30/06/2009

Só fico em hotel com wifi grátis


Pronto. A campanha foi lançada pela Flavinha Penido, a nossa queridíssima Lady Rasta. E eu, mais que rapidíssimo, já apoiei. Wifi free num hotel é aspecto fundamental, indispensável, incontestável, para qualquer flashpacker.
Assino embaixo. Várias vezes, se necessário.

Eu e o meu medo de voar



Minha mãe sempre disse que a dor do parto era uma das dores mais safadas que existiam, porque a mulher (naquela época) sofria, sofria, jurava que não teria mais filhos e, mais ou menos um ou dois anos depois, estava lá de novo, numa sala de parto, tendo outro bebê. Sempre me lembro disso quando voo. Sim, eu viajo muito, por prazer e às vezes por trabalho, mas continuo tendo muito, muito medo de voar. E a verdade é que meu medo de voar parece crescer quanto mais eu voo.


Nestes mais de dez anos em que viajo em aviões frequentemente, já ouvi de inúmeras pessoas o velho clichê de que é muito mais fácil morrermos num acidente de carro ou dentro da própria casa que numa acidente de avião. Ok, eu sei que esse clichê é racionalmente baseado em estatísticas. Mas, convenhamos: desde quando podemos avaliar um medo racionalmente?
Curiosamente, fico mais confortável em viagens longas do que curtas; afinal, em viagens curtas acabamos voando em aeronaves menores e a altitude diferente. Mas, daí, acontece um acidente gravíssimo e, aparentemente, inexplicável, como o que acompanhamos no comecinho de junho e eu já começo a pensar: aff, nem os voos longos são seguros.

A boa notícia é que, embora meu medo cresça, tenho sido capaz de mantê-lo sob controle durante todo esse tempo; afinal, quando o avião está decolando eu juro que nunca mais entrarei numa máquina daquelas na minha vida e, pouco tempo depois, já estou eu na internet fuçando ofertas para viajar (e, sim, voar!) outra vez.
Na minha opinão, não existe uma fórmula para acabar com um medo como esse; sabe a velha máxima cada cabeça, uma sentença? Pois para cada pessoa, enfrentar o medo tem uma conotação diferente: alguns bebem, outros tomam medicamentos fortes, outros fazem as duas coisas ao mesmo tempo... Hoje, costumo fazer o seguinte, com bons resultados:
1) Mantenho minha cabeça ocupada: durante todo o vôo, eu leio muito, vejo filmes, e até bato papo com o vizinho, se o papo for bom e meu humor estiver ok. Quando me estresso muito, em voos muito longos, caminho até o final da aeronave, onde sempre existem rodinhas de bom-papo de insones.
2) Na hora de turbulências mais sérias, procuro pensar nas leis da física e em tudo o que já li sobre como um avião se mantém lá no alto. Ok, eu sei que é difícil se concentrar nisso com o coração saindo pela boca; mas ajuda, eu juro. Procuro imaginar que, se estivesse num carro numa estrada mais esburacada, a movimentação também seria muito grande.
3) Procuro o conforto. Eu não viajo em classe executiva ou primeira, mas tento extrair o máximo de conforto para o meu voo escolhendo meu assento com antecedência, vestindo roupas e sapatos EXTREMAMENTE confortáveis, colocando músicas empolgantes e reconfortantes no meu mp4... Também valem um travesseirinho e um bom cobertor.
Eu, confesso, já tentei de quase tudo (ainda por cima eu simplesmente não consigo dormir em aviões!). E achei melhor enfrentar o medo, e ponto final. Enfrentar o medo, conscientemente, para continuar voando. E feliz da vida ao chegar sã e salva ao meu destino da vez.

27/06/2009

Mulheres viajantes independentes


Viajar sozinha, posso assegurar a vocês é uma experiência extraordinária. Não é à toa que o número de viajantes independentes do sexo feminino não pára de crescer no mundo inteiro – embora, é claro, a maioria ainda sinta um friozinho na barriga antes de se aventurar por aí no que eu chamo de “jornada solo”.

