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29 de mar. de 2013

Egito: para quando você for

 Minha viagem ao Egito foi muito redondinha, como vocês já perceberam. Não planejei com muita antecedência, mas confiei cegamente num dos roteiros propostos pela AbercrombieKent (Cairo + Cruzeiro pelo Nilo), que foi a operadora com a qual viajei (dá pra adquirir os roteiros direto pelo site ou através de qualquer agente de viagens) e recomendo muito.
O que eu faria diferente se fosse novamente? Optaria pelo cruzeiro de 4 noites/5dias ao invés do de 3 noites/4 dias que fiz; e incluiria duas noites em Alexandria (me arrependi MUITO de não ter ido para lá) e outras 3 em Sharm-el-Sheik (no Mar Vermelho), o que, na minha opinião, seria um roteiro bem completinho pelo país. Se tivesse mais tempo, incluiria também mais 2 noites na Península do Sinai e algo de deserto também. 
Então vamos ao be-a-bá dessa viagem, que vários leitores andaram pedindo desde minha viagem no mês passado:

VOOS
Não existem voos diretos do Brasil ao Egito, então o caminho mais curto costuma ser voar até alguma capital européia e fazer conexão ao Cairo. Eu comprei meu voo de última hora, e fiz questão de um stop over de 3 dias em Paris na ida, então saiu mais carinho que o planejado (R$3300,00 com a Air France). Mas há várias promoções de companhias aéreas rolando esse ano, vale ficar de olho. Dá pra fazer conexão em Dubai também. Para os voos nacionais - para ir a Luxor/Aswan, por exemplo, existe pouquíssima opção; a maioria é operada pela Egypt Air (egyptair.com), que tem inclusive aeroporto próprio no Cairo.

QUANDO IR
Todo mundo é unânime em dizer: a melhor época para visitar o país é o inverno (dezembro a março), já que no verão a temperatura ultrapassa fácil os 40 graus no país todo. Mas o inverno costuma ter o inconveniente de ser alta temporada e, em condições normais, ter os preços muito mais caros.  Abril e novembro também são considerados bons meses para ir, com temperatura ainda não tão quente e preços mais amistosos. Na verdade, a época agora é excelente. Os números do turismo no país caíram muito e os preços de hotéis, cruzeiros e passeios em geral também despencaram (só os preços das atrações que continuam os mesmos, mas até na hora das compras tá mais fácil pechinchar). Peguei a maioria das atrações bem vazias, sobretudo no Cairo. Os cruzeiros estão dando noites grátis e hotéis de luxo que antes custavam fortunas estão em alta promoção; um belo pretexto para uma extravaganciazinha ;)


PARA IR COM PACOTE
Um esclarecimento: ir com pacote montado não pressupõe obrigatoriamente uma viagem em ônibus de excursão; é muito comum por lá você montar sua viagem com uma operadora mas fazendo a maioria dos passeios individualmente. Ou fazendo compartilhado, mas entrando cada dia num grupo diferente. A AbercrombieKent faz roteiros nos dois modelos e, quando é grupo, sempre grupo bem pequeno.  Para ir com grupos maiores, dá pra comprar aqui no Brasil roteiros de empresas como a New Age, que costumam ter saídas o ano todo. Para quem quer viagens em grupo bem low cost, a IntrepidTravel (muitíssimo bem recomendada pela Dondinha, inclusive) é boa opção e tem roteiros diferentes pelo Egito. 

PARA CONTRATAR UM GUIA
Recomendo aqui dois excelentes que me atenderam durante a viagem. No Cairo, o Sayed Mahmoud (sayedtot@yahoo.com) é uma graça, super dedicado e fala português. Ele me atendeu no roteiro da Abercrombie, mas trabalha como guia freelancer também. Em Luxor e arredores, o Ehab Bahar (ehabbobehabbob@yahoo.com) é tremenda referência para quem busca guias em inglês na região. Ele era o guia do meu cruzeiro mas atende viagens privativas com frequência (saiu do cruzeiro para ficar 3 dias guiando um casal de americanos, por exemplo). Cultíssimo, paciente, foi um dos melhores guias que já tive em viagem. 





