Viajar ao Equador e não pensar no meridiano 0, nas latitudes do planeta e no folclore de estar "na metade do mundo" é impossível. Então, não à toa, o Monumento Mitad del Mundo é das atrações turísticas mais visitadas de todo o país - sobretudo em se tratando de turistas que visitam a capital Quito, é claro.
O Monumento fica nos arredores de Quito, a mais ou menos 40 minutos de carro do centro da capital. É possível chegar lá em táxi, tours (todos os receptivos locais fazem o tour diariamente, sozinho ou incluído em outro passeio, como Otavalo, por exemplo) ou em scooters alugadas. Chegar é simples e bem sinalizado, em boa estrada.
A entrada ao monumento custa 2 dólares por pessoa e o local conta com, além do monumento em si e uma espécie de relógio solar (a famosa Cruz Andina) com a linha do Equador "desenhada" em amarelo no chão, com uma sequência de lojinhas de artesanato/lembrancinhas, lanchonete e até uma agência dos correios que, obviamente, carimba os postais e cartas com um selo especial que diz "Mitad del Mundo". Dentro do monumento tem um mirante legal para ver a cidade do alto e um museu de povos e costumes equatorianos bonitinho.
Ali, apesar das hordas de turistas e montes de ônibus de excursão no estacionamento, a grande pegadinha é que, o local do Monumento NÃO é o "exato" local por onde passaria o meridiano. O local "exato", na verdade, estaria localizado a quase UM QUILÔMETRO dali, mais especificamente onde fica o Museu Latitud 0.
O Museu é engraçadinho e se vale de um monte de "experiências" físicas para "provar" que estaria no exato local da latitude 0o. 0' 0" - incluindo dar a descarga :) E também tem um carimbo naquele "Machu Picchu style", pra quem quiser carimbar o passaporte.
O programa é típico. Mas não consideraria de jeito nenhum essencial. E, entre Monumento e Museu, fico com o museu, sem sombra de dúvida - do monumento acho que a parte mais legal é a vista.
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4 de nov de 2012
3 de nov de 2012
Hotel review: Casa Gangotena, Quito
Eu estava de olho no Casa Gangotena desde que ele apareceu nas Hot List e It List da Condé Nast e da Travel+Leisure; logo depois ainda ganhou menções no Guardian, NYT e vários outros suplementos de viagem bambambam lá fora.
A verdade é que o hotel é mesmo tudo isso que os meios falaram dele, sim. Completando agora 1 ano de funcionamento, foi também dos grandes responsáveis pela consolidação do centro como opção hoje segura de hospedagem em Quito.
Localizado em plena Plaza San Francisco, a segunda praça mais importante do centro, fica pertinho de quase tudo - fiz todo o centro a pé, de boa, porque está tudo a uma curta caminhada. E dali ao mercado de La Mariscal são dois dólares, três se for para curtir a vida noturna do bairro.
Os funcionários são muitos, e são sempre bem atenciosos, da abertura das portas às gentilezas no café da manhã. A gente faz o check in tomando uma água de flores (uma espécie de infusão gelada de 11 flores diferentes) em dois minutos e já é levado para o quarto. Os quartos ocupam um casarão colonial que estava aos pedaços e foi totalmente restaurado, como bem mostram as fotos por ali. Pisos, tetos (lindos!) e estrutura geral foram mantidos com o jeitão clássico original, mas o mobiliário é todo contemporâneo e colorido. numa mistura bem interessante.
Os quartos são espaçosos e têm pé direito alto e são todos diferentes entre si (o meu era mais sóbrio, com papel de parede cor pastel, mas espiei que existem outros com pinturas originais nas paredes, muito bonitos), e os banheiros são bem grandes também. A vista pode ser para a praça, para o jardim dos fundos ou, menos interessante, para a abóbada de vidro do lounge (que era o meu caso).
