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16 de ago. de 2011

O tal aeroporto de Bergamo, na Itália: é furada?

Falando em transfers... Que eu voei de Ryanair pela primeira vez esse ano, todo mundo que lê o blog e me segue no twitter já sabe. E, desde que eu encarei um voo com a companhia para Milão na Itália, tenho recebido muitos mails e tuites de gente me perguntando se voar para o aeroporto de Bergamo é furada ou não. Sim, porque os voos da Ryanair não chegam em nenhum dos dois aeroportos de Milão propriamente, Malpensa e Linate: chegam numa cidade vizinha, Bergamo, num aeroporto que tem 90% de supremacia da própria Ryanair.
Eu, na verdade, não estava nem cogitando voar de Ryanair pra lá, justamente por essa história do aeroporto em outra cidade; estava careca de ver o povo reclamando horrores de Beauvais, que é o aeroporto de “Paris” da companhia. Foi meu irmão, que tinha voado de e para lá no ano passado, que me tranquilizou, dizendo que o transporte pra Milão era muito fácil e confiável, apesar da distância. E, com a imensa diferença tarifária da Ryanair pras outras companhias nesse trecho, eu resolvi encarar. E, quer saber? Recomendo.
O aeroporto é uma piada. Feio, desorganizado, confuso visto da entrada, parece mais uma rodoviária. Mas funciona. Dentro é ajeitadinho, tem free shop, praça de alimentação (um McDonald´s que vive LOTADO) e até duas salas vip filiadas ao Diners Club. Mas não tem finger nenhum: todo mundo desce na pista mesmo (thanks God a chuva só começou DEPOIS que eu cheguei, porque ia encharcar mesmo).

Mas o que todo mundo mais me pergunta é sobre o tal trajeto entre o aeroporto e Milão. Olha, achei dos males o menor. Não, não tomei táxi porque cobram uma fortuna; tomei um dos muitos shuttle que fazem a linha, como a Autostradale. Você pode comprar seu ticket antes, pelo site, na hora H, ali na bilheteria ou até na porta do bus, ou, o que eu achei mais legal, em pleno voo (já que a Ryanair vende mesmo Deus e a mãe à bordo :-D).
O trajeto durou 45 minutos, os ônibus eram super confortável e só há uma parada, na Stazione Centrale, de onde todo mundo segue pro seu hotel em táxi ou metrô, super fácil. No fundo, esse é exatamente a mesma duração do trajeto do shuttle que vem de Malpensa e de Linate; ninguém “perde” tempo da viagem por embarcar ou desembarcar em Bergamo. E os ônibus saem das 4h30 até meia-noite a cada 20 minutos, bom pra todo mundo.
Esse é o tipo de economia que não me parece perrengue, não. Tudo correto, direitinho, funcional. E se viajar de Ryanair e descer em Bergamo significa uma economia de dindim grande o suficiente pra eu curtir mais minha estadia em Milão (ficando num hotel bacana, por exemplo), eu acho super “topável” : - )))))))))))

2 de ago. de 2011

Hotel Review: Four Seasons Milano

 O Four Seasons Milano ganhou agora posto de queridinho pra mim - achei o melhor Four Seasons no qual já me hospedei até hoje (ok, confesso que também tenho um carinho mais que especial pelo de Lisboa...). O prédio, na Via Gesù, a literalmente passos da luxuosa Monte Napoleone, era originalmente um convento renascentista e várias de suas paredes ainda estão cobertas de afrescos (e aparecem umas colunas maravilhosas aqui e ali). A localização não poderia ser melhor: dá pra ir a pé a qualquer cantinho interessante de Milão - são cinco minutinhos caminhando até o Duomo, por exemplo.
 Os quartos são muito, muito grandes, espaçosos, iluminados e elegantíssimos, como se esperaria mesmo de um hotel desse porte em uma cidade como Milão. Todas as unidades dão vista ou para o belo átrio interno ou para as ruas do centrinho, com grandes janelas.
 O banheiro é excelente, com as irretocáveis amenities da La Prairie e a banheira mais eficiente que já vi - são exatos 90 segundos para enche-la, uma maravilha. Walking closet gigante, com espaço para malas, compras e afins.
 Mas, não bastasse a arquitetura e decór, que me cativaram assim que entrei no edifício, o atendimento é muito, muito cálido, com aquele jeitinho da acolhida italiana calorosa de antigamente.
 Como em Dublin, a internet é paga (wifi ou cabo, 12 euros cada 24 horas) mas é totalmente gratuita no excelente business center do térreo.