O POVO
Tive uma grata surpresa com o povo egípcio. Não, não é fácil e simples uma mulher ocidental viajar sozinha por lá - até por isso que fiz questão de ir com uma operadora local. Cada vez que saí sozinha estudei muito bem a rota que faria e me preparei psicologicamente para todas as bobagens que ouviria. O assédio é grande o tempo todo, e incisivo; mas se restringe, em geral, a olhares e palavras (escrevi mais sobre isso aqui e aqui). No mais, os egípcios são grandes fãs do Brasil em todos os aspectos e percebi que todas as vezes que mencionei que era brasileira a comunicação ficou mais fácil, amistosa e respeitosa. São bem humorados (com um senso de humor muito semelhante ao nosso, por sinal), bons contadores de histórias e muito, muito festeiros.

O TRÂNSITO
Caótico sempre. É aparentemente tranquilo nas cidades menores mas a combinação de ausência de faixa de pedestres, motos, carros, caminhonetes, caminhões, tratores e um sem fim de charretes e carroças o tempo todo é complicada. Não aconselho dirigir, não, muito menos no Cairo, que é como uma filial de São Paulo ou da Cidade do México - e com todo mundo buzinando junto o tempo todo.  No Cairo, é sempre bom considerar o fator trânsito na hora de calcular o tempo para chegar em algum lugar. Para cruzar para a outra margem do Nilo em táxi, teve dia que levei 10 minutos e teve dia que levei 30, fazendo o mesmo trajeto. 

DINHEIRO 
A moeda local é a libra egípcia. Com um dólar americano você compra hoje aproximadamente 6 libras, com um real 3 libras e com um euro 8 libras. É fácil sacar libras nos caixas eletrônicos e os melhores hotéis têm sua própria máquina ATM dentro do lobby, o que é uma mão na roda. Há ATM nos shoppings também. Dá pra pagar com euros e dólares, mas a cotação é sempre desfavorável para o turista.  


O QUE FAZER
É preciso ter em mente que o Egito, de maneira nenhuma, se restringe às pirâmides de Gizé. Gosto é gosto, mas a maioria dos turistas acaba confessando que os templos às margens do Nilo (Philae, Edfu, Kom Ombo, Karnak, Luxor) e o próprio Vale dos Reis e Rainhas lhes foram muito mais impactantes do que as pirâmides em si. O país é cheio de belezas e a própria cidade do Cairo, que muitos brasileiros só usam como base para visitar as pirâmides e ponto, vale a pena ser explorada, das mesquitas à vida noturna. Quem tiver tempo no Cairo, vale explorar também os arredores, como Saqqara e Memphis

28 de mar. de 2013

Cruise review: Sun Boat IV, Sanctuary Retreats

 Meu cruzeiro pelo Nilo foi à bordo do Sun Boat IV, um dos 3 barcos da Sanctuary Retreats, parte também dos roteiros da AbercrombieKent.
 O barco tem uma reputação excelente, com capacidade para um máximo de 44 passageiros e uma interessante proporção de membros do staff para hóspedes. Mas, com a crise no turismo egípcio, alguns roteiros estão saindo mais vazios do que o planejado - como o meu, que embarcou com apenas 16 passageiros a bordo, incluindo duas famílias com crianças. Apesar de sermos em número tão reduzido, eramos praticamente um ONU lá dentro: Brasil, Egito, Irã, Líbano, EUA, Reino Unido, Sérvia...
 Apesar dos banheiros diminutos, as cabines têm bom tamanho e decoração bem charmosa. O restaurante poderia servir mais refeições à la carte que buffet, mas a cozinha típica egípcia é bem caprichada, das entradas às sobremesas (bebidas sempre cobradas à parte).
 Todos os dias eram servidos em horários pré-definidos café da manhã, almoço e jantar - e havia sempre um chá com biscoitinhos no final da tarde, quando retornávamos dos passeios.  A tripulação 100% masculina era muito atenta e delicada, uns queridos durante todo o tempo.
Para os almoços ao ar livre, como o churrasco que rolou durante o meu itinerário
 Durante o itinerário, os passeios guiados (dois ao dia, manhã e tarde) estão todos incluídos, sejam em van, barco ou até charrete. O nível de organização e pontualidade dos passeios chamou mesmo minha atenção positivamente; e nosso guia também era excelente tanto no conhecimento quanto na paciência (me esperava fotografar tudinho sempre :D)