O serviço é formal e bem cuidadoso, com prato de frutas típicas de boas-vindas no quarto e docinhos e água na abertura das camas, à noite. Café da manhã completíssimo (3 estações diferentes no buffett mais pratos quentes) e o café da tarde quiteño estão sempre incluídos na diária; algumas diárias incluem também o almoço. O café quiteño é servido todos os dias das 16 às 18h como um clássico chá da tarde, mas com comidinhas doces e salgadas tipicamente equatorianas, uma graça - serviço excelente dos garçons, btw.
As áreas comuns ainda incluem uma adorável biblioteca, lugar perfeitinho para quem quer sossego para leitura ou trabalho. O wifi é grátis e funciona bem no hotel todo.
E ainda tem um terraço no terceiro andar com belíssima vista da cidade antiga.
A verdade é que o hotel é mesmo tudo isso que os meios falaram dele, sim. Completando agora 1 ano de funcionamento, foi também dos grandes responsáveis pela consolidação do centro como opção hoje segura de hospedagem em Quito.
| Frutas locais de boas-vindas, com direito a cartela explicativa |
| O café quiteño servido diariamente aos hóspedes (e também aos não hóspedes) |
| A escadaria restaurada (mas tem também elevador) |
| O café da manhã servido láaaa no fundo |
| Detalhe da fachada |
| O lounge |
| A biblio |
| Detalhe dos tetos originais |
| O belo terraço com vista para a cidade antiga |
| A fachada |
Hotelaço.
Quito : para quando você for
Cositas que vale a pena você saber de antemão antes de embarcar para a capital equatoriana:
- não existem, por enquanto, voos direto do Brasil a Quito, mas é fácil voar via LAN, Avianca, Taca ou Copa para lá, sempre com conexão no hub da companhia escolhida, é claro (eu fui via Bogotá e voltei via Lima). Vale a pena reservar com antecedência ou tentar emitir o trecho com milhas/pontos: comprando com menos de um mês da viagem, paguei 900 dólares (taxas incluídas) pela passagem com saída de SP.
- o aclamado "novo aeroporto" de Quito ainda não está pronto. Ou, melhor, até está; mas como ainda não está pronta a estrada que leva ao aeroporto (viva a América do Sul!), ainda não está operando; deve entrar em funcionamento a partir de março do ano que vem. O aeroporto atual, apesar de pequeno e desorganizado, tem uma grande vantagem: fica em plena cidade - com trânsito bom, a gente leva cerca de 20 a 25 minutos ao centro ou ao bairro La Mariscal
- a moeda corrente no Equador é o Dólar americano (USD). Isso mesmo, dólar, igualzinho nos EUA. Única diferença são as moedas, em geral cunhadas no próprio país - incluindo a curiosa moeda de 1 dólar. Dessas vale a pena tentar se livrar antes de voltar ao Brasil, a menos que você queira colecionar ou voltar ao país em breve, é claro.
- o transporte público em Quito é muito barato - custa cerca de US$0,50, em geral. Mas ainda não existe metrô e os ônibus costumam ser bem demorados e muito, muito cheios. Aconselho o uso dos táxis, inclusive no trajeto aeroporto/hotel (vale também consultar com o seu hotel quanto cobram pelo transfer). Na cidade, mesmo as corridas mais longas - como Centro/La Mariscal ou La Floresta e vice-versa - dificilmente passa dos dois ou três dólares. Para voltar à noite, aconselho sempre pedir ao restaurante ou bar onde você estiver que chame o táxi por você, por segurança - único senão é que à noite a maioria dos carros opera sem taxímetro e cobra bem mais caro pela viagem (de seis a oito dólares o mesmo trajeto acima citado).
- como já contei antes, a zona hoteleira por excelência é também a zona boêmia por excelência: La Mariscal, popularmente conhecida como "gringolândia". Mas os melhores restaurantes estão no bairro vizinho, La Floresta, e o centro histórico, que reúne as melhores atrações históricas da cidade, também está despertando novamente para hotelaria - no último ano, cinco novos hotéis abriram suas portas por lá, além de pousadas e albergues.
