Mostrando postagens com marcador Ushuaia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ushuaia. Mostrar todas as postagens

16 de dez. de 2012

Cruzeiro à Antártida: o começo

Velhote mas valente (e seguro, é claro)
 Embarquei no cruzeiro à Antártida em Ushuaia. Como manda o bom senso, cheguei de véspera, depois de uma noite em Buenos Aires (SEMPRE chegue para cruzeiros com no mínimo um dia de antecedência; aprendi isso a duras penas quando cheguei para meu cruzeiro pela Terra do Fogo em 2008 algumas horas antes do embarque no navio e minha mala, não).
 Da última vez que voeei a Ushuaia, há exatos quatro anos, eu era uma das pouquíssimas pessoas a bordo que não ia para a Antártida. Dessa vez, eu era uma das felizes sortudas que ia ;)  E, chegando em Ushuaia, conheci um monte de gente que também ia, sobretudo em outros navios maiores; todo mundo numa vibe incrível, festejando, celebrando, empolgadíssimos.
 No dia do embarque, acabei conhecendo, enfim, alguns dos passageiros que iam embarcar no meu navio - assim, ao acaso (e, veja só, foram essas as pessoas com as quais mais interagi durante toda a viagem ;D).
Cupcakes e cookies para o lanchinho de boas-vindas
 Na hora H, ao chegar no porto, confesso que tive uma pontinha de arrependimento ao ver o Polar Pioneer tãaaaao pequenininho ao lado dos outros navios no porto. Eu sabia que ele era o menor navio a operar Antártida (e velhote, da década de 80), mas deu até um medinho ao vê-lo no porto, pensando no Drake que começaríamos a enfrentar algumas horas depois (ele se mostrou fortão e valente, tks God, o caminho inteiro).
A simpática mensagem inicial do staff
 No porto, zero fiscalização de entrada de passageiros e bagagens, estranhamente. Dois navios para a Antártida saíam do porto naquela tarde: o meu e um outro, da Quark. Às quatro da tarde, pontualmente, fomos autorizados a entrar no navio - o staff (Austrália/Nova Zelândia/Canadá) recebeu pessoalmente todos os passageiros, bem simpáticos, mas já deu pra perceber que a tripulação (Rússia) não era de sorrisos.
Treinamento emergencial de fuga nos tenders
 O quadro branco de avisos à entrada do refeitório dava as coordenadas: ir à cabine checar se a bagagem estava ok, fazer um lanchinho e conhecer os demais passageiros. Aos pouquinhos, fomos nos descobrindo: majoritariamente australianos, mas também britânicos, canadenses, sul-africanos, malaios, russos, chineses, um norueguês, uma japonesa e eu a única latino-americana ;)
Don, o expedition leader, faz a apresentação do staff e dá as coordenadas gerais sobre a viagem 
 Fomos apresentados ao staff todo oficialmente na ponte de comando (que se tornou um baita ponto de encontro do navio, sobretudo de manhã bem cedinho, quando muita gente batia cartão lá para observar baleias e pássaros durante a navegação) e fizemos o treinamento oficial de fuga nos tenders para o caso de (toc, toc, toc) incidentes de navegação antártica o.O
 E então, às 18h em ponto, partimos. Todos empoleirados na proa do navio, tomados pelo vento gelado de Ushuaia, olhos vidrados no horizonte, coração aceleradinho.


Estava só começando.

