1 de jun de 2008

Patagônia chilena: uma verdadeira iniciação

No final da cordilheira dos Andes, existe um local paradisíaco repleto de montanhas, lagos e glaciares, com os mais extraordinários animais e moradores, como uma grande arca de Noé no extremo sul do Chile. Assim é a Patagônia chilena.
Meu porto seguro por lá foi a adorável cidade de Puerto Natales, antes apenas um ponto de passagem para alimentação e reabastecimento de veículos a caminho do Parque Nacional Torres del Paine. Hoje, Natales se transformou definitivamente no novo centro do turismo patagônico do Chile, compreendendo em seus arredores inúmeras fazendas de ovelhas, trekkings, safáris fotográficos, pesca esportiva, escalada em gelo, rafting e os mais bucólicos cenários que você possa imaginar.
Ao contrário do que muita gente pensa, a Patagônia chilena é linda e convidativa ao visitante durante o ano todo, inclusive no auge do inverno, com grandes geleiras e glaciares, pampas abertos, colinas, riachos, lagos com icebergs flutuantes e até mesmo fiordes (os únicos do hemisfério sul), datados de milhares e milhares de anos.
Em toda parte, bosques e mais bosques de lengas, o carvalho patagônico, são invadidos por emas, ovelhas, guanacos (a lhama patagônica), águias e até mesmo pumas. De vez em quando, ao longo dos trajetos desabitados, com apenas uma casinha aqui e ali, surgem os gaúchos – ou baquedanos, como são conhecidos no local – com seus rebanhos de ovelhas ou gado e seus adoráveis cães.

Meu guia, o adorável Chechin, era um verdadeiro personagem – e a simpatia em pessoa. Trabalhou por 15 anos no Parque Torres del Paine, ainda que tivesse ido originalmente para trabalhar por apenas uma semana. Casado e com dois filhos, se orgulha de dizer que seu menino, desde pequeno, é apaixonado por cavalos e pelo campo. Aprendeu inglês de maneira autodidata, com os próprios turistas que recepcionava – e hoje sabe até português. Sua maior paixão são os cavalos selvagens – tem alguns, com nomes como Diablo, Lúcifer e por aí vai – e conta, no caminho para Sierra Baguales, que aprendeu a montá-los observando as tentativas do pai e do tio.

Olha o Chechin aí, com toda a pompa dos gaúchos

E foi em Sierra Baguales, mais precisamente na Estância Los Leones. que encontrei o senhor Manuel Mañuco, 64, que vive só há 28 anos na região. Sua profissão? Caçador de pumas. Vaidoso, e fumando muito enquanto preparava seu mate, contou durante o almoço que já matou mais de 30, para proteger os rebanhos de pecuaristas que lhe pagam cerca de 500 dólares por animal morto. O puma é o terror da região, pois chega a vitimar 70 ovelhas numa única noite; se tiver filhotes, este número pode chegar ao dobro.
Seu Manuel

Paisagem emblemática da região, com seus icebergs boiando constantemente no lago de mesmo nome, o glaciar Grey vem diminuindo cerca de 2km a cada dez anos nos últimos tempos. Hoje, são 28km de extensão na geleira que vai desde o campo de gelo ao lago; trekking e passeios de caiaque estão entre as principais atrações do local.


O Lago Grey
Mas o Parque Nacional Torres del Paine, com seus duzentos e quarenta e dois mil hectares considerados patrimônio mundial pela UNESCO desde 1978, é definitivamente a principal atração para quem se aventura pela patagônia chilena. Sobre suas torres pontiagudas - geralmente douradas pelo sol durante todo o dia - ,nunca há neve. Ao redor, lagos, resquícios da era do gelo e uma vegetação hipnotizante.

3 comentários:

Erika disse...

nossa, que lindo! Acabei de colocar a patagônia do Chile no topo da minha lista de prioridades viajantes!

Emilia disse...

Mari, que fotos impressionantes...gostaria muito de visitar a região um dia...e nem precisar ficar no Remota, hehe.
Um beijo pra você!

Ro disse...

Já mexi nas minhas férias; depois desse post - e principalmente dessas fotos - a Patagônia chilena já subiu pro topo da minha listinha de lugares a visitar.