- no comércio, há de tudo. O comércio popular está todo reunido no centro histórico; as melhores compras de artesanato, na minha opinião, estão no mercado de La Mariscal; e tem também shopping centers nos bairros mais afastados e residenciais. Quem tem mais tempo pode comprar um tour até Otávalo, que tem a maior feira de artesanato das Américas - mas vale saber que são cerca de duas horas para ir e outras duas para voltar; o grande dia de Otávalo é sábado. Em geral, para artesanatos, pechinchar em Quito é de lei; mas pechinchas suaves - difícil um comerciante dar descontos superiores a 20% do preço originalmente proposto.
- os quiteños são, em geral, muito simpáticos e solícitos: explicam detalhadamente cada pergunta que fazemos. Ainda não estão acostumados com o turismo de brasileiros - somos poucos por ali - mas adoram o Brasil e nosso futebol.
- Quito, felizmente, já não é mais insegura como era antigamente. Até o centro histórico, que vivia em pé de guerra há uma década, está super policiado durante o dia e iluminadíssimo à noite (a iluminação dos monumentos, aliás, é lindíssima). Andei tranquila nos dias que fiquei na cidade, mas sem dar bobeira, é claro. Afinal, como toda capital sul-americana, vale ter cuidado redobrado sempre, mantendo bolsa debaixo do braço, carteira no bolso da frente e esse monte de precauções que tomamos sem nem pensar duas vezes quando estamos em cidades grandes no Brasil também.
- o chá/café da tarde é um hábito super comum para os quiteños: café ou chá + quitetudes como bolos, pães de queijo e afins são de lei lá pelas 16h30, 17h para muita gente.
- Quito fica a 2850m de altitude, então os corpos mais sensíveis podem sentir algo de dor de cabeça ou náusea logo ao chegar na cidade; mas costuma passar bem rapidinho. A gente lembra mais da altitude nas (muitas) ladeiras da cidade, quando cada subida parece sempre pior do que pensávamos durante a caminhada ;)
- Dada a altitude, Quito é sempre fresquinha, beirando os 20 graus muito frequentemente. E também é bastante chuvosa, sobretudo no "inverno equatoriano", que vai mais ou menos de outubro a março. Mas, mesmo nos dias mais frios, vale lembrar que, estando em plena linha do Equador, é mais que necessário usar sempre filtro solar.
Olho: a imigração em Quito foi bem lenta e enrolada na minha chegada; me disseram ali , os próprios funcionários, que costuma ser assim mesmo. Fiquei exatos 65 minutos entre entrar na fila e ser atendida. Quem contrata transfer para o aeroporto deve ter isso em mente, ok?
- não existem, por enquanto, voos direto do Brasil a Quito, mas é fácil voar via LAN, Avianca, Taca ou Copa para lá, sempre com conexão no hub da companhia escolhida, é claro (eu fui via Bogotá e voltei via Lima). Vale a pena reservar com antecedência ou tentar emitir o trecho com milhas/pontos: comprando com menos de um mês da viagem, paguei 900 dólares (taxas incluídas) pela passagem com saída de SP.
- o aclamado "novo aeroporto" de Quito ainda não está pronto. Ou, melhor, até está; mas como ainda não está pronta a estrada que leva ao aeroporto (viva a América do Sul!), ainda não está operando; deve entrar em funcionamento a partir de março do ano que vem. O aeroporto atual, apesar de pequeno e desorganizado, tem uma grande vantagem: fica em plena cidade - com trânsito bom, a gente leva cerca de 20 a 25 minutos ao centro ou ao bairro La Mariscal
- a moeda corrente no Equador é o Dólar americano (USD). Isso mesmo, dólar, igualzinho nos EUA. Única diferença são as moedas, em geral cunhadas no próprio país - incluindo a curiosa moeda de 1 dólar. Dessas vale a pena tentar se livrar antes de voltar ao Brasil, a menos que você queira colecionar ou voltar ao país em breve, é claro.