Vira e mexe me perguntam se um lugar é seguro ou não pra viajar sozinha. O grande Ricardo Freire escreveu certa vez que duvidasse que alguma viajante encontrasse “entre os destinos internacionais manjados, algum lugar que seja mais inseguro do que as grandes cidades brasileiras. Se você mora aqui, está pós-graduada no assunto”. É verdade que quando mulheres viajam sozinhas enfrentam mais desafios, sobretudo nas questões de assédio e insegurança, mas a maioria das preocupações pré-viagem, como o medo da solidão, acabam sendo esquecidas logo nos primeiros dias.

Como recebo semanalmente diversos emails de leitoras que ainda não tiveram coragem de se jogar no mundo sem companhia mas andam morrendo de vontade, aqui vão algumas dicas práticas para uma viagem independente ser realmente bem-sucedida:

Quesito segurança – Estudar bem o mapa da cidade e escolher um hotel bem localizado, numa zona movimentada, é essencial – assim ninguem fica preocupada com a hora de voltar pra casa ou coisas do gênero. Quem estiver mais insegura, pode pedir no hotel um quarto perto da escada ou elevador e levar sempre consigo a chave do seu quarto. Procure também levar dinheiro e passaporte num money belt dentro da sua roupa durante a viagem e deixar tudo trancadinho no cofre do seu hotel durante a estadia – além de levar cópias xerox (com copias digitalizadas no seu email) de passagens, seguro, cartões de crédito e passaporte.

Chegando e saindo – Escolha voos, trens ou ônibus que cheguem e saiam da cidade durante o dia, quando as estações e aeroportos são mais movimentadas e seguras. Chegar durante o dia é essencial se você estiver indo para um lugar pela primeira vez e ainda não conhecer as redondezas do seu hotel.

Atenção aos costumes locais - É importantíssimo conhecer os costumes locais, sobretudo em nações mais diferentes da nossa, como africanas ou asiáticas. Mulheres ocidentais sempre chamam atenção, por exemplo, em países árabes – por mais normais e esculachadas que estejam. Tente vestir-se o mais semelhante possível às mulheres ao seu redor – e nunca, pelo amor de Deus, ceda à tentação de vestir-se baseada em estereótipos, como amarrar véus e lenços na cabeça ao visitar países árabes ou pendurar colares coloridos no pescoço ao chegar no Havaí.

E, se viajar sozinha não é sua opção predileta, eis algumas possibilidades:
- comprar um pacote de viagem, para garantir companhia ao longo de toda a viagem.
- apostar em empresas como a Single Tours (http://www.singletours.com.br/) ou a Terra Azul (http://www.terrazul.tur.br/), especializadas em viagens para solteiros.
- embarque num cruzeiro; não existe maneira mais fácil de conhecer muita gente diferente numa viagem. E, se você cansar de tanta companhia, pode ficar sozinha em inúmeros espaços do navio.

De qualquer modo, lembre-se que viajar sozinha pode significar também conhecer um pouco mais de si mesma enquanto conhece o mundo E voltar pra casa sempre diferente de quando embarcou. Boa viagem!

21/06/2009

O fantastico mundo dos cruzeiros


Quem me conhece sabe que eu adoro navios. Adoro. Eis aí, seja qual for o destino, uma experiência turística verdadeiramente democrática: há espaço – e de sobra! - para casais em lua de mel, turmas grandes, amigas viajando juntas, famílias com crianças e muita gente que viaja sozinha ( e que não se sente, ali, solitário de maneira nenhuma).


A verdade é que eu não gostei nadinha do primeiro cruzeiro que fiz. Não gostei da cabine com jeito de quarto de hospital, não gostei da comida sem sabor, não gostei do pouco espaço disponível para uma quantidade grande de passageiros. Mas, a partir do segundo cruzeiro que fiz, me apaixonei pela navegação, pelo universo extremamente particular dos cruzeiros.