 Alguns passageiros sentiram falta de palestras à bordo, mas as atividades de entretenimento eram bem satisfatórias, de aulas de culinária egípcia a show de dervixes e dança do ventre à bordo. Um dos almoços foi servido na varanda externa, com direito a churrasco.
O lounge da recepção
O restaurante
 Na segunda noite, fizeram a galabeya party e todos os passageiros foram convidados a vestir as longas túnicas egípcias e dançar bailes típicos locais (com direito a um cover hilário de belly dance da tripulação ao final). E o barco tem também loja e um belo solário com piscina.
Aula de culinária egípcia bem bacaninha (aprendi tudo :D)
 O wifi à bordo é cobrado separado mas muuuuito instável e nem sempre funciona pela questão satelital; achei que nem compensava comprar e, pelo que vi de outros hóspedes, fiz bem.
A tripulação em coreografia ensaiada de danças típicas egípcias durante a "galabeya party"
Adorei. Fiz o roteiro de quatro dias, de Aswan a Luxor, mas aconselho fortemente que se faça o de 5 dias, de Luxor a Aswan (o de quatro dias passa muito, muito rápido e,desembarcando em Aswan como final do passeio, sobra mais tempo e mais tranquilidade para fazer a extensão a Abu Simbel). Dizem que vai rolar esse ano um roteiro de 10 noites do Cairo a Aswan e vice-versa. Isso sim seria show de bola!!!
Dervixe e passageiros durante o mini show da última noite
Em tempo: dá pra ver os preços avulsos no site, mas vale lembrar que o cruzeiro incorporado ao pacote sai ainda mais em conta. Para quem compra avulso, vira e mexe estão rolando promoções do tipo 3 noites com uma grátis. 

25 de fev. de 2013

Aswan: o Obelisco Inacabado e o templo de Philae

 Com o navio ainda ancorado no píer em Aswan, fiz dois tours locais incluídos no preço do cruzeiro do Sun Boat IV pelo Nilo: o "Obelisco Inacabado" e o Templo de Philae (ou Filas).
 O Obelisco Inacabado (30 libras egípcias o ingresso) é considerado o maior da antiguidade e acredita-se que tenha sido encomendado por Hatshepsut (se tivesse sido concluído, teria cerca de 42 metros de altura e mais de 1200 toneladas) provavelmente para celebrar seu 16o. ano de reinado.

 Quando a gente chega no local, dá pra ver exatamente como ele começou a ser esculpido diretamente das rochas que hoje compõem o parque (dá pra ver que sua base ainda está completamente anexada às rochas) e seus dois pontos de rachadura séria que devem ter causado seu abandono. O (excelente!) guia Ehad nos mostrou em detalhes como eles teriam feito para esculpir e tentar retira-lo de lá para transportar aos templos.


 O local é bem pequeno e o tour é rápido, durando pouco mais de uma hora por ali. Mas é interessante para ver (assim como quem visita a "fábrica de moais" na Ilha de Páscoa) em detalhes e entender como os egípcios construíam e transportavam os obeliscos naquela época. E, vale dizer, para os interessados nas comprinhas, os vendedores do mercadinho que se forma à saída da atração foram os menos agressivos/invasivos de toda a viagem.
A visita ao belo templo de Philae (ou Filas; 50 libras egípcias o ingresso) é toda peculiar: fomos de van até um outro píer do lago Nasser, para tomar um dos barquinhos motorizados à ilhota de Agilkia, onde o templo foi realocado (sim!) pela Unesco por ocasião da construção da represa de Aswan.

 O passeio ficou especialmente bonito por ser feito na parte da tarde; o sol brilhava intenso, deixando as águas meio prateadas, quando fomos, e já ganhava suas cores rosadas do final do dia quando voltamos (quem vai por conta, tem que lembrar que o pagamento dos ingressos ao templo e ao barqueiro são feitos separadamente; e, é claro, tem que negociar o preço da viagem de barco antes). No píer, vendedores expõem máscaras e outras peças de artesanato muito sossegadamente. O trajeto dura coisa de dez minutinhos mas é super fotogênico ;)



 Philae, considerado um dos locais de adoração de Osiris, era reverenciado também pelos núbios. Chegando lá, ouvimos sobre toda a vida que existia ali no templo e arredores, incluindo as relações comerciais que ali se desenvolviam.  Sem contar que, devido à sua posição próxima ao Trópico de Cancer, sempre teve curiosos efeitos de luz e sombra que devem ter exercido enorme influência sobre os egípcios.