- o transporte público em Quito é muito barato - custa cerca de US$0,50, em geral. Mas ainda não existe metrô e os ônibus costumam ser bem demorados e muito, muito cheios. Aconselho o uso dos táxis, inclusive no trajeto aeroporto/hotel (vale também consultar com o seu hotel quanto cobram pelo transfer). Na cidade, mesmo as corridas mais longas - como Centro/La Mariscal ou La Floresta e vice-versa - dificilmente passa dos dois ou três dólares. Para voltar à noite, aconselho sempre pedir ao restaurante ou bar onde você estiver que chame o táxi por você, por segurança - único senão é que à noite a maioria dos carros opera sem taxímetro e cobra bem mais caro pela viagem (de seis a oito dólares o mesmo trajeto acima citado).
- como já contei antes, a zona hoteleira por excelência é também a zona boêmia por excelência: La Mariscal, popularmente conhecida como "gringolândia". Mas os melhores restaurantes estão no bairro vizinho, La Floresta, e o centro histórico, que reúne as melhores atrações históricas da cidade, também está despertando novamente para hotelaria - no último ano, cinco novos hotéis abriram suas portas por lá, além de pousadas e albergues.
- no comércio, há de tudo. O comércio popular está todo reunido no centro histórico; as melhores compras de artesanato, na minha opinião, estão no mercado de La Mariscal; e tem também shopping centers nos bairros mais afastados e residenciais. Quem tem mais tempo pode comprar um tour até Otávalo, que tem a maior feira de artesanato das Américas - mas vale saber que são cerca de duas horas para ir e outras duas para voltar; o grande dia de Otávalo é sábado. Em geral, para artesanatos, pechinchar em Quito é de lei; mas pechinchas suaves - difícil um comerciante dar descontos superiores a 20% do preço originalmente proposto.
- os quiteños são, em geral, muito simpáticos e solícitos: explicam detalhadamente cada pergunta que fazemos. Ainda não estão acostumados com o turismo de brasileiros - somos poucos por ali - mas adoram o Brasil e nosso futebol.
- Quito, felizmente, já não é mais insegura como era antigamente. Até o centro histórico, que vivia em pé de guerra há uma década, está super policiado durante o dia e iluminadíssimo à noite (a iluminação dos monumentos, aliás, é lindíssima). Andei tranquila nos dias que fiquei na cidade, mas sem dar bobeira, é claro. Afinal, como toda capital sul-americana, vale ter cuidado redobrado sempre, mantendo bolsa debaixo do braço, carteira no bolso da frente e esse monte de precauções que tomamos sem nem pensar duas vezes quando estamos em cidades grandes no Brasil também.
- o chá/café da tarde é um hábito super comum para os quiteños: café ou chá + quitetudes como bolos, pães de queijo e afins são de lei lá pelas 16h30, 17h para muita gente.
- Quito fica a 2850m de altitude, então os corpos mais sensíveis podem sentir algo de dor de cabeça ou náusea logo ao chegar na cidade; mas costuma passar bem rapidinho. A gente lembra mais da altitude nas (muitas) ladeiras da cidade, quando cada subida parece sempre pior do que pensávamos durante a caminhada ;)
- Dada a altitude, Quito é sempre fresquinha, beirando os 20 graus muito frequentemente. E também é bastante chuvosa, sobretudo no "inverno equatoriano", que vai mais ou menos de outubro a março. Mas, mesmo nos dias mais frios, vale lembrar que, estando em plena linha do Equador, é mais que necessário usar sempre filtro solar.
Olho: a imigração em Quito foi bem lenta e enrolada na minha chegada; me disseram ali , os próprios funcionários, que costuma ser assim mesmo. Fiquei exatos 65 minutos entre entrar na fila e ser atendida. Quem contrata transfer para o aeroporto deve ter isso em mente, ok?