Hoje, muitos cruzeiros depois, me sinto cada vez mais “em casa” quando estou navegando. Tanto que passei 17 dias fazendo a travessia do Atlântico para chegar aqui na Europa dessa vez. Eis aí uma excelente sugestão para quem quer aproveitar os descontos para reservas antecipadas para o próximo verão. Apesar da conturbada última temporada que tivemos no Brasil, continuo recomendando – e muito – os cruzeiros como bom programa para as férias – boa comida, entretenimento, escalas em cidades interessantes... tudinho no mesmo pacote. E tem até navio que opera all-inclusive, sem cobrar nem pelas bebidas consumidas. Só devo complementar que, além da agradabilíssima sensação de estar “em alto-mar”, minha paixão pelos cruzeiros está, sobretudo, relacionada às experiências humanas que eles podem nos proporcionar. Em poucos dias, é possível fazer amizades duradouras. Sem falar em pessoas que podem revelar-se fontes inesgotáveis de conhecimento. Experimente. Eu já ando pensando no próximo...

20/06/2009

Gastronomia de viagem


São muitos os aspectos que fazem uma viagem perfeita; e, como um bom garfo, acho que a culinária também pode ser, por si só, uma grande viagem em alguns destinos. Da deliciosa comida de rua tailandesa aos mais estrelados restaurantes pelo Michelin, são muitas as experiências gastronômicas que podemos ter fora de casa – para o bem ou para o mal.

Por sorte, nunca tive uma congestão estomacal ou intoxicação numa viagem; só como numa barraquinha de rua ou num muquifinho mais esquisito se tiver recomendações expressas para isso. Agorinha mesmo, no Marrocos, ensaiei durante dias antes de me sentar numa das fumacentas e suspeitas barracas da praça Jeema El Fna; foram dias de observação até perceber que aquela barraca, tão sujinha e tãaaaao fumacenta, era sem dúvida a mais movimentada, com um público meio cativo entre moradores e turistas. E, ao final, saí estomacalmente ilesa da aventura, que incluiu molho de tomate suspeito, pão ultra manuseado e linguicinhas sabe-se la do que- e tudo muito bom.


Para uma refeição propriamente dita, adoro os menus do dia; em alguns lugares, incluem ate sobremesa e bebida ou café – afinal, comer num restaurante estrelado é mesmo uma extravagância só para de vez em quando para a maioria dos mortais. E, quando procuro um restaurante legal para almoçar ou jantar, tento ao máximo fugir dos chamados “pega-turista” – estabelecimentos de baixa qualidade que cobram preços altos dos turistas. Sendo assim, eu jamais entraria num adorável restaurante chamado Trattoria Ponte Vecchio (www.trattoriapontevecchio.com), bem no quarteirão entre a Galleria degli Uffizzi e a Ponte Vecchio (Lungarno Archibusieri 8R)– mais turístico, impossível, né? Ledo engano. Ainda que a contragosto, fui, por indicação da minha amiga italiana Trudy, e me surpreendi muitíssimo – positivamente, claro. A trattoria é super autêntica, italiana até o último fio de espaguete, num ambiente acolhedor, em que os amáveis donos do restaurante – Salvattore e Giovanni – servem as mesas com toda a simpatia. Ali eu comi a melhor bruschetta da minha vida e um tiramisú que deixou belíssimas recordações.

18/06/2009

As pracas europeias


Adoro viajar à África e à Ásia; são culturas tão diferentes, tão impressionantes, que sempre voltamos mexidos. Mas confesso que depois de uma semana agitada no Marrocos, onde mulheres ocidentais sozinhas não são, digamos, muito bem vistas, adorei colocar os pés outra vez na minha boa e velha europa. E se tem uma coisa que eu amo quando viajo à Europa é o amor que os europeus têm por suas praças. É nelas que todos eles se encontram, em praticamente qualquer país do velho continente: tribos diferentes, moradores, turistas, executivos, velhinhos, turmas de amigos, casaizinhos de namorados... todo mundo parece estar numa praça, o tempo todo. Dia e noite. E eu morro de inveja.