 Uma sequência de templos menores, leões de granito, colunas, altares e paredes cheias de hieroglifos fazem parte do belo passeio. O nome teria a ver com o significado de "fronteira" e o local teria testemunhado da era faraônica à era greco-romana, ficando mundialmente famoso e recohecido lá pelos anos 1800, quando o egiptologista Joseph Bonomi e a novelista britânica Amelia Edwards o visitaram (em períodos distintos)






O local é lindo, a visita deliciosa. Foi um dos templos que mais gostei durante todo o itinerário. Mas lindo mesmo é quando estamos quase alcançando a ilha na chegada - o tipo de vista inesquecível.

24 de fev. de 2013

Aswan: com jeito de paradinha no tempo

 Uma das coisas que ficaram faltando no meu roteiro pelo Egito (aquelas coisas que a gente só se dá conta que deveriam ter sido diferentes depois que já está lá, sabe?) foi não ter uma noite em hotel em Aswan antes de começar o cruzeiro pelo Nilo (um noite em hotel em Luxor ao final do cruzeiro e duas noites em Alexandria são as outras duas coisas que me arrependo de não ter insistido para entrarem no meu roteirinho).
O jeito mais comum de transportar moradores na cidade
 Aswan é uma cidade bem menos turística que Luxor e, embora seja porto de embarque ou desembarque da maioria dos cruzeiros que atravessam o Nilo, ainda tem um jeitinho de parada no tempo. E mais: de lá é que se vai, em carro/ônibus (3h30) ou avião (40min) a Abul Simbel, considerada uma das maiores maravilhas do país.
Uma das muitas mesquitas da cidade
O Sun Boat IV ancorado no pier de Aswan

Um dos muitos outros barcos que navegam pelo Nilo
 O souk é animado dia e noite e, à luz do dia, bem pacato (mas espere, é óbvio, os vendedores em cima de você como aves de rapina, como aconteceu comigo em praticamente todo o país). Ali você vai passear entre barracas mil de lembracinhas mas também de especiarias, luminárias e roupas (incluindo tecidos, cama, mesa e banho também), além de vendedores de pão com os ditos cujos sobre toalhas no chão. No trânsito, carros, caminhonetes e motos dividem espaço com carroças, carruagens para turistas, cavalos e até tratores.
A felucca e a "cópia" da ponte Estaiada paulistana :D...
... aqui em close :P



As especiarias enfileiradas para venda no souk
 De lá a gente parte também para explorar o "obelisco inacabado" e o belo templo de Philae (dos quais falarei no próximo post) e pode fazer passeios de lancha, barquinho motorizado (que é como a gente chega a Philae também) e felucca.


Porque o Nilo não é só para os navios e feluccas ;)
A cidade ainda tem mais: é ali que fica o Old Catarat, o icônico hotel onde Agatha Christie teria escrito boas páginas de seu célebre Morte no Nilo, hoje transformado num hotel Sofitel - mas que ainda mantém o mesmo jeito de palacete que outrora. Consegui, com outros três passageiros do cruzeiro, arrumar tempo (rapidinho, coisa de uma hora e pouco) para tomar um chazinho nos jardins do hotel e dar uma volta pela propriedade antes do nosso navio zarpar Nilo adentro.
(foto do site do hotel, porque eu já estava sem bateria quando paramos lá)
E, olha, que propriedade! Ficamos encantados com a beleza dos salões e jardins; e, conversando com hóspedes do hotel que estavam passeando por onde passamos, bateu um BAITA arrependimento de não ter programado uma noitezinha ali.
O fim de tarde em Aswan
Meu conselho? Mesmo que não dê pra se hospedar lá, dá muito bem pra fazer como nós e curtir um pouquinho da vibe do histórico hotel.