2 de nov de 2012
Um tour pelo mercado de Quito
Eu adoro mercados, todo mundo sabe. O que eu não tenho de paciência para shopping centers, me sobra para mercados e feiras em geral. Quanto mais confusos e coloridos, melhor - não à toa, me realizo sempre nos mercados e feiras da Itália em geral e também adorei mercados em Bangkok, Lima e tantos outros lugares.
Visitar o mercado de Quito, no centro histórico da cidade, já estava mesmo nos meus planos quando descobri que o hotel Casa Gangotena promove essa atividade várias vezes na semana. E, melhor: quem leva o grupo ao mercado é o ultra-simpático e entusiasmado Andrés Dávila, o chef quiteño do restaurante do hotel.
O tour leva mais ou menos 1h30. A gente sai da Plaza San Francisco, onde está localizado o hotel, e vai andando as poucas quadras que o separam do mercado. Mas o Andrés não vai direto ao mercado, não; antes ele vai parando em cada um de seus "fornecedores" para comprar batatinhas numa senhorinha, farinha num moinho familiar, amendoim confeitado de um casal e assim por diante.
Já chegamos ao Mercado com Andrés cheio de compras para o dia em sua sacola - ele contou que vai pessoalmente ao mercado todos os dias para decidir o que cozinhar. Ali, todo mundo o chama pelo nome, abraça, brinca, uma graça. E, pacientes, todos os vendedores vão contando aos turistas do grupo o que é cada coisa, para que se usa, quanto custa. O Andrés ia traduzindo em inglês tudo, para os que não falavam espanhol, e também iam nos dando de quase tudo para cheirar ou provar, enquanto contava que tipo de receita gostava de fazer com cada coisa ou como antepassados equatorianos costumavam consumir o alimento.
A parte dos fundos do mercado é a parte das "ervas". Ali, senhoras vendem, cada uma em seu postinho, ervas e misturas que prometem curar tudo e mais em pouco - desde uma tosse repentina até mal de amor.
No caminho de volta, Andrés faz a mesmíssima coisa: escolhendo outra rota para voltar ao hotel, continua passando por seus fornecedores até chegar à sua cozinha literalmente carregado de compras.
O programaço?Dar mais uma voltinha por sua conta pelo centro e voltar para o almoço. Assim a gente tem a oportunidade de provar, de verdade, tudo o que vimos o chef escolhendo e comprando em seus pratos, bem equatorian inspired.
Bem legal.
Visitar o mercado de Quito, no centro histórico da cidade, já estava mesmo nos meus planos quando descobri que o hotel Casa Gangotena promove essa atividade várias vezes na semana. E, melhor: quem leva o grupo ao mercado é o ultra-simpático e entusiasmado Andrés Dávila, o chef quiteño do restaurante do hotel.
O tour leva mais ou menos 1h30. A gente sai da Plaza San Francisco, onde está localizado o hotel, e vai andando as poucas quadras que o separam do mercado. Mas o Andrés não vai direto ao mercado, não; antes ele vai parando em cada um de seus "fornecedores" para comprar batatinhas numa senhorinha, farinha num moinho familiar, amendoim confeitado de um casal e assim por diante.
Já chegamos ao Mercado com Andrés cheio de compras para o dia em sua sacola - ele contou que vai pessoalmente ao mercado todos os dias para decidir o que cozinhar. Ali, todo mundo o chama pelo nome, abraça, brinca, uma graça. E, pacientes, todos os vendedores vão contando aos turistas do grupo o que é cada coisa, para que se usa, quanto custa. O Andrés ia traduzindo em inglês tudo, para os que não falavam espanhol, e também iam nos dando de quase tudo para cheirar ou provar, enquanto contava que tipo de receita gostava de fazer com cada coisa ou como antepassados equatorianos costumavam consumir o alimento.
A parte dos fundos do mercado é a parte das "ervas". Ali, senhoras vendem, cada uma em seu postinho, ervas e misturas que prometem curar tudo e mais em pouco - desde uma tosse repentina até mal de amor.