Sim, inveja; aquela inveja boa, é claro. Porque no Brasil não temos essa cultura de praças, sobretudo nas cidades maiores. As praças brasileiras acabaram ficando meio mal vistas em geral; se resolvermos tomar sol lendo um livro ou mesmo fazer um belo piquenique numa de nossas praças, já somos olhados às esgueias pela maioria. E aqui na Europa é tudo muito diferente nesse sentido.


Estou agora na Espanha e os espanhóis, assim como muitos outros povos europeus, realmente sabem utilizar bem suas praças. As praças aqui são ponto de encontro de amigos, namorados, casais, famílias inteiras com suas crianças vestidinhas iguais. Todo mundo se encontra o tempo todo para ver a vida passar, ou para discutir política, ou fofocar, ou para comer, ou beber, ou simplesmente tomar um solzinho, respirar ar puro. Verdade. Bastou o dia ficar mais bonitinho que vai todo mundo tomar sol nas praças e parques; nem precisa ter sol mesmo, nem estar muito calor. Celebram a vida o tempo inteiro. Pode ser de manhã cedo, na hora do almoço, um intervalo rapidinho do trabalho, a hora da siesta, uma pausa antes de voltar pra casa no final do dia ou local de reunião de turmas de amigos altas horas da noite ou madrugada. Ou pode ser, simplesmente, para alguns, uma tarde inteira de ócio e prazer, lendo um bom livro na sua própria companhia. Um verdadeiro luxo, isso sim.

17/06/2009

O lado bom da crise

Todo mundo fala muito da crise econômica internacional nos últimos meses, não? Pois a boa notícia é que, ao menos para os viajantes, a crise pode, sim, ter um lado bom. Além da recente melhora na nossa taxa cambial, são muitas as operadoras e hotéis que andam propagandeando promoções mil para quem quiser viajar agora em julho. A maioria usa como slogan coisas do tipo “férias de julho com preços de baixa temporada”. Saiba que não é, na maioria dos casos, propaganda enganosa.

O presidente da Braztoa (Associação Brasileira de Operadoras de Turismo), José Eduardo Barbosa, disse em recente entrevista que acha que os preços de viagens nunca estiveram tão convidativos para os brasileiros como estão agora. E ainda acrescentou que acha que julho agora deve ser um mês de viagens ao exterior para nós, com a baixa nos preços associada ainda à recente valorização do real frente as moedas estrangeiras. Tudo isso somado ainda à – finalmente! – liberação das bandas tarifárias das passagens internacionais pode ser um prato cheio aos atrasadinhos.

Sim, porque a recomendação em geral é que se compre a passagem aérea o quanto antes para garantir os melhores preços. Os mais organizados compram suas passagens com até dez meses de antecedência para garantir os assentos mais baratos. Só que agora, em tempos de crise internacional, essa máxima não é válida: os atrasadinhos, que deixaram para comprar suas viagens de julho de última hora, é que estão sendo beneficiados com os melhores preços.

Quem viaja para o Brasil, encontra ofertas tentadoras de uma semana no Nordeste por valores que giram os 600 reais e promoções de hotéis de luxo que praticamente despencaram os preços de seus quartos (e prometem manter a qualidade dos serviços). Quem procura viagens ao exterior, é possível encontrar passagens aéreas para os EUA por pouco mais de 550 dólares e para a Europa por cerca de 600 euros. Sem falar nos tradicionais pacotinhos para Buenos Aires, que tiveram queda em torno de 30% nos seus valores.

O fenômeno não é só brasileiro, não; está acontecendo em quase tudo quanto é canto do mundo, para que o setor do turismo recupere-se dos últimos prejuízos. A grande vantagem é que, ao contrário dos grandes países fortemente afetados pela crise, os brasileiros em geral continuam tendo mais poder de compra. Se você ainda estava em dúvidas, dê uma olhada nas ofertas dessa semana de operadoras de turismo, companhias aéreas e hotéis. Aposto que você vai querer fazer as malas rapidinho.