 Tem um belo fitness center, mas definitivamente faz falta ali um spa ou ao menos uma jacuzzi e sauna - dizem que na primavera de 2012 as obras do subsolo estarão concluídas e que será o maior spa de Milão.
 O restaurante é uma fofura, com atendimento muito simpático mesmo. Café da manhã (não incluído) à la carte, assim como almoço e jantar (fica aberto direto, o que é uma mão na roda). E à noite tem piano bar ao vivo. Não cheguei a ver, mas me disseram que ali rola o mais concorrido brunch dominical da cidade.
O que eu sei é que ali tomei o melhor capuccino de toda a viagem ;-)
Hotelaço.

1 de ago. de 2011

Milão: un´altra volta

Lembra do papo das cidades de uma vez só de meados de julho? Pois volto a bater na mesma tecla: acho que nenhuma cidade pode se dar por encerrada para um viajante. Ou, melhor: na minha modesta opinião, toda cidade merece ao menos uma segunda chance.
Estive em Milão pela primeira vez em 2005. Eu já conhecia – e amava – várias outras cidades italianas, visitadas em outras viagens, e ficamos uns dias na cidade na volta de uma deliciosa viagem pela Grécia. Era julho, fazia muito calor. E eu fiquei comparando Milão o tempo todo com minha amada Florença, ou Roma, ou Nápoles, ou Veneza, ou...wherever. Não é que eu não tenha gostado de estar ali; mas os dias à milanesa foram bastante decepcionantes, então.
E daí voltei eu a Milão, pruma viagem-rapidinha, exatos seis anos depois. E então eu tinha mudado muito, muito mais que a cidade nesse período. Estava morrendo de saudades da minha amada Itália e foi só desembarcar no aeroporto, debaixo de chuva e tudo, pra ficar feliz.  Cheguei tarde da noite, fiz check in num hotel maravilhoso e, ainda assim, saí para dar uma voltinha. Extasiada como se fosse a primeira vez.
Porque, afinal, nessa última visita eu não fiquei comparando Milão com outras cidades italianas que me são tão queridas. Milão é Milão, oras! E Milão é, a seu jeito, incrível. É como querer comparar São Paulo com o Rio ou com Salvador ou com Ouro Preto. NÃO DÁ. Cada uma é linda e fascinante do seu jeito, e pra cada pessoa por um motivo diferente. Eu parei de procurar coisas das outras cidades em Milão e me dispus a simplesmente ENTENDER a beleza de Milão. E que beleza eu achei.
Não tô falando do Duomo, que, particularmente, eu sempre achei mais bonito, muito mais que o de Florença, por exemplo. Nem do desbunde do Scala, um dos teatros mais maravilhosos no mundo, na minha opinião. Tô falando do prazer de andar pelas suas ruas e ouvir muito mais milaneses (uia!) que turistas. Das pessoas lindas e elegantes o tempo todo, das socialaites aos mendigos. Do italiano gostoso e cantadíssimo que todo mundo fala. Da baita oferta musical e cultural em geral. Das lojas-desbunde da Montenapoleone e adjacências. Da Puorta de Venezia no meio da avenida. Das ruelas super sossegadas, sempre com uma lambreta aqui e ali, no meio do vuco-vuco do centro, como se estivessem num universo paralelo. Dos restaurantes estrelados. Dos drinks mais caros mas mais caprichados em todo canto. Do autêntico risotto a milanesa, amarelinho, amarelinho. Das vinotecas estupendas. Do ritmo de vida que parece parar no gramado da Villa Comunale. Do trânsito mais intenso mas mais civilizado do que eu já vi em qualquer outra cidade italiana.
 Bom, mas essa sou eu. E essa é a MINHA nova Milão.
O que eu quero dizer é: não risque uma cidade do seu mapinha, não. Se ela te conquistou de cara, volte sempre. Se os santos não bateram, dê, ao menos, uma segunda chance à pobrezinha. Você pode se apaixonar também ;-)