No caminho de volta, Andrés faz a mesmíssima coisa: escolhendo outra rota para voltar ao hotel, continua passando por seus fornecedores até chegar à sua cozinha literalmente carregado de compras.
O programaço?Dar mais uma voltinha por sua conta pelo centro e voltar para o almoço. Assim a gente tem a oportunidade de provar, de verdade, tudo o que vimos o chef escolhendo e comprando em seus pratos, bem equatorian inspired.
Bem legal.
A Quito de tantas cores
Quito é daquelas cidades sul-americanas que não decepcionam o turista: você encontra ali, e logo de cara, toda a muvuca de gente nas ruas, barulho, trânsito caótico, cheiros de frutas que você não reconhece no ar, caras de todas as etnias, roupas multicoloridas, ruas empoeiradas e táxis velhos que você esperava mesmo ver.
Além das línguas de diferentes turistas, o espanhol está o tempo todo misturado com o quechua nas ruas. Se você rumar direto do aeroporto para o centro da cidade, melhor ainda: você encontra tudo isso junto e misturado, tudo ao mesmo tempo.
Quito tem uma geografia curiosa, de tantas subidas e descidas, ladeiras e escadarias, para acompanhar todos os morros e montanhas pelos quais se esparrama sem cerimônia - e tudo isso com direito a vulcões rodeando a cidade, é clara.
Do avião (vale sentar na janelinha) a gente já fica impressionado em como a cidade consegue ser tão estreita e ao mesmo tempo tão longa e esparramada. Se o tempo estiver bem limpo, vale subir no TeleferiQo para ver também - mas eu, particularmente, curti mesmo foi subir no monte da "Virgem de Quito", a estátua que "abençoa" a cidade como um Cristo Redentor, para ver a cidade lá do alto (à noite é mais impressionante ainda).
E a cidade se divide, de uma certa maneira, em muitas outras cidades, já que cada um de seus bairros tem características tão próprias e tão marcantes; o Centro Antigo e a "gringolândia", que é como o bairro de La Mariscal também é popularmente conhecido pelos turistas, são as duas mais obviamente exploradas pelos turistas.
O Centro, que, dizem, antes assustava pelo descaso na conservação e pela insegurança profunda nas noites, hoje virou um belo espaço de convívio: fiquei hospedada ali e não me arrependi nem um pouco (super policiado durante o dia e muito bem iluminado durante à noite, só depois das 21h é que o movimento nas ruas fica bem escasso e, como em qualquer cidade grande sul-americana, convém tomar um táxi para voltar ao hotel).
Ali estão concentradas a maioria das atrações: as igrejas cobertas de ouro (San Francisco e a Companhia de Jesus são absolutamente impressionantes), os museus (a Casa del Alabado é ge-ni-al), as praças mais famosas (como a San Francisco e de la Independencia, que são o coração da cidade), o mercado, os prédios do governo, o comércio popular.
A vida gastronômica está no fofo e super bem urbanizado La Floresta, que reúne os melhores restaurantes e também os barzinhos mais descolados, de "intelectuais" (gostei muito do restaurante Lua e do bar El pobre diablo). E a vida noturna mais "fuerte" fica em La Mariscal, que é o bairro que concentra o maior número de hotéis, pousadas e albergues da cidade - e também a Feria Mercado de La Mariscal durante o dia, que eu recomendo muito para quem quer comprar lembrancinhas a preços baixos, sem sair da região central da cidade.
Vida noturna no centro também rola, sobretudo na rua conhecida como La ronda, que reúne uma infinidade de barzinhos - mas dali precisa ter mais atenção na hora de voltar pro hotel, que fica muita muvuca.
No dia-a-dia o trânsito pode ser bem difícil, debaixo de chuva a cidade fica muito triste e sem graça (foi assim que eu vi Quito pela primeira vez, logo ao desembarcar) e à noite os taxistas são osso duro de roer. Mas, mesmo que você se hospede na gringolândia, volte sempre ao centro. Eu virei fã. Saí dali na maior parte das vezes só para jantar em outras bandas (e uma noite jantei ali mesmo, no ótimo Theatrum).