23/05/2009

Um gostinho de Marrocos


“Veio o camelô vender anel; Cordão, perfume barato; e um bom churrasco de gato”
Lembra desses versos da musica do Joao Bosco? Pois entao. Tai uma belissima descricao sobre o Marrocos, especialmente Marrakech. Ali, a maioria das ruas não tem semáforo e as faixas de pedestres são absolutamente ilustrativas. Buzinas e xingamentos, assim como os improperios mais extremos, ditos em arabe em frances, sao ouvidos a cada metro quadrado, tudo com muito estardalhaco, entre os chamados para a mesquita (muito menos belos que os tunisianos, devo dizer).

Precisavamos nos desvencilhar o tempo todo de motos, bicicletas, encantadores de serpentes, macacos amestrados e até burricos o tempo todo, entre uma e outra placa com inscrições indecifráveis. De manha e a noite fazia frio, mas quando abria o sol durante o dia, era de lascar.

A tentacao da comida de rua, de oferta exten sa, deixamos para os ultimos dias; mas comemoramos felizes da vida que nao sofremos nem indicios das famosas diarreias e intoxicacoes alimentares que costumam acometer turistas no Marrocos.

Em Marrakech, na hora de passear, o OpenTour de Marrakech é uma boa porque resolve nossos problemas com o transporte: passa em frente a inúmeros hotéis, tem dois pontos bem na frente da praça principal, e para quase em frente às principais atrações da cidade, em dois roteiros bem completos. Custa 13 euros para 24h ou 20 euros para 48h.

Depois de Marrakech, ainda visitamos o belissimo Vale de Ourika, o que foi um verdadeiro oasis nos nossos dias tao frenteticos na mais ocidentalizada cidade marroquina. Vilas berberes, cascatas, cachoeiras, restaurantes com mesinhas ao lado de pontes ou a beira de corredeiras, uma graca.

Amamos mesmo a doce Essaouira, a nova queridinha dos europeus, com ares de ilha grega, casinhas muito brancas e janelas azuis à beira do oceano Atlântico. Achamos a cidade muito mais bonita, charmosa e barata que Marrakech. E, o principal, com um povo muito mais simpatico e menos invasivo.

Mas, confesso, na hora de voltar, ja estavamos planejando uma nova viagem `a Marrakech para poder fazer todas as comprinhas que dessa vez nao pudemos fazer :-)

05/05/2009

Sob o sol da Toscana


Faz mais de dez anos que sonho com um período sabático: um tempo só pra mim, em lugares do mundo que amo, para fazer as coisas que gosto e pensar na vida. Faz mais de dez anos que junto dinheiro para isso. Ao longo de todos esses anos, os planos mudaram; muita coisa no meu “sabático” ficou diferente. Mas o mais importante é que ele começou.
Em março, saí do Brasil para passar uns meses fora do país com a graninha que eu vinha economizando durante todos esses anos. Acredito, sinceramente, que poucos prazeres no mundo sejam mais intensos que o de sair por aí e desbravar o mundo – sejam lugares novos, desconhecidos, ou lugares nos quais já estivemos várias vezes e que amamos.
Escrevo este post de um apartamento que aluguei em Florença, na bellíssima Itália, a literalmente meia quadra de distância de um dos mais impressionantes Duomos de todo o continente europeu. Não é a primeira vez que visito Florença; mas, dessa vez, estou tendo o prazer de viver mais de um mês sob o sol da Toscana. É bem verdade que peguei quase duas semanas seguidas de chuvas; mas tive muita sorte também com dias lindos tanto aqui em Florença quanto nas outras cidades da Toscana que visitei, como Siena, Lucca, Viareggio, Pisa, San Gemignano, Arezzo. Aqui em Florença, adoro caminhar pelas ruelas medievais da cidade (que revelam novidades a cada vez), cruzar suas belas pontes sobre o Arno, sentar ao sol em suas praças, tomar deliciosos sorvetes no final da tarde... Também aproveito o tempo, além de passear pela Toscana, para ler, refletir, cozinhar, escrever, tentar aprender italiano.
Um mês já se passou desde que cheguei na Itália. Falta só um restinho de tempo nesse país tão encantador e, no próximo final de semana, embarco para o Marrocos, onde um estilo bem diferente de dia-a-dia me espera. Tomara que a aventura não acabe.

