6 de jun de 2011

Os brasileiros e suas panelinhas

Eu reparo nisso há mais de uma década e esse assunto sempre vem à tona nas rodas de amigos. Mas a ideia de transformar isso num post veio da constatação na minha amiga Lucia Malla no twitter nessa segunda-feira, enquanto participa de um congresso em Boston, EUA: “é muito interessante ver os brasucas em congresso. Com raras exceções,pouco interagem com estrangeiros”. Pois é. E não é só nos congressos, não; vejo isso acontecer com MUITOS brasileiros em viagem, sobretudo quando viajam para fazer intercâmbio.
Juro que não entendo. A ideia principal de fazer intercâmbio não é justamente a imersão para aprender outra língua e se entrosar com outra cultura? Conhecer estudantes do mundo inteiro? Então como é que tanta gente ainda gasta esse dindim todo pra viver num grupinho de brasileiros no destino escolhido?
Vou além: não entendo como é que alguém que vai passar 20 ou 30 dias em férias num outro país quer procurar os restaurantes de comida brasileira, os bares frequentados por brasileiros e tal. Um chofer indiano de um transfer que eu peguei em Londres me perguntou se eu queria saber onde comprava cerveja brasileira e os supermercados que tinham seções brazucas, porque os clientes brasileiros sempre pediam isso a ele.
Que a gente fique homesick quando VIVE fora, é uma coisa. Você tá lá, há milhares de milhas distante de casa, da família, falando outra língua, vivendo outros hábitos, e sente aquele prazer imenso ao ouvir gente falando em português ou quando um amigo vai te visitar e leva, por exemplo, sonho de valsa - ou qualquer outra coisa que você ame muito e que não encontra lá fora. Normal. Mas numa viagem... sei não.
Eu, quando viajo, o que quero mesmo é CONHECER o outro país: me esforçar pra falar um tiquinho da outra língua (ao menos por favor, desculpa, bom dia, boa noite e obrigado eu sempre aprendo antes de embarcar), experimentar os sabores locais (mesmo pra depois eu poder dizer que aquele não é meu tipo de comida), ouvir as músicas locais, me adaptar aos costumes etc. Será que eu sou muito estranha?

7 comentários:

Andrea disse...

Não é impressão, não. É fato. Tenho caso na família que desperdiçou uma tremenda viagem prá Inglaterra e Escócia porque só ficava grudado nos colegas brasileiros e voltou falando tão pouco inglês quanto antes. Pior: voltam falando mal das pessoas e do país onde estiveram, como se tivessem algum subsídio prá criticar alguma coisa, uma vez que não fizeram o mínimo esforço prá interagir, conversar e compreender uma cultura diferente. Enfim, acho que, apesar de adorar o rótulo de amigável, sorridente e receptivo, o brasileiro é bem etnocêntrico.

Mel Guará disse...

Pior eh quando a panelinha eh dentro do Brasil mesmo! Ja viajei com amigos da minha cidade e quando descobriam que no nosso destino tinha gente da nossa hometown ficavam loucos pra grudarem neles o tempo inteiro!

Luana disse...

Realmente concordo com a Andréia, na verdade moro no exterior e onde moro há uma comunidade razoavelmente grande de brasileiros, estudei em uma escola de idiomas que os brasileiros só falavam português entre si e só se interagiam ou moravam com outros brasileiros, realmente acho que não é dar valor ao investimento que fez.

Anônimo disse...

Esse negócio de viajar pra aprender cultura é conversa pra boi dormir. As pessoas viajam só pra mostar que não gostam do próprio país. Ou pra se aparecer.
Tudo que se ve em uma viagem ja está na internet.

Anônimo disse...

também penso como você.

Nas viagens, fico longe dos Brasileiros

Anônimo disse...

Morei fora 1 ano e ficava longe dos brasileiros justamente p/ conhecer pessoas de outros países, a cultura do País aonde estava enfim, queria que a minha viagem valesse a pena! Mas, nos grupinhos de brasileiros, eu era taxada de metida, que não me misturava....Fala Sério!

Adenir Stelman disse...

É uma reação natural ao desconhecido: quando você está rodeado de coisas estranhas, tende a se aproximar do que já conhece.

Não é nada demais. Acontece com mais freqüência entre pessoas dos mais diversos níveis culturais. Para se mergulhar em uma cultura diferente, é preciso estar planejado para isso.