Ali, do nada, você pode ser surpreendido com um grupo folclórico apresentando danças no meio da praça, como eu fui; ou acompanhar o comércio cotidiano no mercado; conversar com as "índias" (como as chamam vários equatorianos) que vendem legumes e frutas nas calçadas, ou com o tiozinho que está lendo jornal e engraxando sapato, ou com um café gracinha com romântico pátio interno e ótimos quitutes.
E tudo isso sem o assédio tão comum a outras cidades parecidas; em Quito ninguém me abordou tentando vender nada nem muito menos me pedindo nada. Nem ninguém me pediu dinheiro para ser fotografado; pelo contrário: em alguns casos, parecia até haver um certo orgulho nisso.
Que os quiteños são muito, muito simpáticos eu já falei antes. Mas deixo aqui registrado também que a cidade, apesar de várias "más referências" que li e ouvi antes de viajar de alguns amigos, me encantou.
Além das línguas de diferentes turistas, o espanhol está o tempo todo misturado com o quechua nas ruas. Se você rumar direto do aeroporto para o centro da cidade, melhor ainda: você encontra tudo isso junto e misturado, tudo ao mesmo tempo.
Quito tem uma geografia curiosa, de tantas subidas e descidas, ladeiras e escadarias, para acompanhar todos os morros e montanhas pelos quais se esparrama sem cerimônia - e tudo isso com direito a vulcões rodeando a cidade, é clara.
Do avião (vale sentar na janelinha) a gente já fica impressionado em como a cidade consegue ser tão estreita e ao mesmo tempo tão longa e esparramada. Se o tempo estiver bem limpo, vale subir no TeleferiQo para ver também - mas eu, particularmente, curti mesmo foi subir no monte da "Virgem de Quito", a estátua que "abençoa" a cidade como um Cristo Redentor, para ver a cidade lá do alto (à noite é mais impressionante ainda).
E a cidade se divide, de uma certa maneira, em muitas outras cidades, já que cada um de seus bairros tem características tão próprias e tão marcantes; o Centro Antigo e a "gringolândia", que é como o bairro de La Mariscal também é popularmente conhecido pelos turistas, são as duas mais obviamente exploradas pelos turistas.
| La Ronda que, de noite é puro bar e agito... |
| ... de dia é cantinho querido das crianças, pelo monte de brincadeiras espalhadas pelo chão |
| Andando pelo centro histórico, você se depara com esses pátios internos lindos, geralmente com um café |
| O imperdível Casa del Alabado |
Vida noturna no centro também rola, sobretudo na rua conhecida como La ronda, que reúne uma infinidade de barzinhos - mas dali precisa ter mais atenção na hora de voltar pro hotel, que fica muita muvuca.
| Quito vira só um emaranhado de luzinhas ao anoitecer |
| A Virgem Quiteña e a lua |
Ali, do nada, você pode ser surpreendido com um grupo folclórico apresentando danças no meio da praça, como eu fui; ou acompanhar o comércio cotidiano no mercado; conversar com as "índias" (como as chamam vários equatorianos) que vendem legumes e frutas nas calçadas, ou com o tiozinho que está lendo jornal e engraxando sapato, ou com um café gracinha com romântico pátio interno e ótimos quitutes.
E tudo isso sem o assédio tão comum a outras cidades parecidas; em Quito ninguém me abordou tentando vender nada nem muito menos me pedindo nada. Nem ninguém me pediu dinheiro para ser fotografado; pelo contrário: em alguns casos, parecia até haver um certo orgulho nisso.
Que os quiteños são muito, muito simpáticos eu já falei antes. Mas deixo aqui registrado também que a cidade, apesar de várias "más referências" que li e ouvi antes de viajar de alguns amigos, me encantou.
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