21/04/2009

Fotolog: cruzeiro no MSC Musica (a viagem antes da viagem)













15/04/2009

O relato da travessia




Embarquei no Grand Mistral de carra amarrada: estava p da vida com o atendimento que a Costa tinha me dado no Brasil, por terem me jogado numa cabine ruim e, sobretudo, porque eu queria mesmo era viajar no Costa Romantica, que era a parte original do meu cruzeiro de travessia.
Além da minha cara feia, à bordo tinha mais um montão: a grande maioria dos passageiros era argentina, com alguns brasileiros, uns alemães, uns franceses e um ou outro suíço ou espanhol – mas muita gente também estava brava com essa troca meio downgrade, num navio de má reputação na América do Sul pelo tipo de cruzeiro que promove.
Nos primeiros dias, foi complicado: os hóspedes estavam bravos, o serviço tinha muitas falhas e testemunhamos algumas brigas entre tripulantes. O fato é que o Mistral nunca faz as travessias com passageiros – ou seja, a tripulação vai leve e solta, com festa todos os dias: eles estavam bravíssimos por terem que atender passageiros, segundo eles, “muito exigentes”. Já a tripulação do Costa, tinha um mais problemas: trabalhar num navio que não era “a sua casa”, conviver com a cara feia dos outros tripulantes e, pior, saber que seus colegas do romântica estavam ancorados em Savona, sem passageiros, com festas todos os dias (apenas 120 tripulantes do Romântica foram enviados para fazer a travessia, e estavam inconformados). Nas cabines, toalhas rasgadas, lençóis furados e cobertores com queimaduras de cigarro; na cozinha, comida meio insípida e chegando geralmente fria à mesa.
Mas a verdade é que, com o passar dos dias, fomos todos conversando com os tripulantes e outros passageiros e as duas partes começaram a entender melhor uma o lado da outra. O trabalho árduo da gerência do cruzeiro – com destaque para os irrepreensíveis Manfred (gerente de hotel) e Gianni (maitre), ambos da Costa, responsáveis absolutos por tornar essa travessia uma experiência prazeirosa para mim – acabou fazendo com que, no sexto dia, deixando o Brasil, o serviço finalmente entrasse nos eixos. À essa altura, todos os passageiros já estavam acostumados com o navio e já tinham carinho por seus camareiros e garçons – e a recíproca também é verdadeira. E dali até o final do cruzeiro, não tivemos quase mais motivos para reclamar (inclusive nos trocaram para uma cabine melhor exatamente nesse sexto dia e ficamos satisfeitas).
À bordo, eramos menos de vinte jovens – de resto, terceira idade geral, meia dúzia de crianças e três ou quatro casais em lua de mel que mal eram vistos (razões óbvias). Eu e minha irmã encontramos uma turma muito legal (esses mesmos menos de vinte) e ficamos todos juntos até o último dia, garantindo bons papos durante o dia e noites animadas na disco.
Ok, dou o braço a torcer. Ainda não perdoo o péssimo atendimento que tive por parte da Costa no Brasil nem o descaso da companhia com os passageiros desse cruzeiro em geral. Também continuo achando o Costa Romântica muito mais bonito e aconchegante que o Mistral. Mas que foi uma bela viagem, ah, isso foi.

