebidas quentes são repostos quantas vezes você quiser (a maioria das pessoas faz reserva para 14h, e substitui o almoço pelo chá :-D) - recomendo muito a infusão signature da casa, a Caramel Indulgence, deliciosa, com a borda da xícara meio salgadinha.
A torre de delícias acoampanhada do chá de caramelo
Fazer reserva é mandatório: o salão ficou lotadinho durante todo o tempo que estive lá. O chá vale 39 libras por pessoa (ou 49 se você quiser "abrir os trabalhos" com uma bela taça de champagne Laurent-Perrier) e é servido todos os dias das 13h às 18h.
Garantia de uma tarde deliciosa e divertidíssima.

3 de out. de 2011

Inci Pastanesi: história "doce" de Istambul

 A Ìnci é uma verdadeira instituição de Istambul. Na verdade, uma instituição turca: dizem por lá que não existe turco que não conheça a Ìnci, nem que seja pela TV. É que o lugar aparece desde sempre nos filmes como cenário dos encontros mais românticos evah.
 Ao vivo e a cores, não tem nada disso. É um lugarzinho pequeno e apertado ao lado das grandes lojas da avenida mais movimentada do bairro de Taksim (İstiklal Caddesi 124). A maioria das pessoas não consegue nem mesa para sentar (são só cinco, bem apertadinhas) e, quem senta, geralmente sucumbe à pressão de terminar logo para deixar o lugar pra outras pessoas. E ali não se serve nem café.
 Maaaaassss... a casa é famosa por seus chocolates, que até hoje figuram entre presentes queridos por quem os recebe em caixas coloridas, com detalhes prateados. E a grande estrela da casa são os profiteroles, que são servidos sem glamour nenhum, por dois tiozinhos, em grandes colheradas depositadas em pratinhos brancos.
 Eles vão sendo enfileirados no balcão conforme manda o movimento da casa. Cada um pega o seu na entrada e segue adiante, procurando um cantinho para comê-lo.
 O prato deve ter umas cinco mil calorias, mas ninguém se importa: todo mundo lá tava com cara de criança, comendo guloseima no sábado à tarde. E  é bem gostosinho mesmo (5 TL)
 Gizuis.
 O negócio é tão disputado que vai todo mundo se encaixando no balcão pra comer.
E é tão corretinho que, depois de se fartar com a guloseima, cada um vai até uma mocinha no final da loja e paga sua parte.
Vale pela atmosfera super peculiar e é prato cheio para solo travelers se fartarem com people watching ;-)