6 de dez. de 2012

Antártida: hoje o sonho virará realidade

 Quem acompanha o blog há algum tempo sabe da minha paixão por oceanos, navegações e histórias de grandes navegadores do mundo, de Shackleton a Amyr Klink. E sabe também que meu maior sonho de viagem (dos muitos e muitos e muitos que eu tenho) sempre foi exatamente chegar ao "continente branco", à "última fronteira" ou seja-lá-como-você-quer-chamar o continente Antártico.
A viagem foi mezzo de última hora, com a desistência de uma passageira a pouco mais de uma semana da viagem (as listas de espera são homéricas na maioria dos cruzeiros à Antártida, mas o last minute funciona pra muita gente, inclusive lá em Ushuaia mesmo, literalmente na hora H em vários casos). Foi na correria, até porque é uma viagem que tem super burocracia, exige da gente mil e um formulários, documentos, assinaturas (minha médica queridíssima me recebeu na casa dela, à noite, pra dar conta de preencher e assinar meu formulário médico a tempo de enviar e garantir minha vaga) - depois vou fazer um post bonitinho contando também o que é necessário fazer antes de uma viagem assim. Por sorte, mesmo de última hora, encontrei passagens até bem razoáveis no site da LAN, por menos de 600 dólares + taxas, ufa (ida a Ushuaia e volta por Punta Arenas, incluindo stop básico em Santiago).
Recém chegada da viagem à Europa e com trabalho atrasado, infelizmente não deu tempo de me preparar como devia para essa viagem depoois que recebi a notícia sobre a vaga de útima hora. Teria  relido tudo que eu gostaria de reler (inclusive o Paratii, do Amyr Klink, um dos meus livros queridos desde a infância, pela milésima vez), fazendo a mala com calma e atenção, saboreando cada minuto da pré-viagem. Mas, como me disse uma amiga essa semana, a bem da verdade, eu meio que me preparei pra essa viagem a vida inteira, então... :)
Parto hoje daqui de Ushuaia com destino à Antártida e ficarei ABSOLUTAMENTE offline até voltar para o continente no final do cruzeiro, em Punta Arenas - já sei que o barco não tem internet a bordo, só telefone satelital (vai ser um baaaaita de um rehab cibernético pra mim, né, não?).  Bom, isso também quer dizer que darei uma bela folga pra vocês no twitter, FB e, sobretudo, no Instagram nos próximos dias. Mas, quando eu voltar ao continente, se o Drake tiver sido bem bonzinho comigo... ah, me aguardem!!!! :))))))
Então é isso: me desejem sorte enquanto eu realizo esse sonho. Daqui uns dias eu volto em tudo quanto é rede social e aqui no blog pra contar, passo a passo, e tintim por tintim, como foi fazer essa tão emblemática navegação.
Roupita impermeável, check! estoque de dramin: check! câmeras e baterias: check!  #partiu Antártida, fui!

15 de ago. de 2012

Primavera patagônica em alto mar

Essa é só uma das 15427847 fotos de pinguins que eu tirei em Isla Magdalena

 Já contei aqui que uma das viagens mais legais e inesquecíveis que eu fiz até hoje foram os 4 dias de cruzeirinho de Ushuaia a Punta Arenas no Mare Australis, da Cruceros Australis. Ambiente zero frescura, passageiros ultra cultos e interessantes, tripulação apaixonada por navegação, Sheckleton e afins e atrações incríveis, de glaciares a milhares e milhares de pinguins.  Isso sem mencionar, é claro, a emoção de chegar ao Cabo Horn (e cheguei bem no dia em que a "família guardiã" do farol era substituída por uma nova, surreal!) e atravessar o Estreito de Magalhães e pelo Canal Beagle.
Dsclp, mas essa é uma das minhas fotos da viagem que gosto mucho
 E é justamente com a chegada da primavera que esses adoráveis cruzeiros voltam a operar no fim do mundo. Cruzeiros de Expedição, é claro, sem noite de gala, nem jantar com o comandante, muito menos farofa na piscina - até porque nem tem piscina ;)
A partir de 22 de setembro os navios Stella e Via Australis (o Mare agora tá em outra ;D) navegam entre Puntas Arenas, no Chile, e Ushuaia, na Argentina, em roteiros nas duas direções, com 3 ou 4 noites de duração. Tudo que rola de mais importante acontece fora do barco, nas várias excursões diárias guiadas, realizadas em cada parada. À bordo, palestras sobre flora, fauna, antropologia,  glaciologia e história da navegação e da região - e mais uns divertidíssimos workshops que a tripulação inventa para entreter os passageiros, como ensinar a preparar os drinques mais comuns de um bom bar.
O tempo estava feio, o mar estava bravo que só, mas chegamos VIDRADOS ao Cabo Horn
As cabines são todas externas, os salões e restaurantes têm janelas amplas para todo mundo contemplar a paisagem o tempo todo e todos os passeios, refeições e bebidas estão incluídos - com preços desde US$ 944 por pessoa em acomodação dupla.
Um dos meus sonhos de viagem é justamente refazer essa rota; mas quero, da próxima vez, fazer ida e volta, 7 noites, para não perder nem um detalhezinho. Vale ficar de olho.  Eu tô ;)