A viagem antes da viagem

Antes de começar minha big trip, acabei embarcando num minicruzeiro do MSC Musica. Foi uma surpresa agradabilissima. Além do navio ser lindo – e imenso, mais lembrando um imenso condominio que uma embarcação – encontrei à bordo tudo aquilo que sempre ouvi falar da companhia: bom serviço e boa gastronomia.
Embarquei no ultimo cruzeiro da temporada 2008/2009, saindo de Santos e com escalas no Rio, em Buzios e Ilhabela. Alguns tripulantes – sobretudo garçons – eram extremamente invasivos; mas, no geral, a tripulação era bastante gentil e eficiente. Praticamente todos falavam alguma coisa do português - antes de iniciar sua primeira temporada brasileira, o staff do Musica teve aulas do idioma para melhor atender os clientes no Brasil – e gentilissimo gerente de hotel do Música Nicola Cappotorto estava todo orgulhoso da temporada de sucesso no país.
Surpresa também foi minha cabine, super bem decorada, com uma belíssima varanda com móveis em vime, TV de LCD e um banheiro absolutamente bem planejado. Dos restaurantes a la carte, meu predileto foi o Maxim´s, com um quê do El Bistro do Faena. Os bares do navio tinham tipos de musica bastante variados – de solos de piano a axe – e a disco no ultimo deck ficava lotada todas as noites, até de manhãzinha – por ali, até o comandante Giuseppe Maresca dava as caras.
Taí. Adorei a experiência da viagem antes da viagem. ;-)

26/03/2009

O começo da travessia

Embarquei no Mistral - que, infelizmente, substituiu o Costa Romântica - estressada com a cabine, muuuito diferente da que eu tinha comprado e cheia de defeitinhos. A comida também decepcionou e assim como o entretenimento, absolutamente escasso já que o navio é muito pequeno, com pouco espaço comum. Aliás, como é pequeno, balança pra chuchu - ainda bem que eu adoro navegar. E tocam Con te partiro, do Andrea Bocelli, fulltime. Até agora, escalas no Rio, Salvador e Maceió. Falta Recife, antes das demoraaaaadas quase 96h de navegação ininterrupta que estão pela frente até chegar em Cabo Verde.

Vamos aguardar o que vem por aí...

12/03/2009

Sabático: faltam só dez dias

Enquanto eu fico aqui dando tratos à bola para criar um jeito de fazer minha mala pesar menos de 20kg - exigência obrigatória já que existe um vôo interno na Europa no comecinho da jornada - o negócio tá chegando pertinho. Faltam apenas dez dias para começar meu período sabático.

Com um ou outro entrave - afinal, o Costa Romântica entrou em colapso lá no Uruguai e será substituído pelo Mistral, sem ainda nenhum comunicado oficial da Costa a nós, passageiros -, se tudo der certo, dia 22 zarpo literalmente rumo a Europa, mais ou menos às avessas do que meu avô fez há quase setenta anos - com a diferença que eu vou e volto. ;-)

Na rota do navio, cidades brasileiras, Cabo Verde, Tenerife, Málaga, Cádiz e Savona. Na sequência, tenho dois meses planejados, entre Itália, Marrocos e Espanha; depois, vamos ver onde o vento me leva. Tá chegando a hora.

01/03/2009

O final é exatamente onde começamos

Há uma citação de T.S. Elliot que não me sai da cabeça por esses dias: “O final é exatamente onde começamos (...) ao final da nossa viagem chegaremos onde começamos e conheceremos o local pela primeira vez”.

Nas últimas semanas, tudo o que penso é voltar para alguns lugares que amo e ficar neles pelo tempo que eu achar "necessário". Em Florença já sei que ficarei um mês; em Salamanca, também. PRECISO voltar a Paris. E também a Barcelona e a Berlim. E Madri. E Lisboa e Coimbra. E Roma, claro.

Parece loucura; mas ando, nesse momento, mais seduzida pela idéia de ficar mais tempo nessas cidades tão queridas que pela idéia de desbravar novos destinos. Vai entender, né? Talvez Elliot tivesse mesmo razão...